4. Emprego de tempos e modos verbais

Valores temporais, aspectuais e modais dos verbos, correlação verbal, locuções e reescritas cobradas em concursos.

Ler sem distrações

Emprego de tempos e modos verbais

“A comissão analisou o recurso” e “A comissão analisava o recurso” falam do passado. Por que não dizem a mesma coisa? A primeira apresenta a análise como uma ocorrência delimitada; a segunda nos coloca dentro de seu desenvolvimento ou de um hábito. Trocar o verbo pode manter a gramática e mudar a informação.

Os exemplos deste capítulo são hipotéticos. Acompanhe três perguntas: quando a situação é localizada, como seu desenvolvimento é apresentado e como o falante a considera — fato, possibilidade, desejo ou ordem.

1. Forma verbal, tempo e ponto de referência

Em “A comissão se reúne amanhã”, reúne está no presente, mas a reunião é futura. O tempo verbal classifica a forma; a referência temporal resulta da forma e do contexto, incluindo palavras como amanhã e já.

Nem todo verbo se orienta diretamente pelo momento em que alguém fala:

Quando a comissão chegou, o servidor já encerrara a conferência.

O encerramento precedeu a chegada; ambos precedem o relato. A chegada é o ponto de referência para encerrara: passado anterior a outro passado, não simplesmente “muito antigo”.

Já em “O servidor disse que voltaria”, o retorno é posterior ao ato de dizer. Pode ter ocorrido antes de quem narra contar a história. Futuro em relação a um passado não significa necessariamente futuro em relação a agora.

2. Como o passado organiza uma narrativa

Perfeito e imperfeito: ocorrência delimitada ou visão interna

Compare:

Ontem, a comissão analisou o recurso durante duas horas.
A comissão analisava o recurso quando o sistema falhou.

Analisou está no pretérito perfeito do indicativo. “Pretérito” significa passado; o indicativo apresenta o conteúdo como afirmado ou assumido. O perfeito mostra a ocorrência como um todo delimitado, ainda que dure horas: não significa “instantâneo”. Tampouco analisou garante que todas as questões do recurso foram resolvidas.

Analisava, pretérito imperfeito do indicativo, mostra a situação por dentro, sem focalizar seu término. Não informa se a análise foi concluída depois: imperfeito não significa “ação que nunca terminou”.

Essa maneira de apresentar o desenvolvimento é o aspecto verbal: visão global e delimitada, chamada perfectiva, ou visão interna, chamada imperfectiva. Tempo localiza; aspecto mostra como se olha para a situação. O contexto acrescenta diferenças importantes:

ConstruçãoO que o imperfeito destaca
A equipe analisava o recurso quando houve a falha.Processo em curso naquele ponto do passado
A equipe analisava recursos toda sexta-feira.Hábito, isto é, repetição regular
A sala era pequena e estava silenciosa.Descrição do cenário
Enquanto a equipe trabalhava, o servidor conferia os dados.Simultaneidade entre situações

Na sequência “O servidor abriu, leu e encaminhou o processo”, os perfeitos fazem a narrativa avançar. Os imperfeitos costumam construir o cenário em que esses acontecimentos se desenrolam.

Mais-que-perfeito: recuar dentro do passado

Na cena da chegada da comissão, encerrara é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo. Tinha encerrado e havia encerrado são formas compostas que preservam aquela anterioridade. A forma simples é mais característica da escrita formal ou literária: equivalência temporal não elimina diferença de estilo.

Imperfeito sem passado efetivo

“Eu queria uma informação” pode ser um pedido atual. O imperfeito suaviza a abordagem: é o imperfeito de cortesia ou polidez, sem necessariamente indicar um desejo que acabou.

Em “Se me liberassem, eu viajava ainda hoje”, o imperfeito substitui viajaria na consequência de uma hipótese. Esse uso coloquial não deve ser confundido com hábito passado; para uma reescrita formal neutra, prefira “Se me liberassem, eu viajaria”.

