Classes nominais de palavras

Emprego contextual de substantivos, artigos, adjetivos, numerais e pronomes, com classificações, flexões, formas multifuncionais e armadilhas frequentes em concursos.

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Classes nominais de palavras

Como distinguir palavras que aparecem juntas, mas fazem trabalhos diferentes? Todos os exemplos abaixo são hipotéticos.

As duas novas servidoras entregaram seus relatórios.

Servidoras e relatórios nomeiam pessoas e documentos: são substantivos. As apresenta as servidoras como identificáveis: é artigo. Duas conta essas pessoas: é numeral. Novas caracteriza as servidoras: é adjetivo. Seus relaciona os relatórios a quem os possui ou produziu: é pronome.

Em as duas novas servidoras, a palavra central, ou núcleo, é servidoras; as outras delimitam sua referência, quantidade ou característica. O grupo organizado em torno de um nome é um sintagma nominal. A relação entre as palavras permite classificá-las.

1. Nomear e identificar: substantivo e artigo

O substantivo permite tratar como assunto da fala tanto pessoas, objetos e lugares quanto ações, estados, sentimentos e ideias: servidora, relatório, cidade, entrega, repouso, saudade, justiça. Nomear uma ação não transforma a palavra em verbo: a entrega nomeia um acontecimento; entregaram apresenta esse acontecimento situado no tempo.

Classe da palavra e papel na frase

A oração organiza-se em torno de um verbo. Compare As servidoras chegaram e A comissão convocou as servidoras. Servidoras é substantivo nas duas. Na primeira, as servidoras é sujeito, termo sobre o qual se declara algo e com o qual o verbo normalmente concorda. Na segunda, completa convocou: é objeto direto, complemento sem preposição exigida pelo verbo.

A classe gramatical caracteriza a palavra; a função sintática é seu papel na construção. Um pronome também pode ser sujeito: Elas chegaram. Perguntar quem pratica a ação não basta para descobrir a classe.

O artigo orienta a identificação

Uma servidora apresentou um relatório. A servidora pediu prioridade.

Primeiro se introduz uma pessoa; depois se retoma essa pessoa. Os artigos indefinidos são um, uma, uns, umas; os definidos, o, a, os, as. Acompanham o substantivo e indicam gênero — masculino ou feminino — e número — singular ou plural —, mesmo separados dele: as duas novas servidoras.

O definido também pode identificar pela situação ou generalizar uma classe: O cidadão tem responsabilidades. Trocar um por o, portanto, pode mudar a referência. A ausência de artigo também interfere: Procuro servidor experiente não identifica necessariamente a mesma pessoa que Procuro o servidor experiente.

Em A servidora levantou a mão, entende-se a própria mão dela: o artigo tem valor possessivo, mas continua artigo. Em Esperou uns vinte minutos, indica aproximação; em Apresentou umas desculpas!, pode expressar depreciação. Valor de sentido e classe não se confundem.

O artigo pode unir-se à preposição, palavra que liga termos: do relatório reúne de + o; na sala, em + a. A união com redução ou fusão de sons é contração; sem redução, como ao servidor (a + o), é combinação. Em à servidora (a + a), a fusão chama-se crase, assinalada pelo acento grave. Suas condições de emprego são aprofundadas no assunto próprio.

Quando outra palavra passa a nomear

Em o belo, belo não caracteriza um nome expresso: nomeia a beleza como ideia. Em seu não foi definitivo, não nomeia uma resposta negativa. Esse emprego é a substantivação, um caso de derivação imprópria.

O artigo é uma pista, não um teste cego: em o novo relatório, ele acompanha relatório, não transforma novo em substantivo. Compare ainda o brasileiro chegou e o cidadão brasileiro chegou: no primeiro, brasileiro nomeia a pessoa; no segundo, caracteriza cidadão. Um porquê e vários porquês nomeiam motivos e admitem plural.

2. Substantivos: critérios de classificação e variação

As classificações observam, separadamente, o que o nome designa e como foi formado; por isso, podem coexistir. A terminologia tradicional segue a Nomenclatura Gramatical Brasileira, a NGB.

