Traumatologia médico-legal — lesões por ação contundente, armas brancas e projéteis
1. O que a lesão realmente permite concluir?
Uma lesão é um resultado. O instrumento e o mecanismo são hipóteses que precisam ser reconstruídas a partir desse resultado.
Considere três situações hipotéticas:
- uma superfície rígida atinge a pele sem cortá-la;
- uma lâmina atravessa a pele pela ponta e pelo gume;
- um projétil atravessa tecidos em alta velocidade.
Nos três casos há transferência de energia para o corpo, mas o modo de transferência muda. Por isso, o mapa que organiza esta unidade é:
energia + forma de ação + tecido atingido → morfologia da lesão → interpretação médico-legal
A pergunta correta não é apenas “qual objeto fez isso?”, e sim:
- que tipo de força atuou?
- como ela alcançou o corpo?
- quais tecidos foram atingidos?
- que sinais ficaram?
- que conclusões esses sinais sustentam — e quais não sustentam?
A U150 já ensinou a regra de método: achado → inferência → conclusão, sem saltos. Aqui essa regra será aplicada às lesões.
Parte I — Ação contundente
2. Contusão é mecanismo; a forma da lesão depende do tecido e da força
A ação contundente decorre de impacto, compressão, atrito ou outra transferência de energia mecânica por superfície sem gume ou ponta atuando como elemento principal.
Um mesmo agente contundente pode produzir resultados diferentes conforme:
- intensidade;
- direção;
- área de contato;
- duração;
- região anatômica;
- elasticidade e resistência do tecido;
- existência de plano ósseo subjacente.
Por isso, “instrumento contundente” não equivale a uma única lesão.
Entre os achados mais importantes estão:
- escoriação;
- equimose;
- hematoma;
- ferida contusa;
- fratura;
- ruptura de órgãos ou vasos.
3. Escoriação: perda superficial da epiderme
Escoriação é a perda superficial da epiderme, em geral produzida por atrito ou força tangencial.
Ela pode registrar informação útil sobre:
- direção relativa do movimento;
- área de contato;
- desenho aproximado de superfície;
- vitalidade, quando há reação tecidual compatível, sempre dentro dos limites do exame.
Não transforme escoriação em “assinatura” automática de um objeto específico. Textura da pele, roupa, movimento e tempo podem modificar o aspecto.
4. Equimose e hematoma não são sinônimos
4.1 Equimose
Equimose é infiltração hemorrágica nos tecidos sem formação de uma cavidade própria de sangue.
Ela decorre da ruptura de pequenos vasos e pode ocorrer em:
- pele;
- tecido subcutâneo;
- mucosas;
- planos profundos.
4.2 Hematoma
Hematoma é coleção sanguínea mais localizada, com acúmulo em espaço tecidual.
A distinção de prova é:
equimose → sangue infiltrado nos tecidos
hematoma → sangue acumulado de forma mais delimitada
4.3 Víbice
Víbice é uma equimose de configuração linear ou em estria.
Esse formato pode sugerir ação de objeto alongado, mas a morfologia precisa ser interpretada no conjunto. A forma não autoriza identificar, sozinha, o instrumento concreto.
5. A cor da equimose não funciona como relógio preciso
A evolução de uma equimose pode apresentar mudança de tonalidade ao longo do tempo. Classificações clássicas de Medicina Legal descrevem sequências cromáticas.
Entretanto, a literatura baseada em estudos clínicos e fotográficos mostra grande variabilidade. Cor depende de fatores como:
- profundidade;
- região anatômica;
- iluminação;
- pigmentação da pele;
- estado de saúde;
- método de observação.
Por isso:
não é tecnicamente seguro atribuir idade exata a uma equimose apenas pela cor.
Para prova, reconheça a tradição doutrinária quando a banca a utilizar, mas não transforme uma tabela cromática em cronômetro biológico universal.
6. Ferida contusa: o tecido rasga por força contundente
A ferida contusa, também chamada em literatura internacional de laceração por força contundente, surge quando o tecido é esmagado, comprimido ou tracionado até romper.
Achados típicos podem incluir:
- bordas irregulares;
- escoriação ou equimose nas margens;
- pontes de tecido no fundo da ferida;
- esmagamento de planos adjacentes.