3. Presente e futuros: o nome não esgota o sentido

Presente do indicativo

“A comissão trabalha agora” destaca o momento atual; “A comissão trabalha às sextas”, o hábito. Já “A pressa prejudica a análise” apresenta uma generalização, não um acontecimento isolado: é o presente atemporal ou gnômico.

Em “Naquela manhã, o servidor abre o sistema e encontra a falha”, o presente histórico aproxima a cena passada do leitor. Abriu e encontrou podem conservar a cronologia, mas perdem esse efeito de atualização.

O presente também apresenta o futuro como programado (se reúne amanhã) ou orienta ações (primeiro você abre; depois seleciona). Nesse último caso, a instrução não transforma a forma em imperativo.

Futuro do presente

“O resultado sairá amanhã” situa a divulgação depois da fala. Mas o futuro também pode indicar uma avaliação:

O servidor terá cerca de quarenta anos.
Você entregará o relatório até amanhã.
Ele será competente, mas não demonstrou isso nesta análise.

Na primeira frase, terá exprime uma estimativa: aproximadamente “deve ter”. Na segunda, conforme a situação, entregará pode ser previsão ou ordem. Na terceira, admite-se uma qualidade para contrapô-la a uma ressalva: é um valor concessivo, de “admitamos que seja”.

Assim, o futuro pode exprimir posterioridade, previsão, inferência — conclusão a partir de indícios — ou ordem, também chamada injunção. Não garante certeza absoluta.

Futuro do pretérito

A partir de um ponto passado, “Disse que voltaria” projeta o retorno para depois. Fora dessa relação temporal, o mesmo tempo serve à hipótese (“Com mais tempo, concluiria a análise”), à cortesia (“Poderia enviar o arquivo?”) ou à informação não confirmada (“Segundo a notícia, o contrato teria sido alterado”).

A atribuição à notícia distancia o falante da confirmação do fato: é um valor evidencial, relacionado à fonte da informação. Nem toda forma em -ria, porém, exprime dúvida.

Na nomenclatura escolar brasileira, o nome é futuro do pretérito do indicativo. Condicional pode designar um valor ou a denominação usada em outra tradição gramatical; não é um quarto modo nessa nomenclatura.

4. Modos: afirmar, subordinar uma possibilidade, dirigir uma ação

O modo verbal é uma categoria das formas do verbo: indicativo, subjuntivo ou imperativo. A modalidade é a atitude diante do conteúdo, como certeza, possibilidade, desejo ou obrigação. Pode aparecer em diferentes modos, em poder, dever ou talvez.

Indicativo e subjuntivo no contexto

Compare “Sei que a comissão publicou o resultado” e “Espero que a comissão publique o resultado”. O indicativo apresenta a publicação como fato conhecido; o subjuntivo a enquadra como objeto de expectativa. Esse modo também ocorre na dependência de desejo, avaliação, condição ou outras relações.

Indicativo não certifica a verdade; subjuntivo não significa necessariamente falsidade ou dúvida. Em “Embora o servidor esteja presente, não participa da reunião”, sua presença pode ser um fato aceito. O subjuntivo acompanha a concessão: a presença não produz a consequência esperada.

Uma oração organiza-se em torno de verbo ou locução verbal. Em “Espero / que a comissão publique”, a segunda oração completa a primeira: é subordinada a ela. O modo depende da relação e do sentido, não da simples presença de que.

Relação já identificadaConstrução típica
Conhecimento ou constataçãoSei que há falhas; o relatório mostra que existem falhas.
Desejo, expectativa ou necessidadeDesejo que venha; espero que publique; é necessário que decida.
Dúvida ou negação de crençaDuvido de que venha; não acredito que existam falhas.
Pedido ou prevençãoSolicito que relatem; evito que o erro se repita.
Finalidade: resultado que se pretende alcançarOrganize os dados para que a comissão compreenda.
Concessão: ressalva que não impede a conclusãoEmbora pareça simples, exige atenção; ainda que discorde, respeite.
CondiçãoCaso haja erro, avise; aceitarei, contanto que esteja completo.