O que o nome designa

Comum é o nome aplicável a seres de uma classe: cidade, servidora. Próprio individualiza por uma denominação particular: São Luís, Ana. A expressão a servidora pode identificar uma pessoa determinada sem que servidora deixe de ser substantivo comum.

Concreto não significa palpável: mesa e anjo designam seres concebidos com existência própria, real ou imaginária. Abstratos, como beleza, leitura e saudade, nomeiam qualidade, ação e sentimento, associados a seres que os apresentam. Também admitem plural: leituras, saudades.

O coletivo nomeia um conjunto por uma forma singular: elenco reúne artistas; alcateia, lobos; enxame, abelhas. Em O elenco chegou, o núcleo do sujeito está no singular; em Os elencos chegaram, há vários conjuntos. Sentido coletivo não obriga o verbo ao plural.

Como o nome é formado

Observe duas perguntas independentes. A palavra procede de outra do português? Se não, é primitiva, como pedra; se sim, é derivada, como pedreira. Quantas bases de significado a formam? Com uma só, é simples, como flor; com mais de uma, é composta, como couve-flor ou girassol. Essas bases são chamadas radicais; escrever tudo junto não torna o composto simples.

Gênero gramatical não é sexo

A flexão é a mudança de forma de uma palavra. Nomes biformes distinguem masculino e feminino pela forma, como servidor/servidora; os uniformes conservam uma forma. Entre estes, distinguem-se três situações:

O que permite a distinçãoClassificaçãoAplicação
A forma é a mesma, mas artigo e adjetivo distinguem o gêneroComum de dois gêneroso estudante atento / a estudante atenta
O nome de pessoa tem um único gênero gramaticalSobrecomuma vítima, a criança, o cônjuge, qualquer que seja o sexo
O nome de animal tem um único gênero gramaticalEpicenoa cobra macho / a cobra fêmea

A testemunha estava nervosa pode referir-se a um homem; acrescentar macho não muda o gênero feminino de cobra. Sexo e gênero gramatical são informações diferentes.

Número e plural dos compostos

Nem sempre o plural muda a forma do substantivo: o lápis/os lápis. Nos compostos, observe a classe dos componentes e sua relação, não apenas o hífen.

Em guarda-chuva, guarda vem do verbo guardar: fica invariável, e pluraliza-se chuva. Em cirurgião-dentista, os dois nomes caracterizam a pessoa, e ambos variam. Se o segundo apenas especifica tipo ou finalidade, pode permanecer no singular. Assim se organizam os padrões principais:

ConstruçãoPlural exemplificado
Componentes nominais variáveiscirurgiões-dentistas, couves-flores, obras-primas
Verbo ou elemento invariável seguido de nomeguarda-chuvas, abaixo-assinados, vice-presidentes
Componentes ligados por preposiçãopés de moleque, mulas sem cabeça: varia o primeiro
Repetição ou imitação de sonsreco-recos, tico-ticos: varia o segundo
Segundo nome especificando o primeiropalavras-chave, salários-família: pode variar só o primeiro

Há variantes: palavras-chaves também é admitido. O VOLP é referência de grafia e classificação de palavras; gramáticas e dicionários esclarecem flexões e variantes.

Tamanho e avaliação

Aumentativo e diminutivo expressam tamanho, afeto, ironia ou depreciação, conforme o contexto: parecerzinho insuficiente favorece desprezo; casinha acolhedora, afeto. A tradição estuda o grau do substantivo, formado por uma expressão (casa pequena) ou alteração da palavra (casinha).

3. Adjetivo: caracterizar não é apenas elogiar

Em relatório claro, claro atribui uma qualidade ao relatório. Em controle financeiro, financeiro relaciona o controle ao campo das finanças. Ambos são adjetivos: o primeiro é qualificativo; o segundo, relacional. Na leitura de relação, muito financeiro não funciona como muito claro, a menos que o contexto dê a financeiro um sentido avaliativo.

