12. Concordância verbal e nominal

Concordância verbal e nominal com núcleo, sujeito oracional, quantidades, impessoais, passivas, infinitivo, predicativos e reescritas de concurso.

Ler sem distrações

Concordância verbal e nominal

Por que A relação dos processos foi atualizada fica no singular, embora haja vários processos? Porque se fala da relação, não diretamente dos processos. Todos os exemplos didáticos deste capítulo são hipotéticos:

A relação dos processos foi atualizada.

Os processos da relação foram atualizados.

Concordar é ajustar a forma de uma palavra ao termo com que ela se relaciona, não copiar a terminação da palavra mais próxima. Essa mudança de forma é a flexão.

1. Encontre a relação antes de escolher a terminação

Uma oração organiza uma informação em torno de um verbo. O sujeito é o termo sobre o qual se declara algo e com o qual o verbo normalmente concorda. Seu núcleo é a palavra central: em a relação dos processos, é relação. O trecho dos processos especifica esse nome; não cria outro núcleo do sujeito.

De, a, com e em são preposições, palavras que ligam termos. Em dos processos, há a união de de + os. Identificá-lo ajuda a perceber a estrutura, mas não se devem apagar mecanicamente todos os termos com preposição: certas expressões de quantidade admitem concordância com o nome seguinte.

A concordância verbal relaciona verbo e sujeito em número — singular ou plural — e pessoa: primeira, quem fala (eu/nós); segunda, com quem se fala (tu/vós); terceira, de quem ou do que se fala (ele/eles). Assim: eu reviso, nós revisamos, as auditoras revisam. Você e vocês designam interlocutores, mas usam formas verbais de terceira pessoa: você revisa, vocês revisam.

A concordância nominal relaciona palavras que acompanham ou caracterizam um nome ao seu gênero, masculino ou feminino, e ao seu número. Em as duas novas auditoras, auditoras é o substantivo, que nomeia as pessoas; as é artigo; duas, numeral; novas, adjetivo, que as caracteriza. As três palavras acompanham o feminino plural. Pronomes substituem ou acompanham nomes, como elas e suas. Artigos e pronomes que delimitam o nome são determinantes.

Sujeito não é necessariamente quem pratica uma ação

Em As planilhas foram conferidas, as planilhas recebem a ação e continuam sendo o sujeito. Em Faltam duas planilhas, o sujeito está depois do verbo. Em As datas me escaparam, o sujeito é as datas; me indica a pessoa afetada.

Procure de que termo se afirma o acontecimento ou estado. Posição, proximidade e condição de agente não definem, isoladamente, o sujeito.

2. Um núcleo, uma oração ou um pronome como sujeito

O núcleo permanece, mesmo cercado de outros termos

Sujeito simples tem um núcleo, não necessariamente uma palavra nem um único ser: Os processos da unidade foram conferidos tem sujeito simples, de núcleo plural processos.

A relação dos processos que chegaram ontem foi atualizada.

Chegaram refere-se aos processos; foi, à relação. Analise cada verbo em sua oração: o plural interno não se propaga ao verbo principal.

O pronome relativo retoma um termo anterior e introduz uma oração que o caracteriza. Esse termo retomado é o antecedente. No exemplo, que retoma processos e é sujeito de chegaram.

Quando que é sujeito, o verbo acompanha o antecedente: Fui eu que revisei; Fomos nós que revisamos. Em Os processos que a auditora revisou chegaram, porém, o sujeito de revisou é a auditora: o relativo retoma aquilo que ela revisou.

Com quem, a terceira pessoa do singular é regular, mas a concordância com antecedente expresso também é admitida: Fui eu quem revisou e Fui eu quem revisei. Sem antecedente que justifique outra concordância, não se transporta essa liberdade: Quem revisou os processos?

Em uma das servidoras que participaram, o plural apresenta a servidora como integrante de um conjunto que participou. O plural é preferencial na redação formal, mas o Aulete registra singular raro nessa construção: preferência não significa exclusividade.

Uma ação inteira pode ocupar o lugar do sujeito

Compare É necessária a conferência e É necessário conferir os dados. Na primeira, o sujeito é o nome feminino a conferência. Na segunda, é a oração conferir os dados: o que é necessário? Isso — conferir os dados. O sujeito é oracional, e o verbo principal fica na terceira pessoa do singular; a característica atribuída à oração fica no masculino singular.