As tendências não autorizam trocar formas mecanicamente. Desde que, por exemplo, pode introduzir condição (“Aceito, desde que você concorde”) ou marcar o início de um período (“Trabalho aqui desde que terminei o curso”). A relação muda e o modo pode mudar com ela.

O que se procura já é conhecido ou é apenas desejado?

Procuro o servidor que conhece o sistema.
Procuro um servidor que conheça o sistema.

A parte iniciada por que caracteriza servidor: é uma oração relativa. A primeira apresenta alguém identificável com aquele conhecimento; a segunda estabelece uma propriedade desejada, sem assegurar que a pessoa esteja identificada.

Não é uma regra automática de artigo definido ou indefinido. “Conheço um servidor que domina o sistema” usa um e indicativo porque afirma uma propriedade de alguém cuja existência é assumida.

5. Antes das locuções: o papel de cada verbo

Em “A equipe estava analisando”, o verbo principal analisando fornece a atividade; o auxiliar estava a situa no passado e a apresenta em curso. Juntos, formam uma locução verbal: um ou mais auxiliares acompanham o principal.

O principal aparece em uma forma nominal: infinitivo, que nomeia o processo (analisar, ser); gerúndio, em -ndo (analisando, sendo); ou particípio (analisado, sido, feito). Essas formas não trazem toda a marcação temporal e modal de analisávamos: dependem do auxiliar e do contexto.

Tempos compostos: ter ou haver + particípio

Tinha analisado é um tempo composto; analisara, uma forma simples. Mas nem todo composto equivale ao simples:

A equipe revisou os critérios ontem.
A equipe tem revisado os critérios nas últimas semanas.

Tem revisado é pretérito perfeito composto do indicativo, embora tem esteja no presente. No português brasileiro, normalmente exprime repetição ou duração em um intervalo que alcança o presente. Não equivale automaticamente a revisou, nem exige atividade ininterrupta.

Nas demais construções, a relação com um ponto de referência ajuda a entender o composto:

FormaRelação ou leitura típica
Tinha/havia analisado quando a comissão chegou.Mais-que-perfeito do indicativo: anterioridade a um passado
Até amanhã, terá analisado os dados.Futuro do presente composto: conclusão anterior a uma referência futura
Não responde; terá esquecido a senha.O mesmo futuro composto, agora como inferência sobre o passado
Com mais tempo, teria analisado os dados.Futuro do pretérito composto: resultado hipotético
Espero que tenha analisado os dados.Pretérito perfeito composto do subjuntivo: situação anterior considerada na expectativa atual
Se tivesse analisado os dados, teria notado o erro.Mais-que-perfeito do subjuntivo: condição anterior não realizada, nessa leitura
Quando tiver analisado os dados, responda.Futuro composto do subjuntivo: conclusão eventual anterior à resposta

Nos tempos compostos, haver pode substituir ter, mas sua frequência varia; no perfeito composto do indicativo, o uso de haver é raro. Não estenda a equivalência automaticamente a qualquer locução com esses verbos.

6. Tempos simples do subjuntivo e reconhecimento das formas

O presente do subjuntivo pode referir-se a agora (espero que esteja em casa) ou a depois (espero que venha amanhã). O pretérito imperfeito do subjuntivo acompanha uma referência passada (era necessário que viesse) ou uma hipótese presente ou futura (se viesse amanhã, conversaríamos).

O futuro do subjuntivo aparece em situações futuras eventuais: “Quando ele vier, conversaremos”; “Se houver dúvida, consulte”; “Quem apresentar recurso receberá resposta”. Há, respectivamente, localização temporal, condição e identificação de quem vier a praticar a ação.

