Mega revisão de Raciocínio Lógico

1. Do comando ao método

Primeiro reconheça o objeto; depois escolha o que precisa demonstrar. Uma distribuição de pessoas, uma linha de tabela-verdade e um diagrama de classes podem representar a mesma tarefa: encontrar situações que satisfaçam todas as premissas e verificar a conclusão.

O comando pede…O que resolveO que ainda não basta
Pode ocorrerUma configuração completa que obedeça a todas as condiçõesUma hipótese parcial ou que desrespeite outra pista
Necessariamente ocorreValer em todas as configurações permitidasAcontecer no primeiro caso encontrado
Não pode ocorrerMostrar que a hipótese sempre viola alguma condiçãoNão ter encontrado um exemplo rapidamente
Argumento dedutivo válidoNão existir caso com todas as premissas verdadeiras e conclusão falsaPremissas ou conclusão parecerem verdadeiras isoladamente
EquivalênciaDuas fórmulas terem o mesmo valor em todas as interpretaçõesAmbas serem verdadeiras em um caso
NegaçãoInverter o valor em todos os casosProduzir uma frase diferente ou mais forte

Havendo ao menos uma configuração admissível, possível inclui o necessário. Algo verdadeiro em todos esses casos também é verdadeiro em algum. Para derrubar uma conclusão necessária, procure um contraexemplo: premissas verdadeiras com a conclusão falsa. Esse mesmo teste serve a argumentos, diagramas e problemas de organização.

Organizar restrições sem inventar relações

EstruturaRepresentação e propagação
OrdemPosições numeradas. “Antes” exige posição menor; “imediatamente antes”, diferença de uma posição. Estar ao lado não é relação transitiva: os vizinhos de uma pessoa podem não ser vizinhos entre si.
Associação um a umTabela de possibilidades. Confirmar um par elimina os outros da mesma linha e coluna; use essa exclusividade somente quando dada.
Grupos e capacidadesMarcar pertencimento e vagas restantes. Estar no mesmo grupo não determina ordem interna.
Falas verdadeiras/falsasFormalizar cada fala e aplicar também a quantidade global de falas verdadeiras. O conteúdo de uma fala não determina sozinho o tipo de seu autor.
Alternativas condicionaisAbrir casos separados, propagar consequências e descartar o caso que gerar contradição. Não misturar conclusões de hipóteses diferentes.

Poucas posições possíveis, vínculos obrigatórios e limites de capacidade costumam restringir mais cedo. Uma solução candidata deve satisfazer simultaneamente todas as pistas.

Quanto apoio a conclusão recebe?

  • Dedução: exige necessidade. Verdade é atributo das proposições; validade, da ligação entre premissas e conclusão. Argumento sólido é válido e tem premissas verdadeiras.
  • Indução: amostra ou frequência apoia conclusão provável; avalie representatividade, tamanho e exceções. “A maioria tem P” não obriga um indivíduo previamente escolhido a ter P.
  • Analogia: transfere uma expectativa entre casos semelhantes; importam as semelhanças relevantes para a conclusão e as diferenças capazes de desfazê-la.

Uma conclusão falsa não identifica sozinha o defeito do argumento; uma conclusão verdadeira também pode ter sido obtida por raciocínio inválido. Sucessão temporal, por si, não estabelece causalidade.

2. Traduzir, negar e testar a conclusão

Uma proposição é uma afirmação que admite valor verdadeiro ou falso. Perguntas e ordens não o admitem; uma frase com variável ainda livre depende da atribuição de um objeto. Proposição simples não contém conectivo proposicional; composta combina proposições. Para nn proposições simples distintas, a tabela-verdade completa tem 2n2^n linhas; letras repetidas não criam novas variáveis.

