Climas do Maranhão: pluviosidade e temperatura
1. O mecanismo que organiza o clima maranhense
O Maranhão é quente praticamente o ano inteiro, mas não recebe chuva da mesma forma em todo o território. A baixa latitude sustenta temperaturas elevadas; a circulação atmosférica, a influência do oceano, a continentalidade e controles locais alteram sobretudo quanto chove e por quanto tempo dura a estação seca.
Para prova, reconstrua o assunto nesta ordem:
posição tropical → circulação atmosférica → distribuição sazonal da chuva → contraste litoral/interior → temperatura → classificação climática.
O ponto essencial é evitar dois atalhos errados: estação seca não significa ausência total de chuva e um dado de estação meteorológica não representa automaticamente todo o estado.
2. Por que faz calor em todo o estado, mas não chove igual?
A baixa latitude mantém elevada a entrada de energia solar ao longo do ano. Daí vêm as temperaturas altas e a pequena variação sazonal do calor quando comparadas às regiões subtropicais do Brasil.
A chuva responde mais à circulação atmosférica e a controles regionais:
- próximo ao litoral, o oceano fornece umidade e modera extremos de temperatura; esse efeito é a maritimidade;
- no interior e durante a estação seca, menor nebulosidade favorece forte aquecimento diurno; a maior influência da superfície continental é a continentalidade;
- relevo, altitude e características da superfície modulam temperatura e disponibilidade de água em escalas menores.
A ZCIT é uma banda de nuvens próxima à faixa equatorial, formada pela convergência dos ventos alísios dos Hemisférios Norte e Sul. Ao se deslocar mais para o sul no fim do verão e no início do outono, ela aumenta sua influência sobre o norte do Maranhão. A atuação costuma ser mais forte em março e abril, podendo ocorrer também em fevereiro e maio. No segundo semestre, a ZCIT migra para latitudes mais ao norte e perde influência direta sobre o estado.
Ela não explica toda chuva maranhense. Linhas de instabilidade, brisas costeiras, perturbações nos ventos alísios e convecção local também atuam. El Niño e La Niña podem modular esses sistemas, mas não determinam isoladamente cada episódio de chuva.
3. Como ler os dados climáticos
Uma tarde de temporal é tempo meteorológico: estado da atmosfera em curto prazo. Clima é o comportamento de longo prazo — médias, sazonalidade, variabilidade e extremos.
Uma normal climatológica é uma referência de longo período para uma estação meteorológica. As Normais 1991–2020 do INMET cobrem de 1º de janeiro de 1991 a 31 de dezembro de 2020. Elas não preveem 2026; mostram o padrão médio de referência daquele local e daquela variável.
Anomalia é desvio em relação a uma referência climática; evento extremo é ocorrência rara ou muito intensa em relação ao esperado. Um evento isolado não redefine sozinho o clima.
O método do INMET também explica lacunas nas tabelas: a normal anual exige os 12 valores mensais. Se falta a normal de um mês, o valor anual daquela variável não é computado. E o dado de uma estação não deve ser generalizado automaticamente para todo o município, região ou estado.
4. Pluviosidade: concentração no primeiro semestre
O padrão decisivo é a sazonalidade. Em estudo publicado em 2023 com estações maranhenses, os calendários aproximados foram:
- norte: chuva de janeiro a julho; seca de agosto a dezembro;
- leste: chuva de janeiro a maio; seca de junho a dezembro;
- centro e sul: chuva de janeiro a abril; seca de maio a dezembro.
São sínteses climatológicas, não calendários rígidos. Estação seca não significa chuva zero: significa redução acentuada dos totais médios. No conjunto analisado, fevereiro–março–abril concentrou a maior parcela das chuvas, e julho–agosto–setembro, a menor.
