Marco Civil da Internet: princípios, direitos e deveres
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Ator (usuário, conexão, aplicação, autoridade) → objeto (cadastro, registro, comunicação, publicação) → ação (guardar, preservar, fornecer, remover) → corte temporal. O Marco Civil regula o uso da internet e a atuação pública; não define toda rede social nem é uma lei geral de crimes digitais.
| Plano | Marco para esta prova |
|---|---|
| Legislação | Alterações em vigor até a publicação do edital original, informada em 7/7/2026; objeto expressamente previsto pode abranger norma ainda não vigente (item 13.33). |
| Jurisprudência superior | Entendimento publicado até 30 dias antes da prova, observando eventual calendário retificado; julgamento e publicação não são a mesma data. |
| Atualização posterior | Decretos nº 12.975 e 12.976, publicados em 21/5/2026 e vigentes desde 20/7/2026, não entram automaticamente no corte legislativo acima. Não transpor seus novos prazos e deveres para a regra cobrável em julho. |
Fundamento, princípios, objetivos e direitos
Art. 2º: liberdade de expressão como fundamento, com direitos humanos, pluralidade, abertura, livre iniciativa/concorrência e finalidade social. Art. 3º: princípios da privacidade, proteção de dados, neutralidade, segurança/estabilidade, responsabilização conforme atividade, participação e modelos de negócio compatíveis. Art. 4º: promover acesso, informação, participação, inovação e padrões abertos para comunicação, acessibilidade e interoperabilidade. Fundamento explica o ponto de partida; princípio orienta a conduta; objetivo indica resultado.
Art. 7º: acesso essencial à cidadania não significa plano ilimitado gratuito. Recuperar intimidade; sigilo do fluxo e das comunicações privadas armazenadas (ordem judicial na forma da lei); conexão não suspensa salvo débito direto de uso; qualidade contratada; contrato/política claros; dados a terceiros apenas com consentimento livre, expresso e informado ou previsão legal; consentimento destacado quando exigido; exclusão dos dados fornecidos à aplicação ao fim da relação, ressalvada guarda legal; acessibilidade e defesa do consumidor. A LGPD disciplina o tratamento além da internet; o CDC incide nas relações de consumo.
Neutralidade é regra do transporte
Art. 9º: tratar pacotes de modo isonômico, independentemente de conteúdo, origem/destino, serviço, terminal ou aplicação. Discriminação ou degradação só por requisito técnico indispensável à prestação adequada ou priorização de serviço de emergência, com proporcionalidade, transparência, isonomia, informação prévia e sem conduta anticoncorrencial. A transmissão na priorização de emergência é gratuita.
| Situação | Decisão |
|---|---|
| Rota alternativa em congestionamento excepcional ou ataque à rede | Pode ser requisito técnico; justificar e informar. |
| Aplicação própria acelerada por acordo comercial | Acordo não é exceção técnica; favorecimento é vedado. |
| Inspecionar conteúdo de pacotes indiscriminadamente | Gestão técnica não autoriza bloquear, monitorar, filtrar ou analisar conteúdo fora das hipóteses legais. |
Registros: objeto, guardião, prazo
| Dado | Quem guarda e por quanto tempo |
|---|---|
| Conexão: início, término, duração e endereço IP do terminal | Administrador do sistema autônomo na provisão de conexão: 1 ano, em sigilo e segurança; responsabilidade pela guarda não se transfere. |
| Acesso à aplicação: data/hora de uso da aplicação a partir de endereço IP | Provedor de aplicações pessoa jurídica que atua de forma organizada, profissional e com fins econômicos: 6 meses, sob sigilo e segurança. Outros provedores podem ter guarda determinada judicialmente por fatos específicos e tempo certo. |
| Acessos a aplicações na provisão de conexão | Guarda vedada ao provedor de conexão. |
| Conteúdo de mensagem/publicação | Não confundir com registro técnico; a guarda de registro não autoriza leitura do conteúdo. |
Guardar → preservar → entregar são atos distintos. Polícia, autoridade administrativa ou Ministério Público podem requerer preservação cautelar de registros, sem obter acesso. Para extensão da guarda de conexão, a autoridade tem 60 dias do requerimento para pedir autorização judicial; na aplicação, a cautela segue a remissão legal. Fornecer registro de conexão ou de acesso a aplicação exige ordem judicial. Conteúdo privado segue reserva judicial na forma da lei. Dados cadastrais de qualificação pessoal, filiação e endereço podem ser requisitados por autoridade com competência legal, de modo motivado, individualizado e específico.
Pedido judicial do art. 22: fundados indícios do ilícito + utilidade motivada do registro + período delimitado. Segurança da guarda: acesso restrito, autenticação, inventário de acessos, proteção dos dados e retenção limitada. A porta lógica de origem tornou-se parte do dever regulamentar de guarda quando necessária à identificação a partir de 20/7/2026; essa mudança posterior não suprimiu a ordem judicial para entrega.
Conteúdo de terceiros: classifique antes de responsabilizar
| Hipótese | Regra a recuperar |
|---|---|
| Provedor de conexão (art. 18) | Não responde civilmente por conteúdo gerado por terceiro. |
| Texto do art. 19 | Aplicação só responde por omissão após ordem judicial específica descumprida no prazo e nos limites técnicos; ordem deve localizar inequivocamente o conteúdo. Não impede remoção voluntária. |
| Conteúdo íntimo sem autorização (art. 21) | Aplicação responde subsidiariamente se, após notificação específica de participante ou representante, deixa de indisponibilizar diligentemente material de nudez ou ato sexual privado. Não exige ordem prévia. |
| Interpretação do STF | Art. 19 foi declarado parcialmente inconstitucional; na tese aplicável, há responsabilidade possível por omissão sem torná-la objetiva. Conteúdo contra a honra e comunicações privadas permanecem entre os recortes de ordem judicial; réplica idêntica já declarada ilícita, anúncio pago e falha sistêmica têm critérios próprios. |
Diligência ≠ remoção automática. Classifique a alegação e o conteúdo: denúncia genérica não substitui identificação; análise fundamentada e dúvida razoável importam. Falha sistêmica é deficiência estrutural diante de circulação massiva grave, não uma postagem isolada. O STF interpreta o texto legal; seus marcos de publicação pertencem ao corte jurisprudencial, distinto da vigência dos decretos.
Poder público e armadilhas
Arts. 24–27: governança participativa, interoperabilidade, preferência por padrões e formatos abertos, dados públicos estruturados, serviços integrados e por múltiplos canais, aplicações acessíveis e fáceis de usar, uso seguro e inclusão digital. Preferência por formato aberto não proíbe todo formato proprietário.
- Conexão habilita terminal; aplicação oferece funcionalidade. Registro técnico ≠ conteúdo; preservação ≠ entrega.
- 1 ano é registro de conexão pelo guardião legal; 6 meses é acesso à aplicação pelo provedor econômico qualificado, não por todo provedor.
- Responsabilização da plataforma ≠ dever de esperar ordem para toda remoção; art. 21 tem notificação própria.
- Norma vigente em setembro ≠ norma automaticamente incluída pelo corte legislativo de julho.