As pontes de tecido são estruturas que permanecem atravessando parcialmente o fundo da lesão porque o tecido foi rasgado, e não dividido de maneira limpa por um gume.
Esse ponto ajuda a distinguir ferida contusa de ferida incisa.
7. Fraturas e lesões internas podem existir com pouco sinal externo
Força contundente pode causar:
- fratura;
- lesão cranioencefálica;
- ruptura de vísceras;
- ruptura vascular;
- hemorragia interna.
Uma pele pouco alterada não exclui lesão profunda importante.
O raciocínio é:
aparência superficial ≠ extensão interna obrigatória
A morte por ação contundente pode decorrer, por exemplo, de hemorragia interna, destruição de órgão vital ou trauma encefálico. O diagnóstico da morte e os fenômenos cadavéricos pertencem à U153; aqui interessa apenas a ligação entre mecanismo traumático e dano.
Parte II — Armas brancas e mecanismos de ponta/gume
8. “Arma branca” é rótulo tradicional; o mecanismo é o que interessa
O edital usa a expressão armas brancas. Em Medicina Legal, ela funciona como rótulo tradicional para instrumentos que podem atuar por:
- gume;
- ponta;
- massa;
- combinações desses elementos.
A prova costuma cobrar o mecanismo:
| Ação predominante | Lesão típica |
|---|---|
| gume | incisa/cortante |
| ponta | perfurante |
| ponta + gume | perfurocortante |
| gume + massa | cortocontusa |
Um mesmo objeto pode atuar de mais de uma maneira conforme o modo de uso. Uma faca, por exemplo, pode cortar com o gume ou penetrar pela ponta.
9. Ferida incisa: predomina o gume
A ferida incisa decorre do deslocamento de um gume sobre o tecido.
Em condições típicas, pode apresentar:
- margens regulares;
- ausência de pontes de tecido;
- maior extensão superficial em relação à profundidade;
- sangramento variável conforme vasos atingidos.
O aspecto pode mudar por:
- tensão da pele;
- direção do corte;
- curvatura da região;
- movimento do instrumento e da vítima.
Logo, regularidade não é regra absoluta.
10. Ferida perfurante: predomina a ponta
A ferida perfurante decorre da penetração por instrumento cuja ponta é o elemento principal.
A abertura externa pode ser pequena, enquanto a profundidade é grande.
Consequência importante:
tamanho do orifício externo não mede diretamente a extensão do dano interno.
A elasticidade da pele e o movimento durante a penetração também alteram a forma aparente.
11. Ferida perfurocortante: ponta e gume atuam juntos
A ferida perfurocortante resulta da associação de:
- ponta, que penetra;
- gume, que corta durante a progressão.
Facas e punhais são exemplos possíveis de instrumentos, mas o formato da ferida não reproduz necessariamente, em escala perfeita, a seção da lâmina.
Movimento, tensão da pele, ângulo e manipulação do instrumento podem modificar:
- comprimento;
- ângulos;
- direção;
- profundidade.
Portanto:
morfologia pode ser compatível com uma classe de instrumento sem individualizar uma arma específica.
12. Ferida cortocontusa: gume somado à massa
Na ação cortocontundente, o instrumento combina:
- capacidade de corte;
- massa e impacto.
Machados e instrumentos pesados com gume são exemplos clássicos.
A lesão pode apresentar:
- divisão dos tecidos;
- dano profundo;
- contusão associada;
- fratura quando o golpe alcança osso.
A interpretação deve considerar simultaneamente corte e impacto.
13. Lesões de defesa ajudam, mas não decidem sozinhas a dinâmica
Ferimentos em mãos e antebraços podem ocorrer quando uma pessoa tenta:
- segurar o instrumento;
- proteger regiões vitais;
- afastar um golpe.
São as chamadas lesões de defesa.
Elas podem sustentar uma hipótese de reação defensiva, mas:
- podem estar ausentes em agressões;
- podem ocorrer em outros contextos;
- não definem, isoladamente, homicídio, suicídio ou acidente.
Em traumatologia médico-legal, um sinal isolado raramente resolve toda a dinâmica.