Entretanto, nem toda referência futura exige futuro do subjuntivo: “Espero que venha amanhã” e “Caso venha amanhã, avise” empregam o presente. São inadequadas, nessas construções, as trocas isoladas por vier.

Também diferencie “Quando ele vier, avise” de “Quando ele virá?”. A primeira contém uma oração temporal; a segunda pergunta em que momento ele virá. Na pergunta indireta “Não sei quando ele virá”, o indicativo também é possível.

Futuro do subjuntivo não é infinitivo

Em verbos regulares, as formas podem coincidir: quando analisar e para analisar. Nos irregulares, a diferença fica visível: quando fizer, mas para fazer; se vir o erro, mas para ver o erro.

Para obter a forma de eu/ele do futuro do subjuntivo, retire -am do perfeito de eles: fizeram → fizer. Acrescente as terminações de pessoa: fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem.

InfinitivoPerfeito do indicativo: elesFuturo do subjuntivo: se eu/ele
ter / manter / obtertiveram / mantiveram / obtiveramtiver / mantiver / obtiver
fazer / satisfazerfizeram / satisfizeramfizer / satisfizer
dizer / trazerdisseram / trouxeramdisser / trouxer
pôr / proporpuseram / propuserampuser / propuser
vir / intervirvieram / intervieramvier / intervier
ver / preverviram / previramvir / previr
reaver / caberreouveram / couberamreouver / couber
requererrequereramrequerer

Ver → vir; vir → vier. Requerer não segue querer nessa formação: é se requerer, não se requiser. O reconhecimento pelo contexto continua necessário mesmo quando infinitivo e futuro têm a mesma grafia.

7. Correlação verbal: combinar perspectivas, não decorar pares

A correlação verbal é a articulação entre tempos e modos para construir uma relação coerente. Nas condicionais, separe a condição, chamada prótase, da consequência, chamada apódose.

“Se a equipe revisar, encontrará o erro” deixa aberta uma condição futura. “Se a equipe revisasse, encontraria o erro” apresenta a situação com maior distância hipotética; não prova, por si só, que revisar seja impossível. Já “Se a equipe tivesse revisado, teria encontrado o erro” pode reconstruir um passado não realizado. Nessa leitura, a condição é contrafactual: contrária ao que se assume ter acontecido.

RelaçãoExemplo e efeito
RegularidadeSe revisa, encontra erros: relação habitual ou geral.
Condição futura abertaSe revisar, encontrará o erro: eventual realização futura.
Orientação condicionadaSe encontrar erro, avise: a consequência é uma instrução.
Hipótese mais distanteSe revisasse, encontraria o erro: realização considerada hipoteticamente.
Passado não realizadoSe tivesse revisado, teria encontrado o erro.
Passado com consequência atualSe tivesse revisado, estaria tranquilo hoje.

A correlação mista é coerente: uma condição passada pode ter consequência atual. Também vale “Se você vier amanhã, conversamos”: o presente assume valor futuro. Os pares não são exclusivos.

Por que “se teria” pode estar correto?

“Não sei se teria condições de participar” contém uma pergunta incorporada a outra frase: “Teria condições?”. É uma interrogativa indireta, não uma condição.

Para formular a condição no padrão formal, use “Se tivesse condições, participaria”, não “Se teria condições, participaria”. O julgamento depende da função de se, e não da mera sequência de palavras.

8. Imperativo: intenção de orientar e pessoa a quem se fala

O imperativo dirige uma ação ao interlocutor: ordena, pede, aconselha, convida, adverte ou proíbe. “Leia com atenção” orienta diretamente; “Espero que você leia” contém subjuntivo, embora também expresse uma expectativa sobre a conduta do leitor.

Na norma-padrão, o imperativo negativo usa as formas do presente do subjuntivo. No afirmativo, tu e vós geralmente correspondem ao presente do indicativo sem o s: falas → fala; falais → falai. As demais pessoas usam formas correspondentes ao presente do subjuntivo. A exceção importante é ser: sê tu, sede vós.