É necessário que os dados sejam conferidos.

Aos gestores cabe revisar os controles.

No primeiro exemplo, sejam acompanha os dados, mas é necessário se refere à oração inteira. No segundo, aos gestores indica a quem cabe a tarefa; o sujeito de cabe é revisar os controles. Pelo mesmo mecanismo: Convém revisar as planilhas; Basta que uma falha seja encontrada.

Conferir e revisar estão no infinitivo, forma que não situa, por si só, o processo em um tempo. Infinitivos coordenados, ligados no mesmo plano por e, por exemplo, podem representar atividade integrada — Ler e escrever exige concentração — ou ações individualizadas — Planejar e executar são etapas distintas. A oposição de ações também favorece o plural; contar verbos, sozinho, não resolve.

Pronomes de seleção e de tratamento

Cada um dos processos foi revisado, Nenhum dos candidatos faltou e Qualquer um dos servidores pode responder têm núcleo singular. O conjunto de vários integrantes não impõe plural.

O mesmo raciocínio vale para Qual de nós será convocado? Com pronome plural, há duas concordâncias: Quais de nós serão convocados? ou Quais de nós seremos convocados? Concorda-se com quais ou nós. Com vós, a alternativa é a segunda pessoa do plural.

Pronomes de tratamento, como Vossa Excelência, exigem verbo na terceira pessoa, mesmo dirigidos ao interlocutor. O adjetivo considera a pessoa referida: Vossa Excelência está informada, para uma mulher; está informado, para um homem, apesar do feminino de Excelência.

3. Mais de um núcleo: posição e sentido trabalham juntos

A regra do conjunto e a concordância por proximidade

Sujeito composto tem mais de um núcleo. Quando aparece antes do verbo, designando seres distintos, a regra é o plural: O relatório e a planilha chegaram. Depois do verbo, admitem-se o plural e a concordância com o núcleo mais próximo: Chegaram o relatório e a planilha ou Chegou o relatório e a planilha. Esta última é a concordância atrativa.

Isso não valida A relação dos processos chegaram: processos não é núcleo do sujeito. O sentido também pode impedir o singular: Encontraram-se o diretor e a relatora exige plural na leitura de que se encontraram um com o outro.

Com pessoas gramaticais diferentes, a primeira prevalece: Eu e os auditores revisamos. Na concordância tradicional, segunda mais terceira leva à segunda do plural: Tu e o relator estais de acordo. O Aulete registra terceira do plural na linguagem coloquial: tu e ele estão. Na redação formal conservadora, prefira a concordância tradicional. Já você e ele estão é regular, pois ambos exigem terceira pessoa.

Quando várias expressões apresentam uma unidade

O autor e relator apresentou o voto pode designar uma pessoa que acumula funções. O autor e o relator apresentaram o voto favorece a leitura de duas pessoas. O artigo ajuda; o contexto confirma a identidade dos participantes.

Núcleos de significado próximo ou dispostos em intensidade crescente, a gradação, podem ser reunidos pelo singular: A inquietação, a ansiedade, o desespero tomou conta da equipe. O plural também é possível, destacando as manifestações.

Se uma palavra resume a enumeração, o verbo concorda com ela: Prazos, custos e riscos, tudo foi examinado. Aqui, tudo retoma o conjunto como unidade.

Há ainda concordância diretamente com a ideia, chamada silepse: em Os brasileiros somos persistentes, quem fala inclui a si mesmo entre os brasileiros, justificando a primeira pessoa. Esse recurso contextual não autoriza A equipe decidiram sem justificativa.

Soma, escolha ou companhia

Ou pode excluir ou incluir possibilidades. Em O presidente ou o vice assinará o ato, mas não ambos, apenas um dos sujeitos singulares realizará a ação. Em O descuido ou a fraude podem causar dano, o resultado pode ser atribuído a ambos. Se ou apenas reformula a mesma denominação — A revisão, ou conferência final, ocorrerá amanhã —, não se somam dois eventos.

Com pessoas diferentes, também se considera a pessoa gramatical: Ou ela ou eu revisaremos o texto. Não se aplica aqui a regra dos dois núcleos singulares de terceira pessoa.

