19. Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade

Adaptação de textos a novos gêneros, destinatários e graus de formalidade com preservação de informação, finalidade e força enunciativa.

Reescrita por gênero e formalidade — revisão rápida

Regra-mãe

Preserve a mensagem; adapte a situação de uso.

Uma boa reescrita precisa passar por três portões:

  1. fidelidade — não inventa, não apaga, não fortalece;
  2. correção — respeita as convenções exigidas;
  3. adequação — funciona para destinatário, finalidade, gênero e registro.

Mapa da situação

Antes de reescrever, pergunte:

  • quem enuncia?
  • para quem?
  • para quê?
  • em qual gênero?
  • em qual suporte?
  • com qual grau de formalidade?

O que não pode desaparecer

Preserve:

  • fatos e participantes;
  • datas, números e condições;
  • fonte da informação;
  • negação e ressalvas;
  • causa, condição e concessão;
  • modalidade: pode ≠ vai; recomenda-se ≠ é obrigatório.

Gênero ≠ tipo ≠ suporte

  • gênero: aviso, notícia, relatório, ata etc.;
  • tipo/sequência: narração, exposição, argumentação, injunção etc.;
  • suporte: site, mural, aplicativo, papel.

Mudar o gênero muda a hierarquia da informação, não a verdade dos fatos.

Formalidade

  • formal não significa rebuscado;
  • informal não significa automaticamente incorreto;
  • profissão não define sozinha o registro;
  • clareza e precisão são compatíveis com formalidade.

a gente vai enviar → nós enviaremos exige ajuste de concordância.

Transformações típicas

Fala → escrita: retire hesitações sem apagar incerteza; explicite aqui/hoje/amanhã somente quando o dado for conhecido.

Técnico → público: explique o jargão indispensável; não apague precisão.

Registro interno → aviso: priorize impacto, data, duração estimada e ação do destinatário.

Informativo → injuntivo: converta informação em orientação sem transformar recomendação em obrigação.

Opinião → informativo: mantenha a avaliação atribuída a quem a formulou.

Método de prova

Comando → inventário → situação-alvo → transformação → três portões.

Pegadinha clássica: tornar o texto “mais formal” e, no processo, transformar possibilidade em certeza ou avaliação atribuída em fato.