Parte III — Projéteis de arma de fogo
14. O projétil produz lesão por penetração e transferência de energia
Na classificação médico-legal brasileira tradicional, o projétil de arma de fogo atua como agente perfurocontundente.
Isso expressa duas ideias:
- penetra tecidos;
- produz dano contundente por transferência de energia.
O efeito final depende de mais que “calibre” ou velocidade. Importam:
- massa;
- velocidade no impacto;
- forma e construção do projétil;
- estabilidade durante o voo e no tecido;
- deformação ou fragmentação;
- tecido atingido;
- osso no trajeto;
- energia efetivamente transferida.
15. Energia cinética é importante, mas não explica tudo
A energia cinética de um projétil pode ser representada por:
[ E_k = \frac{1}{2}mv^2 ]
em que:
- (E_k) = energia cinética, em joules;
- (m) = massa, em quilogramas;
- (v) = velocidade, em metros por segundo.
Como a velocidade aparece ao quadrado, seu aumento pode elevar muito a energia disponível.
Mas:
energia disponível ≠ energia necessariamente transferida ao tecido.
O projétil pode:
- atravessar mantendo energia residual;
- deformar;
- fragmentar;
- desviar;
- girar ou perder estabilidade.
Esses fatores alteram o padrão da lesão.
16. Cavidade permanente e cavidade temporária
Quando o projétil atravessa o corpo, há dois fenômenos úteis.
16.1 Cavidade permanente
É o canal de tecido efetivamente destruído ou lesionado de forma persistente ao longo do trajeto.
16.2 Cavidade temporária
É a expansão transitória dos tecidos para os lados causada pela transferência de energia.
Tecidos mais elásticos podem deformar-se e retornar parcialmente; órgãos frágeis e estruturas rígidas podem sofrer rupturas maiores.
Projéteis de maior energia podem produzir cavitação temporária mais expressiva, mas a gravidade depende da interação concreta com o alvo.
17. “Alta energia” não autoriza um número universal inventado
O edital distingue projéteis comuns e de alta energia, mas não fornece limiar numérico.
Na literatura científica, estudos utilizam critérios operacionais diferentes. Há pesquisas que classificam determinado grupo de projéteis por velocidade, mas isso é critério do estudo, não definição universal para todo contexto médico-legal.
Para prova:
não invente um corte fixo de velocidade se a fonte da questão não o estabelecer.
O que importa nesta unidade é reconhecer que maior energia disponível, associada a cavitação, deformação, fragmentação e interação com os tecidos, pode produzir lesões mais extensas.
Parte IV — Orifício de entrada, trajeto e saída
18. Entrada: três achados que a banca separa
Em disparos sem alvo intermediário, o orifício de entrada pode apresentar achados clássicos.
18.1 Orla de escoriação
Área de perda epidérmica junto à entrada, relacionada ao processo de penetração e deformação da pele.
18.2 Orla de enxugo
Depósito de material transportado pelo projétil e “limpo” na passagem pela superfície.
Pode conter resíduos provenientes do projétil, do cano ou de lubrificantes.
18.3 Esfumaçamento não é enxugo
Esfumaçamento é depósito superficial de fuligem proveniente da combustão.
A distinção é essencial:
enxugo acompanha material retirado do projétil; esfumaçamento decorre de resíduos da combustão.
19. Distância do disparo: leia os resíduos, não decore centímetros universais
A morfologia varia com:
- arma;
- comprimento do cano;
- munição;
- pólvora;
- distância;
- roupas;
- ângulo;
- superfície atingida.
19.1 Tiro encostado
Com a boca da arma em contato com a pele, gases e resíduos podem penetrar a ferida.
Podem ocorrer:
- marca da boca da arma;
- cavidade com fuligem/resíduos;
- lacerações radiais, principalmente sobre plano ósseo.
19.2 Curta distância
Podem alcançar o alvo elementos do cone de explosão:
- chama/gases aquecidos;
- fuligem;
- partículas de pólvora.
O alcance de cada componente não é igual.
19.3 Distância maior
Quando apenas o projétil alcança o alvo, faltam os efeitos secundários típicos da proximidade da boca da arma.
Não memorize um único valor em centímetros para todas as armas. A estimativa pericial pode exigir tiros de teste com arma e munição comparáveis.