Nem soma negações: Nem o relatório nem as planilhas chegaram. O plural é a orientação geral. Nas expressões fixas, um ou outro candidato faltou normalmente fica no singular; um e outro admite singular ou plural; nem um nem outro apresentou recurso é a escolha editorial conservadora. O plural também é registrado com nem um nem outro empregado sozinho como pronome, não como autorização geral para construções com nome expresso.

Com pode pôr dois participantes no mesmo plano: O presidente com os conselheiros aprovaram a minuta. Mas, em O presidente, com os conselheiros, aprovou a minuta, o trecho entre vírgulas funciona como informação de companhia, subordinada à atuação do presidente. Algo semelhante ocorre com assim como, bem como e como: soma favorece plural; comparação ou informação intercalada permite concordância com o primeiro termo. Pontuação e sentido atuam juntos.

4. Quantidade matemática não resolve sozinha a concordância

Conjunto e integrantes

Um coletivo nomeia um conjunto por uma forma singular: A equipe decidiu. Já uma expressão partitiva destaca uma parte de um conjunto: a maioria dos candidatos, metade dos processos. Com nome plural depois dela, pode-se concordar com a parte ou com seus integrantes:

A maioria dos candidatos foi aprovada.

A maioria dos candidatos foram aprovados.

Verbo e característica acompanham maioria na primeira e candidatos na segunda. Coletivos especificados, como um grupo de servidores, também podem admitir a concordância com o conjunto ou com os integrantes. Isso não se estende a todo nome acompanhado de plural: a relação dos processos não significa uma quantidade deles.

Com cerca de, perto de, mais de e menos de, a concordância acompanha normalmente o numeral: Cerca de cinquenta servidores compareceram; Menos de dois candidatos faltaram. Mais de um normalmente fica no singular: Mais de um servidor faltou. Há plural com repetição — Mais de um servidor, mais de um estagiário compareceram — ou reciprocidade, ação de uns sobre outros: Mais de um gestor se acusaram mutuamente.

Frações e percentuais

Na fração, o numerador indica quantas partes são consideradas: em dois terços, é dois. A orientação tradicional mais direta acompanha esse número: Um terço dos processos foi arquivado; Dois terços dos processos foram arquivados. Um terço dos processos foram arquivados também tem registro, por aproximação com as partitivas; a variante não é unanimemente rejeitada.

No percentual sem nome especificador, acompanha-se o número: 1% faltou; 30% faltaram. O especificador é o nome que informa a base da porcentagem, como servidores em 30% dos servidores.

Com percentual antes do verbo, pode-se acompanhar o número ou o especificador: 1% dos servidores faltou/faltaram; 30% da verba foi reservada ou 30% da verba foram reservados. A primeira acompanha verba; a segunda, o percentual. Quando número e especificador são plurais, não há esse contraste: 30% dos servidores faltaram.

O Manual de Comunicação do Senado distingue duas restrições importantes: com o percentual depois do verbo, adota a concordância com o número — Foram reservados 30% da verba; se o próprio percentual vier determinado, segue-se também o número — Esses 30% da verba foram reservados. Nesses casos, não há escolha indiferente entre as formas.

Milhão, total e zero

Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos: os dois milhões de pessoas, e não as duas milhões. A concordância com esse núcleo produz Um milhão de pessoas participou; Dois milhões de pessoas participaram; 1,5 milhão de reais foi destinado. Com especificador plural, admite-se também Um milhão de pessoas participaram, destacando as pessoas. Sem esse apoio, mantenha o núcleo: Chegou um milhão do total adquirido.

Em Um total de cem processos foi analisado, foi analisado acompanha total. Retirado esse nome, a estrutura muda: Cem processos foram analisados. Há variação em construções quantitativas, mas não se deve misturar as concordâncias em foi analisados.

Com zero, o uso do nome seguinte oscila entre singular e plural. Em Zero ocorrências foram registradas, o verbo e a forma registradas acompanham ocorrências. A quantidade zero não elimina o sujeito.

5. Quando não há sujeito — e por que ser merece atenção própria

Haver e fazer: o sentido determina a impessoalidade

Um verbo é impessoal quando a oração não tem sujeito naquele emprego. Haver, no sentido de existir, ocorrer ou indicar tempo decorrido, fica na terceira pessoa do singular: Há recursos pendentes; Houve falhas; Havia dois anos que o processo tramitava. Em Há recursos, recursos completa o verbo; não é sujeito plural.

