Documentos médico-legais e identificação — revisão rápida
Dois mapas
Documento: exame/fato → registro → análise → conclusão → documento.
Identificação: característica → método → comparação → conclusão de identidade/exclusão.
Documentos médico-legais
A Resolução CFM nº 2.381/2024, alterada pela nº 2.418/2024, usa categorias profissionais atuais.
Atestado
Certifica informação médica para finalidade definida.
Não é automaticamente laudo pericial.
Relatório médico circunstanciado
Resume acompanhamento, evolução, terapêutica e dados clínicos pertinentes.
Relatório médico especializado
Organiza informação médica especializada para finalidade específica, inclusive pericial.
Parecer técnico
Opinião fundamentada sobre questão submetida à análise.
Parecer → consulta/opinião técnica.
Laudo médico-pericial
Documento técnico elaborado pelo médico perito oficial e juntado ao processo correspondente.
Laudo → própria perícia documentada.
Laudo médico
Na terminologia atual do CFM, descreve e conclui sobre exame complementar realizado em paciente.
Taxonomia clássica de concurso
Em classificação tradicional:
- relatório médico-legal → descrição minuciosa da perícia;
- laudo → relatório redigido pelo próprio perito;
- auto → relatório ditado e reduzido a termo.
A banca pode usar essa linguagem mesmo existindo nomenclatura profissional atual.
Sete blocos didáticos do laudo
- preâmbulo;
- quesitos;
- histórico;
- descrição;
- discussão;
- conclusão;
- respostas aos quesitos.
Descrição = o que foi observado.
Discussão = o que os achados significam.
Prontuário
É fonte de registros assistenciais.
Pode alimentar a perícia, mas:
prontuário ≠ conclusão pericial.
Identidade × identificação × reconhecimento
Identidade
Condição/conjunto de características que individualiza a pessoa.
Identificação
Processo técnico para estabelecer ou verificar a identidade.
Reconhecimento
Atribuição baseada em familiaridade, memória ou percepção anterior.
Reconhecimento visual ≠ identificação científica.
O rito do artigo 226 do CPP fica na U093.
Cinco requisitos clássicos
- unicidade → distingue o indivíduo;
- imutabilidade → mantém estabilidade comparativa;
- perenidade → persiste no tempo;
- praticabilidade → pode ser tecnicamente executado;
- classificabilidade → pode ser organizado e pesquisado.
Cebraspe/PC-RO 2022: perenidade + unicidade + praticabilidade + imutabilidade + classificabilidade.
Papiloscopia
Identificação pelas impressões papilares.
Princípios clássicos:
- variabilidade;
- perenidade;
- imutabilidade.
Regiões
- dactiloscopia → dedos;
- quiroscopia → palmas;
- podoscopia → plantas dos pés;
- necropapiloscopia → aplicação a cadáveres/segmentos cadavéricos.
Odontologia Legal
Compara:
- arcada;
- radiografias;
- restaurações;
- próteses;
- tratamentos;
- registros anteriores.
É método primário de identificação nos protocolos estudados.
Genética
Compara perfis de DNA com referência confiável.
Pode usar, conforme o caso:
- referência direta;
- material anterior;
- parentes biológicos.
Poder discriminatório alto ≠ dispensa de amostra adequada e interpretação.
Regime jurídico da identificação criminal genética → U134.
Antropologia Forense
Constrói perfil biológico, estimativa técnica que pode incluir:
- sexo biológico;
- faixa etária;
- estatura;
- outros dados antropológicos.
Ajuda a excluir e reduzir candidatos.
Perfil antropológico não significa, sozinho, identificação positiva.
Identificadores primários
Nos protocolos da INTERPOL:
- impressões digitais;
- odontologia;
- DNA.
Sinais como tatuagens, cicatrizes, implantes e objetos pessoais podem apoiar e correlacionar.
Comparação antes/depois da morte
- dados anteriores à morte → registros conhecidos;
- dados posteriores à morte → achados no cadáver/restos;
- reconciliação → comparação sistemática dos dois conjuntos.
Exemplo:
radiografia odontológica anterior + arcada do cadáver → cotejo técnico.
Semelhança visual não basta.
Escolha do método
Pergunte:
- qual material existe?
- em que estado?
- há referência confiável?
- qual método discrimina melhor?
- resultados convergem ou excluem?
Métodos podem se complementar: perfil → direcionamento → método primário → confirmação.
Fronteiras
- U150: perícia, perito, quesitos e lógica geral do laudo.
- U151: documentos + identidade + métodos.
- U134: Lei nº 12.037/2009, identificação criminal, bancos e coleta genética.
- U093: rito processual do reconhecimento.
Pegadinhas
- identidade = identificação → não;
- reconhecimento = identificação científica → não;
- atestado = laudo pericial → não;
- parecer = laudo → não;
- prontuário = conclusão pericial → não;
- dactiloscopia = pés → não;
- podoscopia = palmas → não;
- perfil antropológico = identificação positiva automática → não;
- odontologia = método apenas secundário → não;
- DNA sem referência/interpretação basta → não.