A condicional conecta linguagem, tabela e argumento

LeituraFormalizaçãoCondição recuperada
Se p, então q; p somente se qp→qp\to qp suficiente para q; q necessária para p
p se qq→pq\to pO trecho depois de “se” é o antecedente
p se, e somente se, qp↔qp\leftrightarrow qAs duas direções valem

Em p→qp\to q, o antecedente p é a hipótese e o consequente q é o que ela exige. A condicional é falsa somente com p verdadeira e q falsa. Com antecedente falso, é verdadeira; isso não afirma causa, sequência temporal nem verdade de q.

Partindo de p→qp\to qConclusão autorizada?
p; logo qSim: modus ponens, afirmar o antecedente
¬q\neg q; logo ¬p\neg pSim: modus tollens, negar o consequente
q; logo pNão: q pode ocorrer sem p
¬p\neg p; logo ¬q\neg qNão: a hipótese ausente não impede q

Também valem o encadeamento p→qp\to q, q→r⇒p→rq\to r\Rightarrow p\to r e, de p∨qp\lor q com ¬p\neg p, a conclusão q. Já p∨qp\lor q com p não permite negar q: o “ou” inclusivo admite ambos.

Valor, equivalência e negação em uma consulta

FórmulaQuando é verdadeiraNegação equivalente
p∧qp\land qAmbas verdadeiras¬p∨¬q\neg p\lor\neg q
p∨qp\lor qAo menos uma verdadeira¬p∧¬q\neg p\land\neg q
p⊕qp\oplus q — “ou” exclusivoExatamente uma verdadeirap↔qp\leftrightarrow q
p→qp\to qExceto p verdadeira e q falsap∧¬qp\land\neg q
p↔qp\leftrightarrow qValores iguaisp⊕qp\oplus q
p→q≡¬p∨q≡¬q→¬p.p\to q\equiv\neg p\lor q\equiv\neg q\to\neg p.

A última forma é a contrapositiva, que inverte e nega as duas partes. Ela preserva a condicional; sua negação é p∧¬qp\land\neg q. Trocar somente a ordem produz a conversa q→pq\to p, e negar sem trocar produz a inversa ¬p→¬q\neg p\to\neg q: estas duas são equivalentes entre si, mas não equivalem em geral à original.

Para reorganizar fórmulas: dupla negação elimina-se; ∧\land e ∨\lor são comutativos e associativos e distribuem-se um sobre o outro: p∧(q∨r)≡(p∧q)∨(p∧r)p\land(q\lor r)\equiv(p\land q)\lor(p\land r), e vale a forma com ∧/∨\land/\lor trocados. A condicional não permite a troca da ordem em geral. Preserve parênteses: negar a fórmula inteira difere de negar uma parcela.

Tautologia é verdadeira em todas as linhas; contradição, falsa em todas; contingência, verdadeira em algumas e falsa em outras. Satisfatível significa verdadeira em pelo menos uma interpretação.

A mesma negação em três linguagens

LinguagemTroca que acompanha a negação
Proposições — leis de De Morgan¬(p∧q)≡¬p∨¬q\neg(p\land q)\equiv\neg p\lor\neg q; ¬(p∨q)≡¬p∧¬q\neg(p\lor q)\equiv\neg p\land\neg q
Conjuntos — complemento no mesmo universo(A∩B)c=Ac∪Bc(A\cap B)^c=A^c\cup B^c; (A∪B)c=Ac∩Bc(A\cup B)^c=A^c\cap B^c
Quantificadores — todos/existe¬∀x P(x)≡∃x ¬P(x)\neg\forall x\,P(x)\equiv\exists x\,\neg P(x); ¬∃x P(x)≡∀x ¬P(x)\neg\exists x\,P(x)\equiv\forall x\,\neg P(x)

Negar “todos” pede uma exceção; negar “algum” elimina todas as ocorrências. “Algum” significa pelo menos um e não exclui que sejam todos.

Classes, quantificadores e diagramas

Na tabela, A(x)A(x) significa “x pertence à classe A”. O domínio é o conjunto de objetos sobre os quais se quantifica.