As Normais 1991–2020 do INMET fornecem boas âncoras:
| Estação | Precipitação anual normal | Âncora mensal |
|---|---|---|
| São Luís | 2.117,1 mm | março: 452,8 mm; setembro: 2,9 mm |
| Imperatriz | 1.491,9 mm | total interior inferior ao da capital |
| Carolina | 1.772,1 mm | supera Imperatriz nessa normal |
| Balsas | 1.194,7 mm | julho: 1,0 mm; agosto: 1,3 mm |
São Luís reúne total anual maior; Balsas, total menor e meses quase sem precipitação no meio do ano. Comparar março e setembro na mesma estação revela a sazonalidade; comparar São Luís e Balsas revela o contraste espacial. Mas Carolina supera Imperatriz nessa normal: o gradiente regional não significa que a chuva diminua continuamente entre quaisquer duas estações.
5. Temperatura: calor persistente, amplitudes diferentes
No estudo de 2023, as temperaturas médias anuais das estações analisadas ficaram aproximadamente entre 26,3 °C e 28,4 °C. No interior, as maiores médias tendem a ocorrer entre agosto e dezembro, quando a estação seca reduz a nebulosidade e favorece aquecimento intenso.
No litoral, o oceano modera as variações; por isso São Luís tende a apresentar menor amplitude térmica que estações mais continentais. Menor amplitude não significa pouco calor, mas diferença menor entre valores altos e baixos.
Amplitude térmica é a diferença entre a maior e a menor temperatura no mesmo intervalo de observação. Em exemplo hipotético, um dia com mínima de 25 °C e máxima de 31 °C tem amplitude diária de 6 °C. Esse resultado não informa, sozinho, a amplitude anual nem a variabilidade climatológica da estação.
| Estação | Média compensada anual | Máxima normal anual | Mínima normal anual | Observação |
|---|---|---|---|---|
| São Luís | não publicada na planilha consultada | 31,5 °C | 24,1 °C | maior moderação marítima |
| Carolina | 27,2 °C | 33,3 °C | 22,5 °C | máxima normal mensal: 36,4 °C em agosto |
| Balsas | não computada | não computada | não computada | falta a normal de julho nas séries térmicas consultadas |
Temperatura máxima normal não é temperatura média nem recorde absoluto. A máxima normal anual de 31,5 °C em São Luís é a média climatológica da variável “temperatura máxima”, não a temperatura de todos os dias.
6. Classificações climáticas: duas lentes
Depois do mecanismo, a classificação vira organização de dados, não lista para decorar.
O Mapa de Clima do Brasil do IBGE, edição 2002 e escala 1:5.000.000, combina zona climática, temperatura e umidade/duração da seca. No Maranhão, predomina a condição quente e aparece a transição entre Tropical da Zona Equatorial e Tropical do Brasil Central, com diferentes durações da estação seca. Assim, “semiúmido com quatro a cinco meses secos” expressa uma condição de umidade e duração da seca; não é, sozinha, o nome completo do clima zonal.
No estudo maranhense de 2023, a classificação de Köppen identificou:
- Am: tropical de monção; Turiaçu;
- Aw: tropical de savana; Imperatriz, Carolina e Balsas;
- Aw’: convenção usada no trabalho para distinguir chuvas de verão e outono; São Luís.
Não trate Aw’ como “terceira letra universal” de Köppen. E não force equivalência perfeita entre Köppen e o mapa do IBGE: critérios, escalas, estações e períodos podem ser diferentes.
7. Pegadinhas e datas que fecham o recorte
- clima ≠ tempo meteorológico: clima descreve padrões de longo prazo; tempo é o estado atmosférico de curto prazo;
- normal de uma estação ≠ média estadual: os valores do INMET pertencem ao local e à variável medidos;
- temperatura máxima normal ≠ temperatura média nem recorde absoluto;
- estação seca ≠ chuva zero;
- o mapa do IBGE e a classificação de Köppen usam critérios e escalas diferentes; não force equivalência perfeita;
- as Normais do INMET usadas aqui cobrem 1991–2020; o Mapa de Clima do IBGE é de 2002; a atualização climática regional citada é de 2023.
