6. Almoxarifado e armazenamento

Almoxarifado, armazenagem, localização, conservação, slotting, espaço, segurança, sistemas, indicadores e auditoria.

Almoxarifado e armazenamento — revisão rápida

Saldo, endereço, condição e disponibilidade precisam coincidir. Um saldo correto com o material no endereço errado ainda causa busca, separação indevida e falsa ruptura.

1. Qual etapa controla o quê?

ElementoPergunta de prova
AlmoxarifadoUnidade e instalação que recebe, guarda, controla e distribui materiais.
ArmazenagemGuarda, localização, segurança e preservação do material; não é a licitação nem a avaliação contábil.
EstoqueItens e quantidades mantidos para necessidades futuras.
Código × endereçoCódigo identifica qual item; endereço registra onde está cada quantidade, inclusive quando um código ocupa várias posições.

A cadeia de controle é material físico ↔ endereço ↔ registro ↔ documento do movimento. Mover sem registrar rompe a trilha; capturar uma etiqueta não prova a existência ou a condição do conteúdo. Em contingência do sistema, conserve hora do fato, responsável, documento e posterior reconciliação.

Localização fixa reserva posição por item e pode deixar espaço ocioso; dinâmica usa posição compatível disponível e exige atualização a cada movimento; híbrida pode manter separação fixa e reserva dinâmica. “Livre” nunca significa “sem endereço”. Slotting escolhe posição ponderando giro, volume, massa, fragilidade, valor, validade, compatibilidade e acesso. Alto giro costuma aproximar da expedição; carga pesada fica em baixo; incompatível deve ser segregado mesmo com percurso maior.

Acurácia de saldo = itens sem divergência de quantidade ÷ itens verificados; acurácia de localização = itens encontrados no endereço registrado ÷ itens testados. Informe universo e tolerância: 190 de 200 com quantidade correta = 95%, mas 180 de 200 nos endereços corretos = 90%. Um WMS, código de barras ou RFID auxilia captura e rastreio; não substitui conferência e documento.

2. O material pode ser usado?

Conservação previne deterioração: embalagem adequada, ambiente, inspeção, limpeza, proteção contra pragas, dano e furto. Recuperação tenta restabelecer utilidade após avaria, mediante decisão técnica e econômica. Na IN SEDAP nº 205/1988, a recuperação de bem móvel é considerada viável quando a despesa não excede 50% do valor estimado de mercado (item 9.3); isso não obriga o reparo nem cria percentual estadual universal.

Disponibilidade e condição são eixos distintos: íntegro pode estar reservado ou sob inspeção; avariado pode estar bloqueado. Utilizável = físico − unidades indisponíveis distintas, sem descontar duas vezes um lote simultaneamente avariado e bloqueado. Diante de vazamento, vencimento, dano ou dúvida: identifique → interrompa uso inseguro → bloqueie/segregue conforme risco → registre → avalie → decida → libere apenas com decisão registrada. Rotação não autoriza fornecer material impróprio.

Rotação físicaGatilho
PEPSAntiguidade de entrada, orientação da IN nº 205/1988, item 4.1, para evitar envelhecimento.
PVPS (FEFO)Validade mais próxima entre lotes liberados: lote novo pode sair antes do antigo se vencer primeiro.

PEPS físico seleciona o lote real; PEPS contábil atribui uma camada de custo. A coincidência de nomes não prova que a rotação física e a valoração sejam iguais.

3. Qual arranjo evita custo sem gerar risco?

Unitização reúne volumes numa carga de movimentação; paletizar é uma forma, sem aumentar capacidade de piso, estante ou empilhadeira. Duas faces do palete descrevem sua estrutura; duas ou quatro entradas descrevem por onde entram os garfos — dimensões independentes.

OpçãoGanho e limite
Piso ou empilhamento em blocoDensidade possível com cargas homogêneas estáveis; acesso a uma unidade pode exigir remover outras.
Porta-paletes seletivoAcesso direto, com menor densidade relativa.
Drive-inMuitos paletes homogêneos, com acesso/ordem mais restritos.
Flow rackFluxo e rotação ordenados; exige carga compatível e manutenção.
CantileverTubos e perfis; depende de apoio estável.
Verticalização × horizontalizaçãoUsar altura × plano do piso; verticalizar aumenta exigências de estrutura, equipamento, circulação e emergência.

Seletividade é acessar uma carga sem remover outras. Ocupação = posições ocupadas ÷ posições úteis; utilização cúbica = volume ocupado ÷ volume útil e seguro. Área total inclui corredores, docas, inspeção e fuga, que não viram armazenamento. Ocupação alta pode coexistir com espaço perdido em posições parcialmente usadas (honeycombing, perda de capacidade dentro de posição ocupada) e baixa seletividade.

Reserva guarda maior quantidade; picking atende separação frequente; transferência interna deve registrar origem, destino e quantidade. Staging é temporária, sem ocupar corredor de fuga. Cross-docking sincroniza chegada, triagem e saída; não dispensa conferência. Saldo total suficiente com picking vazio pode ser falha de reposição interna, não falta global.

Na movimentação, reduza distância, toques e retornos desnecessários e use carga unitária segura. A capacidade efetiva da empilhadeira depende da geometria e da altura, além do peso: centro de carga afastado do mastro aumenta o momento de tombamento. Verifique placa, manual, piso, palete, estrutura e rota conjuntamente.

4. Qual regra de segurança se aplica?

A IN nº 205/1988 é referência do SISG federal, sem imposição automática ao TCE-MA. Seus cuidados de armazenagem incluem pesados em partes inferiores, materiais sem contato direto com piso, marcação visível e acesso a emergência livre. Para empilhamento, menciona aproximadamente 70 cm do teto e 50 cm das paredes; não substitua por 20 cm nem trate como regra universal de projeto.

Fonte no corte do editalDecisão prática
NR 1, capítulo 1.5 vigente desde 26/5/2026GRO identifica, avalia e controla riscos; PGR contém ao menos inventário de riscos e plano de ação. Priorize eliminação, proteção coletiva, medidas administrativas e, por fim, EPI.
NR 11Carga visível e equipamento conservado; peso armazenado ≤ capacidade calculada do piso; material empilhado afastado ao menos 0,50 m das estruturas laterais; não obstruir circulação, iluminação, combate a incêndio ou saídas. O Anexo I de rochas ornamentais tem alcance específico.
NR 17Avalie peso, pega, postura, frequência, altura e distância; não há peso único seguro para toda tarefa. Em levantamento não eventual capaz de comprometer saúde/segurança, alcance horizontal de pega acima de 60 cm é vedado.
NR 23Incêndio exige legislação estadual e normas técnicas oficiais complementares quando aplicáveis; saídas desobstruídas. No Maranhão, confira Lei nº 11.390/2020 e regras do CBMMA para a edificação.
NR 26Perigo químico, rotulagem e ficha com dados de segurança; cor ou pictograma comunica o risco e não substitui contenção, segregação e treinamento.

Risco e desempenho devem ser lidos juntos: uma estante instável requer tratamento da causa, não apenas EPI; um extintor obstruído não se justifica por ganho de densidade. Mudança de leiaute, demanda ou material pode exigir rever capacidade, circulação, prevenção contra incêndio e risco ocupacional. Registre a condição, sua causa, efeito e evidência para corrigir o processo.