9. Malware, programas de proteção, phishing e pharming

Noções de vírus, worms e outras pragas virtuais, programas de proteção e ameaças digitais baseadas em fraude e redirecionamento.

Malware, programas de proteção, phishing e pharming

Mapa do incidente

Fraqueza → entrada → exploração → execução → efeito → controle → resposta. Classifique cada etapa: vulnerabilidade é a fraqueza; vetor é o caminho; exploit a aproveita; malware é o código malicioso; payload é a ação que ele executa. Um ataque zero-day explora fraqueza até então desconhecida ou sem correção disponível naquele contexto; não é família de malware. Uma mensagem falsa pode induzir a instalar programa disfarçado que registra teclas: phishing descreve a indução, trojan o disfarce e keylogger a função. São classificações compatíveis.

Família pelo comportamento predominante

MecanismoReconheçaNão infira
vírusinfecta hospedeiro (arquivo, documento ou inicialização) e depende de sua ativação para disseminarque todo código malicioso é vírus
wormcódigo autônomo que propaga cópias, com frequência por redeque precise anexar-se a arquivo
trojan (cavalo de Troia)disfarça-se de programa legítimo/desejado para ser executadoque se autorreplica
spywaremonitora e coleta informações; keylogger capta teclas, screenlogger telas/cliques, infostealer credenciais e outros dadosque espionar exige apenas registro de teclas
ransomwarebloqueia acesso (locker) ou cifra dados (crypto) para extorquir; pode somar ameaça de divulgaçãoque pagamento garanta recuperação
backdoor / rootkitacesso oculto de retorno / técnicas para ocultar presença e alteraçõesque sejam sinônimos de worm ou trojan
bot / botnetdispositivo controlado / conjunto de dispositivos coordenadosque botnet descreve método de infecção
wiper / scareware / hoaxdestruição / falso alerta que induz ação / boato sem código obrigatórioque toda indisponibilidade envolve extorsão

Vírus clássicos: arquivo infecta programa; boot afeta inicialização; macro explora automação do documento; multipartite atinge alvos diferentes. Polimórfico muda representação, metamórfico reescreve código e stealth oculta sinais; nenhum torna o vírus indetectável. Documento com macro pode ser vetor de outro malware. Dropper libera/instala carga e downloader busca componentes; suas funções não determinam o efeito final. Adware exibe anúncios e pode rastrear; stalkerware vigia invasivamente; RAT oferece controle remoto malicioso; fileless pode abusar de memória, scripts e ferramentas legítimas, sem significar ausência literal de rastros.

Controle conforme o risco

ControleAjuda aLimite
antimalware (antivírus moderno)detectar códigos por assinaturas, heurística (indícios), comportamento ou reputação; anti-spyware foca programas espiõesassinatura precisa de atualização; falso positivo marca item legítimo, falso negativo deixa ameaça passar
quarentenaisolar objeto para impedir uso normal e avaliarnão é exclusão nem prova absoluta de infecção
firewall de host / de redefiltrar tráfego do equipamento / entre segmentosnão remove malware instalado nem garante que tráfego permitido é benigno
filtro sem estado / com estadodecide pelo pacote isolado / acompanha conexão e reconhece retornoretorno permitido não libera qualquer conexão nova
correção de programas / backupreduzir exposição a falhas conhecidas / restaurar dadosbackup não impede infecção e precisa de ponto confiável

Sandbox é ambiente restrito para observar execução; quarentena apenas isola o objeto detectado. Análise estática examina sem executar, dinâmica observa durante execução. Nenhum mecanismo único garante proteção perfeita.

Fraude e desvio de destino

Phishing usa comunicação enganosa para obter senha, ação, pagamento ou instalação; pode ocorrer sem malware. Spear phishing é direcionado a alvo pesquisado; whaling mira dirigente; smishing usa SMS/mensageria; vishing, voz; quishing, QR falso. Mensagem bem escrita ou conta real comprometida também pode fraudar; confirme pedidos sensíveis por canal independente.

Pharming é uma modalidade de phishing pelo mecanismo de redirecionamento: alteração de DNS (resolução de nomes), arquivo hosts, roteador ou equipamento pode levar a página falsa mesmo após digitar o endereço esperado. Portanto, a distinção útil é indução por mensagem ou link versus desvio técnico da navegação; as categorias não são excludentes.

Em endereço web, leia o host inteiro e identifique quem controla o domínio, não apenas palavras familiares à esquerda nem o texto aparente do link. HTTPS protege o canal até o destino acessado; site fraudulento também pode ter cadeado. Prefira endereço conhecido e confira pagamentos ou credenciais por outro canal.

SPF verifica autorização do remetente no envelope; DKIM assina partes da mensagem com domínio; DMARC exige alinhamento com o domínio visível, política (none, quarantine, reject) e relatórios. Passar nos três não prova que um pedido de pagamento seja legítimo: conta real comprometida pode enviar BEC. Confirme por canal independente. MFA inesperado pode ser fadiga de aprovações; consent phishing explora permissões concedidas a aplicativo malicioso, mesmo com login autêntico.

Primeira resposta e recuperação

Registrar → comunicar pelo canal institucional → conter → preservar evidências → analisar → erradicar → recuperar de fonte confiável → monitorar. Isolar equipamento da rede reduz contato e propagação, mas não remove o código nem repara alterações. Não execute amostra suspeita para “testar” nem apague registros por conta própria. Recupere um ponto anterior ao comprometimento e confira o funcionamento em ambiente validado.