10. Evidência digital e cadeia de custódia de provas eletrônicas

Noções de evidência digital, preservação, aquisição, integridade, rastreabilidade e cadeia de custódia aplicadas a provas eletrônicas.

Evidência digital e cadeia de custódia

Mapa do procedimento

identificar → preservar → adquirir/coletar → verificar integridade → documentar → analisar → armazenar/rastrear

  • evidência digital: dado com potencial relevância probatória;
  • suporte físico ≠ dado: o aparelho contém dados, mas não se confunde com eles;
  • cópia bem produzida ≠ prova inferior: o ponto é preservar a mesmidade — correspondência com o material originalmente obtido — e permitir auditoria.

Cadeia de custódia no CPP

Começa com preservação do local ou com procedimento policial/pericial em que se detecte vestígio — não apenas na coleta.

Ordem do art. 158-B:

reconhecimento → isolamento → fixação → coleta → acondicionamento → transporte → recebimento → processamento → armazenamento → descarte

Pegadinhas:

  • fixação = descrição/registro detalhado do vestígio e de sua posição/situação;
  • coleta é preferencialmente por perito oficial, não “exclusivamente”;
  • exame não encerra automaticamente a cadeia; há armazenamento e posterior destinação;
  • a cadeia não se limita a vestígios encontrados no local físico do crime.

Hash

  • mesmo método de cálculo + mesmos dados → espera-se o mesmo resumo;
  • mudança nos dados → tende a produzir resumo diferente;
  • apoia integridade e mesmidade;
  • não prova sozinho autoria, veracidade, autenticidade, completude, licitude ou toda a cadeia de custódia.

Hash é verificador técnico; cadeia de custódia é histórico controlado.

Fonte e cópia

Quando viável:

  1. preserve a fonte;
  2. produza aquisição/cópia controlada;
  3. verifique a integridade;
  4. analise a cópia de trabalho;
  5. registre ferramentas, operador, horários, transferências e ocorrências.

Aquisição lógica: obtém objetos apresentados pelo sistema/aplicativo.
Aquisição de baixo nível: busca representação mais próxima dos dados acessíveis no suporte.

Dados voláteis

Informações em RAM, conexões ativas e estados de processos podem desaparecer ou mudar rapidamente.

  • desligar pode destruir dado volátil;
  • manter ligado também permite alterações;
  • não existe resposta universal “sempre desligar” ou “nunca desligar”;
  • considere a ordem de volatilidade e documente as ações.

Captura de tela

Captura de tela é representação visual, não sinônimo de aquisição técnica completa. Pode omitir metadados, conteúdo não visível e elementos necessários à reprodução do exame.

O STJ destaca preservação, auditabilidade e exame técnico independente na edição 281 de Jurisprudência em Teses; o Informativo 878 exige perícia diante de dúvida razoável sobre integridade e autenticidade.

Checklist para auditoria

Registre quem, o quê, onde, quando e como, além de:

  • fonte e identificadores;
  • ferramenta/versão/parâmetros relevantes;
  • valores de hash quando aplicáveis;
  • recebimentos e transferências;
  • acessos e armazenamento;
  • falhas, exceções e discrepâncias temporais.

Método de prova

  • cadeia começa só na coleta? não;
  • perito oficial é sempre exclusivo? não;
  • cópia digital é automaticamente imprestável? não;
  • hash igual prova autoria? não;
  • captura de tela equivale a aquisição completa? não;
  • todo dado digital é permanente? não.