O adjetivo também pode indicar estado ou origem. Os de origem geográfica são pátrios ou gentílicos, como maranhense, ludovicense e brasileiro. Quanto à formação, valem os critérios já explicados: claro é primitivo; ensolarado, derivado; brasileiro, simples; luso-brasileiro, composto.

Posição e locução adjetiva

Em um velho amigo, normalmente se destaca a duração da amizade; em um amigo velho, a idade. Algo semelhante ocorre com grande homem/homem grande — notável/de grande porte — e pobre homem/homem pobre — digno de pena/sem recursos. A inversão pode mudar o sentido, não necessariamente a classe. Também há inversões sem essa mudança, como resposta excelente/excelente resposta. Analise o contexto antes de aceitar uma substituição como equivalente.

Mais de uma palavra pode caracterizar o nome: relatório de auditoria, problema sem solução, amor de mãe. O grupo que faz esse trabalho é uma locução adjetiva, geralmente introduzida por preposição. De mãe pode corresponder a materno, mas nem toda locução tem um adjetivo único perfeitamente equivalente.

O valor do conjunto não altera automaticamente a classe de seus componentes. Em anel de ouro, de ouro caracteriza anel, porém ouro continua substantivo. Essa separação evita contar uma locução inteira como se fosse uma única palavra da classe dos adjetivos.

Flexão: a característica acompanha o nome

O adjetivo normalmente acompanha gênero e número do nome: relatório novo/relatórios novos, análise nova/análises novas. Biforme é o que tem formas diferentes para masculino e feminino; uniforme, o que conserva a forma nesses gêneros, como servidor competente/servidora competente. Uniformidade em gênero não impede plural: servidoras competentes.

Nos adjetivos compostos, geralmente varia só o último elemento: acordos luso-brasileiros, relações luso-brasileiras. A exceção tradicional surdo-mudo flexiona ambos: surdos-mudos, surdas-mudas. Cores cujo segundo elemento é substantivo ficam invariáveis: camisas verde-oliva.

Grau: comparar ou intensificar

Compare Este relatório é mais claro que o anterior e Este relatório é muito claro. A primeira compara a mesma qualidade em dois relatórios; a segunda a intensifica sem comparar. No comparativo, há igualdade (tão claro quanto/como), superioridade (mais claro que/do que) ou inferioridade (menos claro que/do que).

O superlativo intensifica a qualidade ou destaca uma posição extrema dentro de um conjunto. É absoluto quando não há conjunto de comparação: muito claro, forma analítica, com mais de uma palavra; claríssimo, forma sintética, em uma palavra. É relativo quando destaca um elemento dentro de um conjunto: o mais claro dos relatórios ou o menos claro dos relatórios.

AdjetivoComparativo sintéticoSuperlativo absoluto irregular
bommelhorótimo
maupiorpéssimo
grandemaiormáximo
pequenomenormínimo

Não se usa mais melhor na norma-padrão. Mas mais bom que habilidoso pode comparar duas qualidades do mesmo ser; não é o mesmo caso que comparar a bondade de duas pessoas. Compare ainda melhor que o anterior e o melhor do grupo: comparação entre elementos e destaque no conjunto, respectivamente.

4. Numeral: contar, ordenar, multiplicar e dividir

O numeral informa quantidade (duas servidoras), posição (segunda servidora), multiplicação (o dobro do prazo) ou parte do todo (meia hora). Dessas operações vêm quatro classes:

OperaçãoClasseExemplos
ContagemCardinalum, duas, cem, mil
Posição em uma sérieOrdinalprimeiro, segunda, vigésimo
MultiplicaçãoMultiplicativodobro, triplo, dupla
Fração do todoFracionáriomeio, terço, quarto

O contexto pode mudar o valor: Já expliquei mil vezes pode ser exagero; enésima vez indica posição não especificada; andar onze usa cardinal para identificar posição.

Quando um é artigo ou numeral

Em Um candidato ainda não identificado chegou, predomina a apresentação de alguém: artigo indefinido. Em Chegou um candidato, não dois, a oposição destaca a quantidade: numeral cardinal. A posição antes do nome, sozinha, não resolve o caso.

