Lógica de argumentação
Ache a conclusão antes de avaliar o raciocínio. Pergunte o que o autor quer que seja aceito e quais afirmações oferece como razões. “Logo” e “portanto” podem sinalizar conclusão; “porque” e “pois”, premissa. A posição e o marcador não decidem a função: uma explicação pode responder por que um fato já aceito ocorreu, enquanto um argumento oferece razões para aceitar uma tese.
Reconstrua a passagem
| Peça | Pergunta de recuperação |
|---|---|
| Premissa | Que razão foi oferecida? |
| Conclusão | Que tese essa razão pretende sustentar? |
| Inferência | Como se passa das razões à tese? |
| Pressuposto | Que ponte ficou implícita, mas é compatível com o que o autor efetivamente disse? |
Premissas ligadas só produzem o passo juntas: regra geral + enquadramento do caso. Premissas independentes oferecem apoio próprio. Uma conclusão intermediária encerra um passo e vira premissa do seguinte. Ao reconstruir um pressuposto, examine se a passagem desaba sem a ponte; não acrescente uma razão inventada apenas para tornar a tese convincente.
Escolha o teste pela força pretendida
| Passagem | O apoio promete | Teste econômico |
|---|---|---|
| Dedução | Necessidade: com as premissas verdadeiras, a conclusão não pode ser falsa. | Busque contraexemplo: um cenário possível com todas as premissas verdadeiras e a conclusão falsa. Um só refuta a validade. |
| Indução | Apoio provável a uma generalização ou previsão, sem garantia. | Examine tamanho, seleção e representatividade da base; compare seu universo e período com o alcance da conclusão. |
| Analogia | Transferir ao caso alvo uma expectativa apoiada em semelhanças com um caso conhecido. | Confira se as semelhanças afetam o resultado e se alguma diferença relevante rompe a transferência. |
| Abdução | Hipótese para explicar um fato observado, sem necessidade dedutiva. | Compare explicações alternativas e evite transformar hipótese em certeza. |
Possível significa compatível com o que se sabe; provável requer apoio relevante; necessário não admite falha se as premissas forem verdadeiras. Uma amostra limitada pode apoiar uma previsão cautelosa, mas não “sempre”, “todos” ou “necessariamente”. Numa analogia, uma diferença decisiva pode pesar mais que muitas semelhanças superficiais.
Validade não é verdade da conclusão
| Pergunta | Resposta que importa |
|---|---|
| Uma afirmação é verdadeira? | Avalie seu conteúdo. |
| A dedução é válida? | É impossível ter premissas verdadeiras e conclusão falsa? |
| A dedução é sólida? | A forma é válida e todas as premissas são verdadeiras? |
Premissa falsa impede solidez, mas não demonstra invalidade; conclusão verdadeira não prova validade. Dedução sólida garante conclusão verdadeira. Para invalidar a forma, mantenha as premissas e procure a conclusão falsa num cenário coerente, ainda que esse cenário não tenha ocorrido.
Regra condicional: siga a seta
Se a regra fornecida for A → B (“se A, então B”), A basta para B, mas B pode ter outra origem. Distinga validade da forma e verdade factual da própria regra.
Dado além de A → B | Inferência | Por quê? |
|---|---|---|
A | B — válida (modus ponens) | A condição ocorreu. |
não B | não A — válida (modus tollens) | Se A ocorresse, B ocorreria. |
B | A — inválida | B pode acontecer por outra via. |
não A | não B — inválida | A regra não exclui outras vias para B. |
Feche a questão
- Separe tese, razões, ponte implícita e passos intermediários.
- Veja se a pretensão é necessidade, probabilidade ou transferência por analogia.
- Aplique o teste correspondente e pergunte se a razão é relevante para a propriedade afirmada e suficiente para a extensão e a certeza da conclusão.
Popularidade ou esforço, sozinhos, não provam uma tese; duas reclamações não sustentam “todos rejeitam”. Nomeie a falácia pelo salto: generalização de base escassa, falsa causa por mera sucessão temporal ou apelo a uma consequência sem evidência pertinente. A maioria de um grupo não garante que um integrante específico tenha a propriedade. A sucessão de fatos também não estabelece, por si, causa e efeito.