20. Tatuagem, esfumaçamento e queimadura
Esses sinais são diferentes.
Tatuagem
Partículas de pólvora atingem e se incrustam na pele.
Por estarem incorporadas, não são simplesmente removidas como sujeira superficial.
Esfumaçamento
Fuligem deposita-se superficialmente.
Pode ser removível.
Queimadura
Relaciona-se ao efeito térmico de chama/gases quentes em distâncias compatíveis.
Resumo:
pólvora incrustada → tatuagem
fuligem superficial → esfumaçamento
calor → queimadura
21. Tiro encostado sobre osso: gases mudam o desenho
Quando um tiro encostado ocorre em região com osso subjacente, os gases podem entrar pela ferida, encontrar resistência profunda e distender os tecidos de volta contra a boca da arma.
Isso pode produzir:
- rasgos radiais;
- aspecto estrelado;
- cavidade de gases.
Na nomenclatura clássica brasileira, esse aspecto pode ser chamado de buraco de mina de Hoffmann.
Outro sinal clássico é o sinal de Benassi:
fuligem depositada no osso, especialmente descrita em disparos encostados no crânio.
Esses epônimos são úteis porque já foram cobrados diretamente pelo Cebraspe.
22. Saída: tendências não são regras absolutas
Orifícios de saída costumam:
- ser mais irregulares;
- não apresentar tatuagem ou esfumaçamento produzidos pela boca da arma;
- variar muito conforme deformação, fragmentação, tecido e energia residual.
É comum ensinar que entrada é menor e mais regular e saída é maior e tem bordas voltadas para fora.
Isso é uma tendência, não uma lei universal.
Exceções incluem:
- projétil deformado;
- fragmentação;
- contato do local de saída com superfície rígida;
- reentrada em outra parte do corpo;
- grande cavitação próxima ao plano de saída.
Por isso, classificar entrada/saída apenas pelo tamanho é erro.
23. Trajetória não é trajeto
Na terminologia médico-legal clássica:
- trajetória → percurso do projétil no espaço antes de atingir o corpo;
- trajeto → caminho percorrido dentro do corpo.
A prova pode inverter os termos.
O trajeto interno precisa ser descrito em relação à posição anatômica examinada e aos tecidos atravessados. Transformá-lo automaticamente na posição exata de vítima e atirador exige cautela, porque corpos e membros podem se mover.
24. Lesão em sedenho
Lesão em sedenho descreve situação em que o projétil percorre trajeto superficial ou subcutâneo, contornando uma região sem penetrar profundamente em cavidade corporal.
Esse conceito foi cobrado em prova oficial do Cebraspe.
Parte V — Projéteis comuns × alta energia
25. Por que lesões de alta energia podem ser mais extensas?
A resposta não é “porque o orifício de entrada é sempre maior”.
A extensão pode aumentar por:
- maior energia transferida;
- cavidade temporária mais ampla;
- instabilidade e rotação do projétil;
- deformação;
- fragmentação;
- formação de fragmentos ósseos que se tornam agentes secundários.
Um projétil pode apresentar pequena abertura cutânea e dano interno muito maior.
Esse contraste é importante:
orifício na pele não mede sozinho a energia nem a extensão total da lesão.
26. Osso modifica o projétil e o projétil modifica o osso
Quando um projétil atinge osso:
- pode fraturá-lo;
- pode se deformar ou fragmentar;
- fragmentos ósseos podem ser deslocados;
- o trajeto subsequente pode mudar.
Assim, uma lesão não é produzida por uma “bala abstrata”. É produto da interação dinâmica entre:
projétil + tecido + geometria + energia + obstáculos
Parte VI — Morte traumática sem antecipar Tanatologia
27. Como essas lesões podem matar?
Ação contundente
Pode levar a morte por:
- hemorragia interna;
- lesão encefálica;
- ruptura de órgão ou grande vaso;
- destruição de estruturas vitais.
Arma branca
Pode levar a morte por:
- hemorragia;
- lesão cardíaca ou vascular;
- lesão pulmonar ou de outros órgãos;
- outras complicações decorrentes do ferimento.
Projétil de arma de fogo
Pode levar a morte por:
- destruição direta de órgão vital;
- hemorragia;
- lesão do sistema nervoso central;
- dano extenso por transferência de energia e fragmentação.