PessoaAfirmativoNegativo
tufalanão fales
vocêfalenão fale
nósfalemosnão falemos
vósfalainão faleis
vocêsfalemnão falem

Não há imperativo para eu. Você designa o interlocutor, mas recebe flexão de terceira pessoa. A variação da fala brasileira não elimina essa distinção no padrão formal.

Intenção de ordem não equivale sempre a modo imperativo. “Não falarás durante a reunião” pode ser uma proibição no futuro do indicativo. Inversamente, “Você participa?” dirige-se ao interlocutor sem constituir imperativo. Até formas idênticas exigem contexto: eu ouvi é passado; ouvi, vós pode ser uma ordem.

9. Outras locuções: desenvolvimento, possibilidade e estado

Mudar o auxiliar muda a perspectiva. “A equipe estava analisando” põe a análise em curso num ponto passado; “esteve analisando durante a manhã” delimita o intervalo desse processo. O valor progressivo é a apresentação em curso, não uma garantia de que a ação nunca acabará.

“Passou a analisar” destaca o início; “continua analisando”, a manutenção; “deixou de analisar”, conforme o contexto, a interrupção ou a não realização. Entendido esse percurso, os nomes técnicos resumem as diferenças:

ConstruçãoValor contextual
passou a analisarIncoativo
continua analisando / seguiu analisandoContinuativo
deixou de analisarTerminativo, ou não ocorrência: deixou de analisar aquele recurso
voltou a analisarRetomada de uma atividade
vem analisandoDesenvolvimento ou repetição até o presente
anda analisando vários casosDuração ou repetição distribuída; esta última é um valor iterativo
acabou de analisarPassado recente em relação ao ponto considerado
vai analisarFuturo, frequentemente planejado; não precisa ser próximo
há de analisarFuturo, expectativa ou compromisso, conforme o contexto

Poder e dever acrescentam avaliações. “Pela regra interna, deve comparecer” indica obrigação; “A luz está acesa; deve estar lá” indica probabilidade. “Pode acessar, pois recebeu autorização” exprime permissão; “Com treinamento, pode operar o sistema”, capacidade; “A falha pode voltar”, possibilidade. A interpretação vem da situação descrita, não de uma tradução fixa do auxiliar.

Aprovação como acontecimento ou como estado

Compare “A comissão aprovou o relatório” com “O relatório foi aprovado pela comissão”. A segunda é voz passiva: o sujeito, o relatório, recebe a ação. Ela apresenta o acontecimento da aprovação. “O relatório está aprovado” destaca o estado decorrente, um valor resultativo.

Não trate toda sequência estar + particípio como tempo composto ou como equivalente a uma passiva que narra um acontecimento. Já “O relatório tem sido aprovado sem ressalvas nas revisões mensais” combina tempo composto e voz passiva: tem + sido, mais o particípio aprovado, com repetição até o presente nesse contexto.

O aprofundamento de formas nominais, vozes e flexão pertence a Verbo como classe de palavras.

10. Relatar uma fala muda o ponto de referência

No discurso direto, aparecem as palavras do falante: “Voltarei amanhã”. No indireto, relata-se o conteúdo: “Disse que voltaria no dia seguinte”. O retorno continua posterior à promessa; amanhã é reinterpretado a partir do dia dela.

Eu, aqui e amanhã dependem de quem fala, onde e quando: essa dependência é a dêixis. Ajuste pessoa, tempo e lugar quando a nova situação exigir.

Fala diretaRelato orientado pelo passado
Estou analisando.Disse que estava analisando.
Concluí o trabalho.Disse que havia concluído ou concluíra o trabalho.
Voltarei amanhã.Disse que voltaria no dia seguinte.
Venha agora.Ordenou que viesse naquele momento.

A tabela mostra deslocamentos usuais, não uma regra de troca automática. “Disse ontem que voltará amanhã” é possível se a volta ainda for futura para quem relata. A permanência de uma informação como válida também pode justificar a manutenção do presente.