Já existir, ocorrer, acontecer e surgir têm sujeito: Existem recursos; Ocorreram falhas; Surgiram dúvidas. Sentidos próximos não garantem a mesma estrutura.

Uma locução verbal reúne auxiliar e verbo principal: em deve haver, deve acrescenta uma avaliação ao processo de haver. Quando o principal é impessoal, o auxiliar também fica no singular: Deve haver recursos, não devem haver recursos. Com verbo pessoal: Devem existir recursos.

Haver como auxiliar é outro caso: Os servidores haviam estudado. Haviam concorda com os servidores. O emprego do verbo, não sua forma isolada, determina a análise.

Fazer, indicando tempo decorrido ou condição meteorológica, também é impessoal: Faz dois anos; Deve fazer dez graus. No sentido de realizar, concorda normalmente: Os servidores fizeram a revisão. Verbos de fenômenos naturais, em sentido próprio, seguem o padrão impessoal: Choveu ontem. O sentido figurado pode criar sujeito: Choveram reclamações.

Hora, distância, identificação e quantidade com ser

Nas indicações de hora e distância, ser acompanha a expressão numérica: É uma hora; São dez horas; Da sede ao arquivo são três quilômetros. Impessoalidade, portanto, não significa singular obrigatório para todos os verbos.

Em datas, são usuais Hoje é dia 17 e Hoje são 17 de julho. O singular Hoje é 17 de julho considera subentendido dia. Com dar, bater e soar, identifique o sujeito: Deram dez horas; O relógio deu dez horas. O sujeito relógio determina o singular no segundo caso.

Ser também liga o sujeito à informação que se atribui a ele, o predicativo. Essa informação pode participar da concordância: Isso são dificuldades previsíveis; Tudo eram obstáculos. Com isto, isso, aquilo e tudo, o plural do predicativo é frequente; o singular também é registrado, mas é raro com predicativo plural.

Se um dos termos é pronome pessoal, ele orienta a concordância: Os responsáveis somos nós; Quem decidiu fui eu. Na avaliação de uma quantidade como bloco, usa-se o singular: Dez anos é muito tempo; Cem reais é pouco.

Nomes no plural e expressões fixadas pelo uso

O plural gráfico de um nome não basta. Com artigo plural, a concordância usual é plural: Os Estados Unidos anunciaram a medida. Sem artigo, nomes geográficos plurais podem ser tomados como singular: Minas Gerais anunciou a medida. São exemplos construídos, não notícias.

Títulos de obras podem ser tratados como unidade. A tradição registra Os Lusíadas celebram…; o singular de Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra… considera o título como designação de uma obra. O Senado prefere singular para títulos em sua redação. Essa preferência editorial não elimina as variantes gramaticais.

Haja vista significa, no emprego aqui estudado, tendo em vista ou considere-se: Haja vista os resultados obtidos. O Manual de Comunicação do Senado adota a expressão invariável, sem hajam vista nem haja visto. Essa escolha editorial não implica que todo haver seja impessoal.

6. O se pode ocultar o agente sem eliminar o sujeito

Compare Publicaram-se os editais e Precisa-se de analistas. Não se identifica quem publica ou precisa, mas isso não resolve a concordância.

Para distinguir as construções, observe como o verbo se completa. Em A unidade publicou os editais, os editais é objeto direto, complemento sem preposição exigida pelo verbo. Em A unidade precisa de analistas, de analistas é objeto indireto, complemento ligado pela preposição exigida. Essa relação de complementação é a transitividade, que depende do sentido do verbo naquela frase.

Na passiva, o sujeito recebe a ação

Na voz ativa do exemplo abaixo, o sujeito pratica a ação. O objeto direto pode passar a sujeito da voz passiva, recebendo a ação:

A unidade publicou os editais → Os editais foram publicados → Publicaram-se os editais.

Particípio é a forma verbal como publicado: com ter/haver, integra um tempo composto, como tinha publicado; na passiva, expressa a ação recebida. A construção com ser + particípio é a passiva analítica; com se, a passiva sintética; nela, o se é partícula apassivadora, e os editais, sujeito paciente, pois recebe a ação. Esse sujeito plural exige publicaram-se.