U152 explica como o trauma produz o dano.
A U153 explicará:
- conceito e diagnóstico da morte;
- fenômenos cadavéricos;
- cronologia médico-legal;
- causa jurídica da morte;
- morte súbita e suspeita.
Não antecipe essa aula aqui.
Parte VII — O que o perito pode e não pode inferir
28. Lesão compatível com instrumento não individualiza instrumento
Uma ferida pode ser compatível com:
- ação cortante;
- ação perfurocortante;
- ação contundente;
- projétil.
Isso não significa que a morfologia sempre identifique:
- a faca específica;
- o objeto específico;
- a arma de fogo específica;
- a intenção do agente.
A conclusão adequada é proporcional à força dos achados.
29. Forma isolada não decide intenção ou causa jurídica
Lesões de defesa podem sugerir reação.
Ferida em região acessível pode aparecer em autolesão.
Número e distribuição podem ajudar a reconstruir dinâmica.
Mas nenhum desses elementos, isoladamente, transforma-se automaticamente em:
- homicídio;
- suicídio;
- acidente.
A causa jurídica da morte é tema próprio da U153 e depende do conjunto investigativo.
30. Exame do local é fronteira da U154
Distribuição de sangue, posição do corpo, objetos, impactos em superfícies e relação espacial podem ser decisivos para reconstruir a dinâmica.
A U152 precisa apenas reconhecer que a lesão ganha significado quando integrada ao contexto.
A análise médico-legal do local, porém, pertence à U154.
Parte VIII — Quadro de decisão rápida
31. Achado → mecanismo mais provável
| Achado | Mecanismo que deve entrar primeiro na hipótese |
|---|---|
| escoriação superficial | atrito/força tangencial contundente |
| equimose | ruptura vascular por ação contundente |
| hematoma | coleção hemorrágica localizada |
| ferida com bordas irregulares e pontes de tecido | ação contundente com rasgo |
| ferida regular sem pontes, mais longa que profunda | ação cortante |
| pequena abertura com grande profundidade | ação perfurante |
| penetração por ponta + corte por gume | ação perfurocortante |
| corte associado a impacto/massa | ação cortocontundente |
| entrada com orla de escoriação e enxugo | projétil de arma de fogo, conforme contexto |
| tatuagem por pólvora | disparo em distância compatível com alcance dos grãos |
| fuligem em osso craniano | sinal clássico de Benassi |
| trajeto superficial contornando cavidade | lesão em sedenho |
A tabela orienta a primeira hipótese. Ela não substitui exame completo.
Parte IX — Pegadinhas
32. Vinte e quatro erros frequentes
- “Todo instrumento contundente produz apenas equimose.” Errado.
- “Escoriação é coleção de sangue.” Errado.
- “Equimose e hematoma são sinônimos.” Errado.
- “A cor permite datar equimose com precisão universal.” Errado.
- “Ferida contusa tem necessariamente margens limpas e sem pontes.” Errado.
- “Ferida incisa e ferida contusa são indistinguíveis.” Errado.
- “Abertura pequena exclui lesão profunda.” Errado.
- “Arma branca é uma única categoria mecânica.” Errado.
- “Ponta + gume caracteriza ação perfurocortante.” Certo.
- “O formato da ferida reproduz obrigatoriamente a lâmina.” Errado.
- “Lesão de defesa prova homicídio sozinha.” Errado.
- “Projétil de arma de fogo age apenas por perfuração, sem efeito contundente.” Errado.
- “Energia cinética explica sozinha a gravidade.” Errado.
- “Alta energia possui um único limiar universal obrigatório.” Errado.
- “Orla de enxugo é a mesma coisa que esfumaçamento.” Errado.
- “Tatuagem e esfumaçamento são o mesmo depósito.” Errado.
- “Tiro encostado sobre osso não sofre ação dos gases.” Errado.
- “Sinal de Benassi é fuligem no osso craniano.” Certo.
- “Entrada é sempre menor que saída.” Errado.
- “Trajetória é o caminho dentro do corpo.” Errado na terminologia clássica.
- “Lesão em sedenho é necessariamente profunda.” Errado.