AfirmaçãoFórmulaRegião impostaNegação
Todo A é B∀x(A(x)→B(x))\forall x(A(x)\to B(x))A⊆BA\subseteq BAlgum A não é B
Nenhum A é B∀x(A(x)→¬B(x))\forall x(A(x)\to\neg B(x))A∩B=∅A\cap B=\varnothingAlgum A é B
Algum A é B∃x(A(x)∧B(x))\exists x(A(x)\land B(x))Interseção ocupadaNenhum A é B
Algum A não é B∃x(A(x)∧¬B(x))\exists x(A(x)\land\neg B(x))A∖BA\setminus B ocupadaTodo A é B

Universal de classe não cria indivíduo. Na lógica clássica de primeira ordem, o domínio é não vazio, mas A pode ser vazio. De “todo A é B” não se conclui “algum A é B” sem existência de A. “Nenhum A é B” e “algum A é B” admitem troca de A/B; “todo A é B” e “algum A não é B” não admitem essa troca em geral.

No diagrama, marque região vazia e existência conhecida; região sem marca não é necessariamente ocupada. Se a premissa deixa mais de um desenho possível, a conclusão necessária precisa sobreviver a todos. Duas afirmações “algum” podem se referir a pessoas diferentes: de algum A ser B e algum B ser C não se segue que algum A seja C.

Escopo e dependência dos quantificadores

  • Termo nomeia objeto: constante, variável ou aplicação de função. Predicado afirma propriedade/relação e, com os argumentos interpretados, recebe valor lógico; função retorna objeto. A aridade é o número de argumentos exigidos.
  • Uma ocorrência de variável está ligada se está sob o quantificador que a rege; caso contrário, está livre. Uma fórmula sem variáveis livres é uma sentença. Renomear variável ligada exige preservar o escopo e evitar captura, quando uma ocorrência antes livre passa a ser ligada.
  • ∀x∃y R(x,y)\forall x\exists y\,R(x,y): cada x tem algum y, que pode variar. ∃y∀x R(x,y)\exists y\forall x\,R(x,y): existe um mesmo y que serve a todos os x. A segunda implica a primeira; a recíproca não vale em geral. “Um mesmo” não significa “único”.
  • Quantificadores consecutivos do mesmo tipo podem trocar de ordem. Ao negar uma sequência de quantificadores, troque cada ∀/∃\forall/\exists alcançado pela negação e negue o escopo restante, conservando a ordem.
  • Distribuições válidas: ∀x(P(x)∧Q(x))≡(∀xP(x))∧(∀xQ(x))\forall x(P(x)\land Q(x))\equiv(\forall xP(x))\land(\forall xQ(x)) e ∃x(P(x)∨Q(x))≡(∃xP(x))∨(∃xQ(x))\exists x(P(x)\lor Q(x))\equiv(\exists xP(x))\lor(\exists xQ(x)). Em geral, ∀\forall não se distribui sobre ∨\lor; dois existenciais separados tampouco garantem um mesmo objeto para uma conjunção.
  • De ∀xP(x)\forall xP(x) pode-se concluir P(a)P(a) para um objeto a do domínio; de ∃xP(x)\exists xP(x) não se conclui que um objeto a previamente escolhido satisfaça P.

3. Da região à contagem e à probabilidade

Defina o que distingue dois resultados. Conjunto não muda pela ordem nem pela repetição de elementos; sequência pode mudar com a ordem; numa matriz, a posição é parte do dado. x∈Ax\in A relaciona elemento e conjunto; A⊆BA\subseteq B, dois conjuntos. O vazio é subconjunto de qualquer conjunto, mas não é automaticamente elemento dele. Dois conjuntos são iguais quando possuem os mesmos elementos.