Verbos com os dois complementos também permitem essa organização: Concederam-se bolsas aos estudantes corresponde a Bolsas foram concedidas aos estudantes. O sujeito é bolsas; aos estudantes mantém o papel de destinatário.

Na locução, a concordância aparece no auxiliar: Devem-se revisar os procedimentos equivale a Os procedimentos devem ser revisados. O infinitivo revisar não recebe outra marca de plural.

Na indeterminação, não se identifica o sujeito

Em Precisa-se de analistas, o termo de analistas não passa a sujeito paciente: a reescrita Analistas são precisados não preserva a construção de precisar de. O verbo fica na terceira pessoa do singular, e se é índice de indeterminação do sujeito.

Esse padrão aparece com verbo de complemento indireto — Trata-se de recursos; com verbo intransitivo, sem objeto — Vive-se bem aqui; e com verbo de ligação, que atribui uma característica ao sujeito — Era-se mais cauteloso naquele período. Na locução: Pode-se recorrer da decisão.

Sujeito indeterminado não é ausência de sujeito: alguém precisa ou vive, mas não se identifica quem. A oração impessoal com haver tem outra análise. E nem todo se é apassivador ou indeterminador: As servidoras se prepararam tem sujeito expresso e pode indicar ação sobre si mesmas. A interpretação vem antes da classificação.

7. Infinitivo: uma forma auxiliar ou uma oração com sujeito próprio?

O infinitivo pode indicar pessoa e número: para eu revisar, para nós revisarmos, para eles revisarem. Esse é o infinitivo pessoal; a primeira e a terceira pessoas do singular coincidem na forma com o não flexionado.

Compare três estruturas:

Os gestores devem revisar os controles.

Antes de os gestores revisarem os controles, houve reunião.

Os gestores saíram para revisar/revisarem os controles.

Na primeira, devem revisar forma uma locução: apenas o auxiliar recebe a flexão de pessoa e número. Devem revisarem não atende ao padrão formal.

Na segunda, o infinitivo tem sujeito próprio expresso, os gestores. A flexão é exigida nesse contexto. A redação formal mantém de os gestores: a preposição introduz a oração; o artigo pertence ao sujeito.

Na terceira, sair e revisar se referem aos mesmos gestores, mas para revisar expressa a finalidade de sair, sem integrar a mesma locução verbal. Ambas as formas são admitidas; a flexão realça os participantes.

Não aplique “sujeitos diferentes exigem sempre flexão” a qualquer sequência. Com verbos de percepção (ver, ouvir, sentir) ou que fazem alguém agir (mandar, fazer), há construções como Vi os candidatos sair/saírem, com as duas possibilidades. Quando o sujeito do infinitivo é representado por pronome como os, a construção normativa é Vi-os sair, não vi-os saírem.

8. Concordância nominal: caracterizar o nome ou atribuir-lhe um estado

Duas maneiras de caracterizar o nome

Em a planilha atualizada, o adjetivo integra o grupo do nome: é adjunto adnominal. Em a planilha está atualizada, a característica é atribuída por meio do verbo: é predicativo do sujeito. Nas duas, acompanha planilha, mas essa distinção importa quando há vários nomes.

Se o adjetivo é adjunto de vários substantivos e vem antes deles, normalmente acompanha o mais próximo: nova norma e procedimento; novo procedimento e norma. Diante de nomes próprios de pessoas ou de parentesco, a tradição recomenda plural quando caracteriza todos: os dedicados pai e filho.

Depois dos nomes, pode abranger o conjunto no plural ou concordar com o mais próximo, conforme o sentido: norma e procedimento adequados; norma e procedimento adequado; procedimento e norma adequada. Para abranger substantivos de gêneros diferentes, o plural é masculino. A proximidade pode deixar incerto o alcance: dois auditores e uma servidora experiente não afirma, por si só, que os auditores são experientes.

Já o predicativo depois de sujeito composto concorda com o conjunto: A ata e a minuta estavam prontas; A ata e o relatório estavam prontos. Com verbo e predicativo antes do sujeito, admite-se atração: Estava pronta a ata e o relatório. Não se transfere essa ordem para justificar A ata e o relatório estavam pronta.