- “Pequeno orifício de entrada exclui trauma de alta energia.” Errado.
- “Morfologia identifica automaticamente a arma específica.” Errado.
- “Um achado isolado define a causa jurídica da morte.” Errado.
33. Recuperação ativa
Sem consultar:
- Qual é a diferença entre mecanismo e instrumento?
- O que distingue escoriação, equimose e hematoma?
- Por que a cor da equimose não fornece cronologia exata universal?
- O que são pontes de tecido?
- Como diferenciar, em regra, ferida contusa de incisa?
- Qual ação predomina nas lesões cortante, perfurante, perfurocortante e cortocontundente?
- Por que uma faca não produz necessariamente um único tipo de ferida?
- Por que lesões de defesa não decidem a dinâmica sozinhas?
- Por que o projétil é chamado de perfurocontundente na classificação tradicional?
- O que representa a energia cinética e por que ela não explica tudo?
- Qual a diferença entre cavidade permanente e temporária?
- Por que “alta energia” não deve receber limiar universal inventado?
- Qual a diferença entre orla de escoriação, orla de enxugo e esfumaçamento?
- Qual a diferença entre tatuagem, esfumaçamento e queimadura?
- O que muda no tiro encostado sobre plano ósseo?
- O que é o sinal de Benassi?
- Por que entrada e saída não podem ser diferenciadas só pelo tamanho?
- Qual a diferença entre trajetória e trajeto?
- O que é lesão em sedenho?
- Como osso, fragmentação e cavitação podem ampliar o dano?
- Qual é a fronteira da U152 com U153?
- Qual é a fronteira da U152 com U154?
Se você consegue reconstruir:
força → tecido → lesão → sinais → hipótese compatível → limite da conclusão
domina o núcleo da U152.
Referências
Referências — Traumatologia médico-legal
Fontes revalidadas em 21 de setembro de 2026. Corte legislativo da campanha: 13 de julho de 2026.
Programa
- Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos. Edital nº 1 — Polícia Civil do Maranhão — Oficial Investigador de Polícia, de 13 de julho de 2026. Item 20.2.3, Medicina Legal, item 5: “Lesões e mortes por ação contundente, por armas brancas e por projéteis de arma de fogo comuns e de alta energia”.
https://cdn.cebraspe.org.br/concursos/PC_MA_26_INVESTIGADOR/arquivos/9EE70E72CE79EB274C5319BEEB5B9B7D8519FF48DA21986A0830B5DB02C4F8B0.pdf
Trauma contundente e por instrumentos de ponta/gume
-
Eze UO, Ojifinni KA. Trauma Forensics in Blunt and Sharp Force Injuries. Journal of the West African College of Surgeons. 2022;12(4):94–101. Revisão médico-legal sobre mecanismos e padrões de trauma contundente e por ação cortante/perfurante, incluindo escoriações, contusões/equimoses e lacerações. Usada para a organização morfológica, sem converter um padrão de lesão em identificação automática de instrumento.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9802595/ -
Schmidt U. Sharp force injuries in “clinical” forensic medicine. Forensic Science International. 2010;195(1-3):1-5. Revisão sobre princípios morfológicos de lesões por instrumentos de ponta/gume e cautelas na diferenciação de circunstâncias acidentais, autoinfligidas e produzidas por terceiros.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19939596/ -
Gill JR, Ely SF. Forensic Pathologist Testimony, Part 1: Common Questions and Considerations. Academic Forensic Pathology. 2024/2025;15(1):28–41. Revisão sobre interpretação de feridas incisas/perfurantes, influência de força, tecidos, roupas e características do instrumento; usada para evitar inferências excessivas a partir da forma isolada da lesão.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11558648/ -
Grossman SE, Johnston A, Vanezis P, Perrett D. Can we assess the age of bruises? An attempt to develop an objective technique. Medicine, Science and the Law. 2011;51(3):170–176. Estudo com avaliação visual por especialistas e análise de cor; sustenta a ressalva de que cor isolada não permite cronologia exata confiável.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21905574/ -
Garcez RHM, Thomaz EBAF, Marques RC, Azevedo JAP, Lopes FF. Caracterização de lesões bucomaxilofaciais decorrentes de agressão física: diferenças entre gênero. Ciência & Saúde Coletiva. 2019;24(3):1143–1152. Apoio local para a terminologia observada em registros periciais — instrumentos contundentes, cortantes, perfurantes e combinações, além de escoriação, equimose, hematoma e diferentes formas de ferida. Não é origem física da U152.