O que varia

Um/uma, dois/duas e as centenas de duzentos a novecentos variam em gênero: duzentas páginas. Os ordinais variam em gênero e número: primeiras etapas. Mil permanece invariável em dois mil candidatos; milhão comporta-se como substantivo e admite dois milhões.

Multiplicativos podem acompanhar nomes, como jornadas duplas, ou ter emprego substantivo, como o dobro do valor. Frações distinguem um terço/dois terços. Ambos/ambas equivale a os dois/as duas e é tradicionalmente classificado como numeral.

Em meia hora, meia indica metade e concorda com hora. Em meio de transporte, nomeia um recurso: substantivo. Em servidoras meio cansadas, significa “um pouco”: é advérbio, que intensifica cansadas sem concordar com ele. Não se escreve meias cansadas com esse sentido.

5. Pronome: apontar relações sem nomear novamente

O pronome refere-se às pessoas da comunicação ou acompanha e substitui nomes, indicando posse, localização, indeterminação ou retomada. Em Esta candidata chegou, acompanha o nome: pronome adjetivo. Em Esta chegou, ocupa seu lugar: pronome substantivo. Esta continua demonstrativo; muda o emprego, não a classe.

Pronomes pessoais: pessoas, complementos e tratamento

A primeira pessoa é quem fala (eu/nós); a segunda, com quem se fala (tu/vós); a terceira, de quem ou do que se fala (ele/ela/eles/elas). A forma escolhida também depende do papel na frase: Eu redigi o relatório; A comissão me convocou; A comissão falou de mim.

O pronome eu é reto, usado tipicamente como sujeito; me e mim são oblíquos, usados tipicamente como complementos. Formas átonas apoiam sua pronúncia no verbo; as tônicas têm acento próprio, mesmo sem acento gráfico, como mim.

GrupoFormasEmprego típico
Retoseu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elasSujeito
Oblíquos átonosme, te, se, o/a/os/as, lhe/lhes, nos, vosComplementos ligados ao verbo
Oblíquos tônicosmim, ti, si, ele/ela, nós, vós, eles/elasTermos introduzidos por preposição

Comigo, contigo, consigo, conosco e convosco já incorporam com. Os oblíquos o/a/os/as substituem objeto direto: Li o relatório → Eu o li. Lhe/lhes pode substituir complemento que indica destinatário: Entreguei o relatório à servidora → Entreguei-lhe o relatório. Não são trocas indiferentes.

Em O relatório é para eu redigir, a preposição introduz o trecho inteiro eu redigir: eu é sujeito do infinitivo. Em O relatório foi entregue para mim, mim completa a preposição, sem ser sujeito de outro verbo. Não use “praticar ação” como critério: O relatório foi redigido por mim tem mim, embora a pessoa tenha feito o trabalho.

Há emprego reflexivo quando o complemento se refere ao próprio sujeito: A servidora se observou no espelho — observou a si mesma. Há valor recíproco em As servidoras se cumprimentaram — uma à outra. Nem todo se tem esses valores: em se chover, introduz condição; em arrependeu-se, integra um verbo que exige pronome nesse emprego. Outros usos de se são aprofundados em verbo e estrutura da oração.

Pronomes de tratamento dirigem-se ao interlocutor, mas exigem concordância gramatical de terceira pessoa: Vossa Excelência decidiu; você decidiu. Usa-se Vossa Excelência ao falar com a pessoa e Sua Excelência ao falar dela. Não se confunda a concordância com o protocolo próprio de cada órgão.

Possessivos: quem possui e o que é possuído

Em minhas decisões, há duas informações. Minh- aponta para a primeira pessoa do singular, um possuidor; a forma feminina plural acompanha decisões, o que se apresenta como possuído. Assim, um homem também diz minhas decisões. No uso habitual, nossas decisões indica vários possuidores; a concordância com decisões permanece.