A característica também pode ser atribuída ao objeto: A comissão considerou válidas as certidões. O termo as certidões completa considerou; válidas é predicativo do objeto, pois expressa a avaliação feita sobre elas. O adjetivo acompanha as certidões, não a comissão. Mesmo com preposição introduzindo a característica, há concordância: A comissão qualificou de inadequadas aquelas declarações.

Uma cadeia verbal contém relações diferentes

A ata e a certidão tinham sido consideradas válidas.

Tinham acompanha o sujeito composto. Sido, particípio ligado a ter, permanece invariável. Consideradas expressa a ação recebida pela ata e pela certidão e vai ao feminino plural. Válidas é a característica atribuída às duas e também fica no feminino plural.

Com relatório no lugar de ata, fica O relatório e a certidão tinham sido considerados válidos: gêneros diferentes exigem masculino plural. Tinham e sido não mudam.

Portanto, particípio não é sempre variável nem sempre invariável. Com ter/haver nos tempos compostos: As servidoras tinham revisado as contas. Na passiva: As contas foram revisadas. Corrigir apenas o auxiliar pode deixar erros no restante da cadeia.

9. A função da palavra explica sua flexão

Quantidade e característica variam; intensidade normalmente não

Em bastantes razões, a palavra quantifica um nome: muitas razões. Em razões bastante claras, ela intensifica a característica: muito claras. Esse segundo emprego é de advérbio, palavra que modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio e, em regra, não recebe concordância de gênero ou número.

Descubra o que a palavra modifica, não apenas o termo ao lado. Em muitos problemas, contam-se problemas; em problemas muito maiores, intensifica-se maiores. Já em muita mais gente, a quantidade continua ligada ao nome gente, mesmo com mais no meio.

PalavraLigada ao nome ou a seus participantesCom outro valor
meioMetade: meia hora, duas meias porçõesIntensidade: servidoras meio cansadas
bastanteQuantidade ou suficiência: bastantes razões, razões bastantesIntensidade: razões bastante claras
sóSozinho: os fiscais ficaram sósSomente: só os fiscais ficaram
mesmoO próprio: elas mesmas revisaramInclusão ou reforço: mesmo elas concordaram; elas concordaram mesmo
caro/baratoCaracterística: passagens caras, mercadorias baratasValor junto ao verbo: as passagens custam caro

A sós é uma expressão invariável: Elas ficaram a sós. Próprio, como reforço do participante, varia: as próprias autoras. Menos não varia: menos falhas, nunca menas.

Todo merece atenção particular. Como totalidade, acompanha o nome: todas as propostas. Mesmo em uso de reforço próximo de inteiramente, admite flexão: a parede estava toda pintada; uma graça toda sua. Essa flexão está registrada no Aulete, apesar do valor intensificador.

Palavras que mudam de classe e expressões de forma estável

Anexo, incluso e apenso caracterizam o nome e variam: Seguem anexas as planilhas; certidões inclusas; documentos apensos. Mas em anexo é uma expressão invariável: Seguem em anexo as planilhas. Nas duas, o verbo acompanha planilhas.

Quite significa livre de uma obrigação: ela está quite; eles estão quites. No agradecimento, obrigado acompanha quem agradece: uma mulher diz obrigada; um homem, obrigado; um grupo feminino, obrigadas; um grupo misto, obrigados.

Dado e visto, com valor de particípio, acompanham o nome: Dadas as circunstâncias; Vistos os autos. Salvo e exceto, equivalentes a com exceção de, são invariáveis: Todos vieram, salvo as servidoras dispensadas. Não confunda com o adjetivo de as pessoas salvas.

Alerta admite mais de um emprego: como advérbio, os fiscais permaneceram alerta; como adjetivo, servidores alertas aos riscos. Conforme também: as declarações estão conformes significa que estão de acordo; conforme as pessoas saíam, a sala esvaziava liga acontecimentos, com sentido próximo de à medida que, e não varia.

Qualquer tem plural quaisquer: quaisquer documentos; quaisquer que sejam as razões. Não basta pluralizar apenas o verbo.

Em compostos com leso, cujo sentido é lesado ou ofendido, a primeira parte acompanha o nome seguinte: lesa-pátria, leso-patriotismo. A flexão não é controlada por um nome anterior como crime. São expressões linguísticas, não definições de infrações.