11. Reescrever: correção não basta para preservar sentido

Considere “A equipe sabia que novas falhas iam ocorrer”. O conhecimento está no passado; as falhas são projetadas para depois daquele ponto. Trocar por ocorreriam preserva essa relação. Trocar por ocorriam pode produzir uma frase gramatical, mas passa a mostrar falhas habituais ou simultâneas àquele conhecimento.

O mesmo cuidado vale para as locuções: “O programa tem sido incentivado” e “O programa vem sendo incentivado” podem preservar uma ideia de continuidade até o presente. Isso não cria equivalência universal entre ter e vir, nem autoriza trocar por foi incentivado sem mudar a apresentação do processo.

Em cada troca, pergunte: a construção continua correta? A ordem dos acontecimentos permanece? O desenvolvimento e a atitude do falante são os mesmos? Confira pessoa, auxiliares e palavras que ligam as orações. Preservar a gramática não basta para conservar o sentido exigido pelo enunciado.

Referências

Referências

Programa e formato da prova

  • Cebraspe. Perícia Oficial de Natureza Criminal do Maranhão, Edital nº 1, consolidado conforme retificações até o Edital nº 3, Cargo 1 — Agente de Perícia Criminal, Especialidade Generalista. Documento S05, programa em 21.2.2 e regras da objetiva. Listagem oficial. Consulta em 03/10/2026; programa e formato não alterados na listagem: objetiva com cinco alternativas e resposta única. A consulta não antecipa atos futuros nem modifica os cortes do edital.

Base gramatical

As fontes foram comparadas nos pontos materiais do recorte, sem declaração de leitura de todas as obras. Preferências escolares e orientações de redação não são convertidas em proibições universais: contexto, sujeito e construção continuam necessários. O capítulo conserva explicações próprias, exemplos hipotéticos e distinções entre classe, forma, função e sentido.

Questões anteriores selecionadas

ID local preservadoProva e identificaçãoGabarito definitivo
q277Caderno oficial: Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Técnico Judiciário Auxiliar, 2024, tipo 1, questão 16A

Banca: Fundação Getulio Vargas. Enunciados, alternativas e soluções dos itens selecionados foram confrontados com os cadernos e gabaritos definitivos; espaços e quebras de linha podem diferir. Não são questões da Perícia/MA. As explicações são editoriais; não certificam toda a coleção de origem. Questões autorais não recebem banca ou ano de prova fictícios.

No banco autoral, q191 distingue perspectiva perfectiva de realização integral de um objetivo; q222 passa a pedir expressamente o imperativo negativo, evitando concorrer com a proibição pelo futuro do indicativo; q223 especifica condição futura aberta. As revisões desses três itens foram aumentadas.

Bibliografia complementar e limites de consulta

  • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024. ISBN 9786556408866. Ficha da Editora Nova Fronteira. Obra complementar de referência: ficha editorial consultada em 10 out. 2026, sem leitura integral certificada.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Lexikon. ISBN 9786588871638. Ficha da Editora Lexikon. Obra complementar: dados da ficha consultados em 10 out. 2026, sem leitura integral certificada.
  • CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010. ISBN 9788572444620. Ficha da Editora Contexto. Referência descritiva nomeada nas explicações autorais; metadados editoriais conferidos em 10 out. 2026, sem alegação de consulta integral.
  • NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011. ISBN 9788539300808. Ficha da Editora Unesp. Referência descritiva nomeada nas explicações autorais; metadados editoriais conferidos em 10 out. 2026, sem alegação de consulta integral.
  • Ministério da Educação e Cultura. Nomenclatura Gramatical Brasileira, Portaria nº 36, de 28/01/1959. Reprodução hospedada pela Universidade Federal do Paraná. Referência terminológica complementar; o servidor não disponibilizou o PDF na consulta de 03/10/2026. A nomenclatura, isoladamente, não fundamenta todas as regras de emprego.
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