As séries são meu, teu, seu, nosso, vosso, com suas formas femininas e plurais. A posse pode ser material (meu livro), relação pessoal (minha colega), respeito (minha senhora) ou aproximação (seus quarenta anos). Nem todo possessivo indica propriedade material.

Seu/sua pode apontar para diferentes pessoas. Em João informou a Pedro que seu recurso foi aceito, o possuidor pode ser João ou Pedro. O recurso de Pedro fixa uma das leituras; o recurso dele ainda pode ser ambíguo, pois os dois são masculinos.

Demonstrativos: espaço, tempo e texto

Os demonstrativos situam o que é referido. O modelo tradicional organiza este/esta/isto junto de quem fala; esse/essa/isso, junto de quem ouve; aquele/aquela/aquilo, distante de ambos. No tempo, este mês tende a indicar o mês presente; naquele tempo, uma época afastada.

No texto, o demonstrativo pode retomar ou anunciar: A regra mudou. Isso exige atenção retoma a mudança; Isto é essencial: ler a regra inteira anuncia o conteúdo. Retomar é anáfora; antecipar, catáfora. A preferência de esse pela retomada e de este pela antecipação não é exclusividade: localize o trecho referido.

Para distinguir dois elementos já mencionados, a convenção tradicional usa aquele para o primeiro e este para o último: O relatório e a ata chegaram; aquele será revisto, esta será arquivada. Aquele retoma relatório; esta, ata. Essa convenção específica não elimina a variação em outros usos de este/esse.

Isto, isso e aquilo são formas neutras, sem distinção de masculino e feminino, e invariáveis: não acompanham diretamente um substantivo expresso. Diz-se este relatório, não isto relatório. Mesmo e próprio podem ser demonstrativos de identidade ou reforço: a mesma proposta, a própria servidora; a classificação depende do contexto. Em chegou mesmo, mesmo equivale a realmente: é advérbio; em decisão própria, própria pode significar pessoal: adjetivo.

Indefinidos e interrogativos

Os indefinidos apresentam pessoas, coisas ou quantidades sem determinação precisa: alguém, ninguém, algo, nada, tudo, cada, algum, nenhum, muito, pouco, vários, qualquer. Poucos recursos indica quantidade pequena, não exata; nenhum recurso expressa ausência. Qualquer faz plural em quaisquer.

Certo candidato equivale a “algum candidato”: certo é indefinido; candidato certo pode significar “adequado”: adjetivo. Todo país tende a significar qualquer país; todo o país, um país inteiro. Algum recurso afirma a existência de recurso; recurso algum, em construção negativa, equivale a nenhum.

Em bastantes recursos, no sentido de muitos, bastantes é indefinido e acompanha o plural do nome. Em recursos bastantes, no sentido de suficientes, tem valor adjetivo. Em servidoras bastante atentas, intensifica o adjetivo e é advérbio invariável. Muito e pouco também alternam: muitas servidoras quantifica pessoas; servidoras muito atentas intensifica uma característica.

Os interrogativos que, quem, qual e quanto introduzem uma informação procurada: Qual relatório chegou? Na pergunta indireta Não sei qual relatório chegou, permanece a procura da informação, mesmo sem ponto de interrogação. Em O relatório que chegou está completo, porém, que retoma, não pergunta.

Relativos: retomar e ocupar um lugar na oração

Parta de duas frases: Li um relatório. O relatório revelou falhas. É possível ligá-las: Li um relatório que revelou falhas. O pronome relativo que retoma relatório, seu antecedente, e funciona como sujeito de revelou. A oração iniciada pelo relativo caracteriza o antecedente; é uma oração relativa.

Em O relatório que li revelou falhas, que corresponde ao relatório lido: é objeto direto de li, cujo sujeito é eu. Para descobrir a função do relativo, reconstrua a oração com o antecedente.

A reconstrução também recupera preposições. Tratei de um assunto torna-se o assunto de que tratei; referi-me à servidora, a servidora a quem me referi. Essa exigência de ligação, chamada regência, permanece quando se usa o relativo.