10. Construções nominais que precisam ser lidas como conjunto

É necessário, é proibido e o grau de determinação

Em É necessário conferir os dados, o sujeito é oracional. Compare agora dois sujeitos nominais: É proibido entrada apresenta a entrada genericamente, sem determinante; É proibida a entrada traz um nome determinado e faz a concordância com ele.

O padrão se repete em É necessário paciência / É necessária esta paciência e Água é bom / A água é boa. Sem determinante, a construção genérica admite o masculino singular; com artigo ou pronome determinando o sujeito, o adjetivo acompanha o nome.

Para escrever sem ambiguidade no padrão formal, use uma construção cujo termo controlador seja claro: São necessárias as autorizações (sujeito nominal determinado) ou É preciso obter as autorizações (sujeito oracional). Assim, a flexão decorre da estrutura, não da proximidade.

Possível: qual é a construção intensificadora?

Em Foram adotadas as medidas mais rápidas possíveis, o adjetivo acompanha as medidas. Outra organização é Foram adotadas medidas o mais rápidas possível: a expressão o mais … possível tem artigo singular e conserva possível no singular; rápidas continua referindo-se às medidas.

Compare as mais … possíveis e o mais … possível, não apenas a proximidade de outro plural. O mesmo contraste ocorre com o menos/os menos e o melhor/os melhores, conforme a construção.

Cores e expressões que caracterizam nomes

Em pastas vermelhas e camisas azuis, a cor é expressa por adjetivos simples, que variam. Em pastas cinza, gravatas vinho e blusas laranja, nomes de substâncias ou objetos são usados para indicar cor e tradicionalmente ficam invariáveis, como se houvesse da cor de. Dicionários podem registrar uso adjetivo variável: não condene toda variação sem analisar a classe.

Com dois adjetivos de cor, normalmente varia o último: paredes verde-claras, ternos azul-escuros. Quando o segundo elemento é substantivo, conserva-se o composto: camisas verde-oliva. Compostos fixados pelo uso podem ter comportamento próprio.

Uma locução adjetiva é um conjunto de palavras que caracteriza um nome, como de seda em blusas de seda. Ela não copia o plural do nome externo: relatórios de auditoria, não de auditorias apenas porque há vários relatórios. O plural interno, quando usado, precisa ter sentido próprio — várias auditorias —, não resultar de concordância automática.

11. Reescrever exige acompanhar todas as relações

Retome a estrutura inicial, agora com uma característica adicional:

A relação dos processos foi considerada válida.

Os processos da relação foram considerados válidos.

A troca do núcleo altera artigo, verbo, particípio e predicativo e muda o que foi considerado válido: antes, a relação; depois, os processos. Correção gramatical e preservação do sentido são julgamentos separados.

Na análise de prova, estabeleça primeiro o sujeito de cada verbo e o nome referido por cada forma nominal. Só depois examine a construção especial: ausência de sujeito, passiva, quantidade, infinitivo ou variante documentada. A regra particular deve explicar a relação encontrada, não substituir sua identificação.

Regência aprofunda a escolha das preposições; classes de palavras e verbos, as formas disponíveis. Aqui, a pergunta é: qual termo determina esta flexão, nesta construção e neste sentido?

Recorte e fontes

O recorte corresponde ao item 5.5 de Língua Portuguesa do Cargo 1 — Agente de Perícia Criminal — Especialidade Generalista, Perícia Oficial/MA 2026. O programa é o consolidado até o Edital nº 3, de 1º de outubro de 2026. Fontes pertinentes conferidas em 04/10/2026 (UTC); essa é a data da consulta. Preferências institucionais foram diferenciadas de regras gerais; fontes e alcance das consultas estão em Referências.

Referências

Referências — Concordância verbal e nominal

Programa e recorte

PERÍCIA OFICIAL DO MARANHÃO; CEBRASPE. Edital nº 1, de 17 de julho de 2026, consolidado até o Edital nº 3, de 1º de outubro de 2026. Cargo 1 — Agente de Perícia Criminal — Especialidade Generalista; seção 21.2.2, Língua Portuguesa, item 5.5. Consolidado oficial; listagem oficial. O programa mantém a edição 2026, com prova prevista em 2027.