https://www.scielo.br/j/csc/a/S5zwvRrbdGwmG5NzsdGwvKm/?format=html
Ferimentos por projéteis de arma de fogo
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Große Perdekamp M, Pollak S. Autopsy findings in victims of gunshot injuries: wound ballistic considerations based on test shots to simulants and composite models. International Journal of Legal Medicine. 2025. Revisão de morfologia de entradas conforme distância, orla de escoriação, enxugo, disparos encostados, ação dos gases, canal intracorporal, cavitação, tecido/ossos e variabilidade do ferimento.
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Manta AM et al. The wounding potential of assault rifles: analysis of the dimensions of entrance and exit wounds and comparison with conventional handguns. A multicentric study. Forensic Science, Medicine and Pathology. 2024;20(3):896–909. Usado somente como exemplo de que estudos podem adotar critérios operacionais próprios para “alta velocidade”; a U152 não transforma um limiar de pesquisa em definição universal do edital.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38146043/
Questões anteriores verificadas
- Cebraspe — PC/RO, Médico-Legista, prova objetiva, Edital 2022, caderno 732_PCRO_003_01 e gabarito oficial definitivo. Foram auditadas e usadas como adaptações não literais:
- questão 24, gabarito D — tiro encostado na cabeça sobre plano ósseo, buraco de mina e sinal de Benassi;
- questão 35, gabarito B — víbices como lesões em estrias;
- questão 37, gabarito A — sinal de Benassi como halo fuliginoso no osso craniano;
- questão 38, gabarito C — lesão em sedenho com trajeto superficial/subcutâneo.
Prova: https://cdn.cebraspe.org.br/concursos/pc_ro_22/arquivos/732_PCRO_003_01.PDF
Gabarito definitivo: https://cdn.cebraspe.org.br/concursos/pc_ro_22/arquivos/GAB_DEFINITIVO_732_PCRO_003_01.PDF
-
Cebraspe — PC/RO, Médico-Legista, prova oral, questão 31, padrão oficial. O padrão trata do tiro a curta distância, cone de explosão, chama, fuligem e pólvora, destacando que o alcance e a concentração dos elementos variam com distância e características da arma/munição. A U152 usa adaptação não literal em questão de aplicação.
https://cdn.cebraspe.org.br/concursos/pc_ro_22/arquivos/P_818_PC_RO_ORAL_MEDLEG_COMPADRAO.PDF -
Mesma prova oral, questão 34, padrão oficial. Distingue efeitos primários do projétil e efeitos secundários de disparos próximos, incluindo orlas de escoriação/enxugo e zonas de tatuagem, queimadura e esfumaçamento. Usada como confirmação do mapa didático, sem copiar literalmente o padrão.
Mesmo documento da referência anterior.
Fronteiras e proveniência
- U152, storageId pc-u152, ordem 152, consumidor pcma-2026-invest.
- Classificação: nova/local, sem vinculo.json e sem doador integral compatível.
- Destino: src/content/assuntos/pc-ma-2026-oficial-investigador/conhecimentos-especificos/medicina-legal/traumatologia-medico-legal-lesoes-armas-projeteis/.
- U149 fornece o mapa de Traumatologia; U150 fornece método pericial; U151 encerra documentos/identificação. Nenhuma delas é origem de conteúdo traumático integral.
- U153 permanece responsável por diagnóstico da morte, fenômenos cadavéricos, cronotanatognose, causa jurídica, morte súbita/suspeita; U154 permanece responsável pelo exame médico-legal do local.
- A busca no repositório não localizou pacote físico ou canônico integral compatível. #765 e #766 não registravam reserva concorrente desta origem na seleção.
- Os arquivos anexados ao projeto foram auditados: o conteudo.md é de Administração do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão; os três documentos anexados são edital/retificação do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Não houve reaproveitamento por ausência de aderência à U152.
- Corte legislativo preservado em 13/07/2026; fontes e provas revalidadas em 21/09/2026.