Que é invariável e pode retomar pessoas ou coisas; o qual/a qual/os quais/as quais variam; quem refere-se a pessoas ou seres personificados. Cujo liga possuidor e possuído: a autora cujas obras li. As obras são da autora, mas cujas concorda com obras. Não se acrescenta artigo depois de cujo: cujas as obras é inadequado. Uma preposição exigida pelo verbo pode precedê-lo: a autora de cujas obras gosto.

Onde retoma lugar e equivale a em que: a cidade onde moro. Quando a relação exige a, forma-se aonde: a cidade aonde fui. Sem referência a lugar, use a preposição adequada: a decisão de que discordo, não a decisão onde discordo. Quanto também pode ser relativo: tudo quanto foi apresentado.

6. Uma mesma forma não impõe uma única análise

As formas o/a/os/as podem determinar um nome ou funcionar como pronomes:

ExemploPor que recebe essa classificação
A ata chegou.A determina ata: artigo definido.
A comissão a aprovou.O segundo a substitui a ata, objeto de aprovou: pronome pessoal oblíquo átono.
Escolhi a de menor custo.A equivale a aquela: pronome demonstrativo na análise tradicional.
Não entendi o que ocorreu.O equivale a aquilo: demonstrativo; que retoma esse antecedente e é sujeito de ocorreu.

Na última frase, que, não seu antecedente o, é sujeito da oração relativa. Nem todo o que tem a mesma análise: O que você deseja? introduz pergunta.

Para analisar, localize a palavra, identifique o que nomeia ou com que termo se relaciona e então atribua classe, função e sentido. Use a flexão como evidência, não como prova isolada: essas cinco classes são tradicionalmente variáveis, mas mil, isto, alguém, ninguém e quem não variam.

Referências

Programa e terminologia

  • CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS. Edital nº 1 — Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, de 6 de julho de 2026. Programa comum de Língua Portuguesa, item 5.1: emprego das classes de palavras. Recorte de Analista Administração e Técnico-Administrativa. Acesso em: 5 de setembro de 2026.
  • BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Nomenclatura Gramatical Brasileira. Portaria nº 36, de 28 de janeiro de 1959. Terminologia de classificação, flexão e emprego dos pronomes; não substitui as gramáticas na fundamentação de regras de uso. Acesso em: 5 de setembro de 2026.

Gramática, uso e flexões

Fontes digitais consultadas em 5 de setembro de 2026. As descrições tradicionais são utilizadas para a análise gramatical; orientações protocolares e particularidades de uso de outros países não são transplantadas para os cargos do concurso.

Estudos linguísticos

Provas e gabaritos do banco de questões

Cadernos e gabaritos oficiais consultados em 5 de setembro de 2026. Os identificadores abaixo correspondem às questões já existentes neste assunto.

  • CENTRO DE SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS. Supremo Tribunal Federal, Cargo 8 — Revisão de Texto, 15 de dezembro de 2013: caderno STF13_008_17 e gabarito definitivo. Item 55, errado; base da adaptação q280.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, Professor 2 — Língua Portuguesa, 2023, Tipo 4 — Azul: caderno e gabarito definitivo. Questões 47, 51, 54, 56, 62, 66 e 1, correspondentes a q284–q290.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, Técnico de Nível Superior — Redação e Revisão Legislativa (Letras), 2014, Tipo 1 — Branca: caderno e gabarito definitivo. Questões 71 e 73, correspondentes a q291–q292.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Defensoria Pública do Estado de Rondônia, Analista em Redação — Classe A, 2025, Tipo 1 — Branca: caderno e gabarito definitivo. Questões 51 e 65, correspondentes a q293–q294.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, Analista Judiciário — Área Fim, 2026, Tipo 2 — Verde: caderno e gabarito definitivo. Questão 15, correspondente a q295.
  • CENTRO DE SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS. Fundação Universidade de Brasília, Cargo 20 — Revisor de Texto, 2008: caderno FUB_020_21 e gabarito definitivo. Itens 105 e 106, correspondentes a q296–q297.
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