Consulta das fontes pertinentes e nova conferência da listagem em 04/10/2026 (UTC). A listagem recebida mantém dez entradas/cinco pares, sem nova alteração do programa consultado. Releitura dos itens de Português no consolidado; não nova leitura das 89 páginas nem certificação de eventos futuros.

Fundamentação consultada

Aulete e respostas do Ciberdúvidas foram confrontados com o padrão editorial do Senado para coletivos, partitivas, porcentagens, milhão, nem um nem outro e infinitivo. O item 1.4 do manual do STJ documenta o infinitivo não flexionado com pronome oblíquo e a variante com sujeito nominal, sem atribuir essa distinção específica apenas ao Senado. A existência de variante não autoriza transplantá-la para outra estrutura. Os verbetes haja vista/anexo/mesmo/caro/lesa-pátria sustentam os empregos concretos, não uma leitura integral do manual.

Questões anteriores selecionadas

Foram confrontados os enunciados e as cinco alternativas desses itens com os cadernos, e as chaves com as seções do cargo/tipo/prova nos definitivos. Não se declara leitura integral de cada caderno ou certificação dos demais itens atribuídos a provas no doador. Três questões anteriores preservam comando e alternativas originais, com explicações ampliadas. Na q3550, o comando foi adaptado para mencionar aspas: os sublinhados do caderno oficial passam a aspas no texto simples, sem mudar as proposições, a identificação da prova, a alternativa correta ou o conteúdo verbal. É uma adaptação tipográfica declarada, não transcrição literal integral do enunciado. A proveniência não converte uma alternativa errada do original em regra: o comentário explica os contrastes necessários.

Proveniência, seleção e intervenção local

Pacote PER-U012, derivado do canônico O012, src/content/biblioteca/lingua-portuguesa/concordancia-verbal-nominal/. Reaproveitamento parcial local: quatro arquivos físicos no destino exclusivo Perícia/MA Generalista; doador e seus dois vínculos TCE, Analista/Administração e Técnico/Administrativa, preservados. C/H/Q/R e todos os itens do banco original foram revistos antes da seleção; não há resoluções separadas na origem consultada.

O núcleo pedagógico da aula foi preservado; a referência à UFLA, sem obra verificável indicada, foi retirada e substituída por contraste sintático autônomo. O resumo permaneceu inalterado. Resumo evita apagar mecanicamente termos preposicionados, limita ou exclusivo, explicita antecedente de quem, milhão com especificador e percepção com pronome átono. O novo autoral aplica vi-os sair. q3491 pede concordância com total; q3513 especifica o padrão do Senado para haja vista. Não se apresenta preferência institucional como proibição universal.

Banco local: 71 questões, 67 autorais e 4 anteriores; questionSetRevision: 6 após a inspeção F02. Novos IDs: per-u012-q001. IDs herdados com revision aumentada: q3402, q3403, q3404, q3405, q3418, q3422, q3430, q3431, q3438, q3440, q3441, q3446, q3447, q3448, q3449, q3451, q3452, q3453, q3454, q3491, q3513. IDs e origin permanecem estáveis. Na auditoria F02 de 12/10/2026, 18 autorais tiveram somente duas posições de alternativas permutadas, preservados os cinco textos e a explicação, com ajuste da chave e incremento unitário de revision; a questão autoral per-u012-q001 teve atribuição de fonte precisada no enunciado/explicação, com incremento unitário de revision; a anterior q3550 recebeu adaptação tipográfica do comando e das marcas gráficas, com revision: 1 → 2 e gabarito d preservado. A distribuição final dos 67 gabaritos autorais é A14/B14/C13/D13/E13, sem sequência cíclica de três itens; a revisão do conjunto passou de 5 a 6. Os enunciados/opções alterados têm revisões elevadas segundo o contrato vigente; a seleção original também elevou a revisão do conjunto. Ajustes isolados de explicação não mudam identidade/revisão. Autorais não recebem atribuição primária individual por referência genérica a cobrança de banca; as explicações usam a fundamentação deste pacote. Os itens não selecionados permanecem na origem, sem condenação global de suas atribuições.

As fontes acima sustentam somente os capítulos, verbetes, respostas e questões explicitamente confrontados. Preferências de estilo têm o alcance do manual indicado. Exemplos autorais são hipotéticos; vocabulário pericial contextualiza a gramática e não enuncia procedimento técnico ou conclusão jurídica.

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