As formações vegetais — floresta, Cerrado e cocais — têm unidade própria na matriz da Perícia. Aqui elas não são usadas para substituir o estudo de pluviosidade e temperatura.
Referências
Referências — Climas do Maranhão: pluviosidade e temperatura
- PERÍCIA OFICIAL DO MARANHÃO; CEBRASPE. Edital nº 1, de 17 de julho de 2026, consolidado até o Edital nº 3. Cargo 1 — Agente de Perícia Criminal — Especialidade: Generalista; Geografia do Maranhão, item 3: climas do Maranhão — pluviosidade e temperatura. Documento oficial.
- INMET. Normais Climatológicas do Brasil 1991–2020 e metodologia. Período de 1º jan. 1991 a 31 dez. 2020; serviço oficial reconsultado em 05/10/2026.
- INMET. Precipitação mensal e anual, temperatura média, máxima e mínima. Planilhas das Normais 1991–2020.
- INMET. Zona de Convergência Intertropical. Atualizado em 6 mar. 2023.
- IBGE. Clima — Mapa de Clima do Brasil e mapa oficial em PDF. Produto 2002, escala 1:5.000.000; legenda consultada pontualmente em 13/10/2026.
- CORRÊA, Wellington Cruz; CARVALHO, Marcus Willame Lopes; MENDES, Telmo José. Atualização da classificação climática e balanço hídrico climatológico no estado do Maranhão. Revista Brasileira de Climatologia, v. 32, 2023; página da publicação, consultada pontualmente em 13/10/2026.
- CEBRASPE. Prova PM/MA — caderno 359, Conhecimentos Gerais de nível médio e gabarito oficial definitivo. Aplicação em 17 dez. 2017; item 52, gabarito definitivo E.
Proveniência editorial
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Origem O057:
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Classificação para PER-U060: reaproveitamento parcial/local. O057 reúne E07:3 (clima) e E07:7 (formações vegetais). PER-U060 recorta somente clima, pluviosidade e temperatura; floresta, Cerrado e cocais permanecem reservados a PER-U063.
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C/H foram reorganizados para retirar a vegetação sem quebrar o mecanismo climático. Q preserva os 41 IDs autorais climáticos
q7839–q7879; marcaçõesabbrherdadas foram removidas apenas dos campos JSON de texto puro, com revisão incrementada nas questões tocadas. Foi acrescentada a anteriorper-u060-pmma-2017-q52, cuja assertiva e gabarito E foram verificados no caderno e gabarito definitivo oficiais.questionSetRevisionna produção = 5; na auditoria PER-F02 passou a 6. -
A reconsulta oficial em 05/10/2026 confirma que o INMET continua disponibilizando as Normais 1991–2020 e que o IBGE mantém o Mapa de Clima de 2002 como produto oficial. Não se usam dados meteorológicos de 2026 como substitutos das normais climatológicas.
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Auditoria PER-F02 (13/10/2026): dez autorais (
q7847,q7854,q7855,q7856,q7860,q7861,q7868,q7869,q7871eq7874) passaram de reconhecimento isolado para interpretação de dados, mecanismos, intervalos e comparabilidade. Os IDs, a origem autoral, as alternativas corretas substantivas e o total de 42 questões foram preservados, com incremento das revisões alteradas; a anterior da PM/MA 2017 permaneceu intacta. A aula passou a ensinar explicitamente amplitude no mesmo intervalo, inclusive o limite de inferência a partir de um dia, e a distinção entre gradiente regional e qualquer par de estações; H recupera esses contrastes. -
Alcance da verificação (13/10/2026): reconsulta dirigida à página oficial das Normais do INMET, ao texto institucional sobre a ZCIT, à legenda do mapa oficial do IBGE e à página do artigo de 2023. Os números das planilhas climatológicas são mantidos da conferência de produção de 05/10/2026: as planilhas completas não foram reabertas nesta auditoria. A questão anterior foi confrontada com caderno e gabarito oficiais (item 52, original errado); a adaptação publicada continua com chave B.