Lógica de primeira ordem
Fixe o domínio e traduza quem satisfaz qual propriedade. Na semântica clássica adotada na aula, o domínio de objetos é não vazio. Constante (a) nomeia objeto; variável (x) o percorre; função (f(x)) devolve objeto; predicado (P(x)) e relação (R(x,y)) formam afirmações. A aridade fixa quantos argumentos o símbolo recebe e sua ordem importa. Termo como f(a) designa objeto, sem valor lógico isolado; P(f(a)) é fórmula. Constantes diferentes podem nomear o mesmo objeto sem uma premissa de desigualdade.
Tradução: restrinja o universo corretamente
Se A(x) significa “x é A” e B(x), “x é B”:
| Frase | Sentença fechada | Teste de direção |
|---|---|---|
| Todo A é B | ∀x(A(x) → B(x)) | Para cada A, B é exigido. |
| Nenhum A é B | ∀x(A(x) → ¬B(x)) | Não existe objeto que seja A e B. |
| Algum A é B | ∃x(A(x) ∧ B(x)) | O mesmo objeto é A e B. |
| Algum A não é B | ∃x(A(x) ∧ ¬B(x)) | Há contraexemplo à universal. |
Universal restrita usa →; existencial restrita usa ∧. A fórmula ∀x(A(x) ∧ B(x)) diria que todos os objetos do domínio são A e B. Em ∃x(A(x) → B(x)), um objeto que não é A já satisfaz a condicional, sem comprovar existência de A.
“Somente servidores acessam” é ∀x(Acessa(x) → Servidor(x)): acesso exige ser servidor; não se conclui que todo servidor acessa. “Nem todo A é B” é ∃x(A(x) ∧ ¬B(x)). “Algum” significa ao menos um, admitindo que todos satisfaçam a propriedade; existência única é afirmação mais forte.
Escopo, ordem e negação
Um quantificador alcança apenas a subfórmula em seu escopo. P(x) tem x livre; ∀xP(x) liga essa ocorrência; ∀xR(x,y) ainda deixa y livre. Uma sentença não contém variáveis livres. Renomear variável ligada é seguro se o vínculo for preservado; substituir x por y em ∃yR(x,y) produziria ∃yR(y,y), capturando a ocorrência livre. Renomeie antes a ligada para z.
| Fórmula | Leitura e consequência |
|---|---|
∀x∃yR(x,y) | Para cada x há algum y, que pode variar. |
∃y∀xR(x,y) | Um mesmo y serve para todos; implica a linha anterior, mas a volta falha em geral. |
Quantificadores consecutivos do mesmo tipo podem trocar de ordem; misturar ∀ e ∃ normalmente muda a afirmação. Para negar, troque cada quantificador alcançado e negue a propriedade, conservando o escopo:
| Original | Negação equivalente |
|---|---|
∀xP(x) | ∃x¬P(x) |
∃xP(x) | ∀x¬P(x) |
∀x∃yR(x,y) | ∃x∀y¬R(x,y) |
∀x(A(x) → B(x)) | ∃x(A(x) ∧ ¬B(x)) |
Negar “todos” pede um contraexemplo, sem afirmar que nenhum satisfaça a propriedade. É o contraste cobrado em item oficial do CEBRASPE sobre “Todos são iguais perante a lei”.
Existência, distribuição e contramodelo
Domínio não vazio permite ∀xP(x) ⇒ ∃xP(x); não permite inferir ∃xA(x) de ∀x(A(x) → B(x)), pois a classe A pode ser vazia.
| Distribuição válida | Troca que falha em geral |
|---|---|
∀x(P(x) ∧ Q(x)) ≡ (∀xP(x)) ∧ (∀xQ(x)) | ∀x(P(x) ∨ Q(x)) não exige que um mesmo lado valha para todos. |
∃x(P(x) ∨ Q(x)) ≡ (∃xP(x)) ∨ (∃xQ(x)) | ∃xP(x) ∧ ∃xQ(x) não garante um objeto com as duas propriedades. |
Uma sentença é satisfatível se verdadeira em alguma interpretação, válida se em todas, insatisfatível se em nenhuma. Uma interpretação favorável prova satisfatibilidade; para refutar consequência lógica, basta contramodelo: premissas verdadeiras e conclusão falsa. Dois objetos distintos, um apenas com P e outro apenas com Q, refutam ∃xP(x), ∃xQ(x) ⊨ ∃x(P(x) ∧ Q(x)). Da universal ∀xP(x) segue P(a) para um objeto nomeado; de P(a) segue ∃xP(x). De ∃xP(x) não se conclui P(a) para um nome previamente escolhido.