Traduzir antes de contar

ExpressãoRegião no universo U
A ou B; pelo menos umA∪BA\cup B — inclui a interseção
A e B; ambosA∩BA\cap B
A, mas não BA∖B=A∩BcA\setminus B=A\cap B^c
Exatamente um dos dois(A∖B)∪(B∖A)(A\setminus B)\cup(B\setminus A) — diferença simétrica
Nenhum dos dois(A∪B)c(A\cup B)^c
Não ambos(A∩B)c(A\cap B)^c — admite um só e também nenhum

Para conjuntos finitos, ∣A∣\lvert A\rvert é a quantidade de elementos distintos. Inclusão-exclusão corrige sobreposições:

∣A∪B∣=∣A∣+∣B∣−∣A∩B∣.\lvert A\cup B\rvert=\lvert A\rvert+\lvert B\rvert-\lvert A\cap B\rvert.

Com três conjuntos, some os três totais, subtraia as três interseções de pares e recoloque a interseção tripla. Cada interseção de par inclui a tripla, salvo se o enunciado disser “somente”. Preencha o diagrama do centro para fora; a parte externa é o total do universo menos a união.

Para contar exatamente dois entre A, B e C, some as três interseções de pares e subtraia três vezes a tripla. Para pelo menos dois, subtraia duas vezes a tripla. O critério muda a região, mesmo quando os dados são iguais.

Restrições primeiro; fórmula depois

Somam-se casos disjuntos, sem resultados comuns. Multiplicam-se as opções de etapas sucessivas quando cada percurso tem as quantidades indicadas; se o número de escolhas seguintes varia, separe os casos. Esse princípio de contagem não exige independência probabilística. Na tabela, os parâmetros são inteiros não negativos, com as condições adicionais indicadas.

SituaçãoNúmero e condição
Ordenar n objetos distintosn!n!; por convenção, 0!=10!=1
Escolher e ordenar k entre n distintos, sem repetirn!/(n−k)!n!/(n-k)!, com 0≤k≤n0\le k\le n
Escolher k entre n distintos, sem ordenar nem repetir(nk)=n!/[k!(n−k)!]\binom nk=n!/[k!(n-k)!], com 0≤k≤n0\le k\le n
Escolher k unidades entre n tipos, repetindo sem ordenar(n+k−1k)\binom{n+k-1}{k}, com n≥1n\ge1
Preencher k posições com n opções por posição, repetição livrenkn^k, com n≥1n\ge1
Ordenar n objetos com grupos de indistinguíveisn!/(n1!⋯nr!)n!/(n_1!\cdots n_r!), sendo ∑ni=n\sum n_i=n
Dispor n distintos em círculo(n−1)!(n-1)!, com n≥1n\ge1, quando só rotações são equivalentes; lugares marcados e reflexões mudam o modelo

Se pessoas devem ficar juntas, trate-as como bloco e conte a ordem interna permitida. Para números, zero não pode ocupar a primeira posição. Para “pelo menos um”, o complemento “nenhum” pode encurtar a conta.

Casa dos pombos: distribuir N objetos em k caixas, com k inteiro positivo, garante alguma caixa com pelo menos ⌈N/k⌉\lceil N/k\rceil objetos, o menor inteiro não inferior a N/kN/k. Para forçar alguma caixa a atingir r objetos, com r inteiro positivo, bastam k(r−1)+1k(r-1)+1. A garantia é de existência: não identifica qual caixa nem afirma ocupação exata.

Quando contar dá uma probabilidade?

O espaço amostral Ω\Omega reúne resultados possíveis; evento é um subconjunto. Em espaço finito equiprovável, com resultados de mesma chance:

P(A)=∣A∣∣Ω∣.P(A)=\frac{\lvert A\rvert}{\lvert\Omega\rvert}.

Sem equiprobabilidade, some as probabilidades dos resultados favoráveis. Duas somas numéricas possíveis, por exemplo, podem corresponder a quantidades diferentes de pares ordenados.

Operação ou hipóteseRegra
ComplementoP(Ac)=1−P(A)P(A^c)=1-P(A)
UniãoP(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B)P(A\cup B)=P(A)+P(B)-P(A\cap B)
Dado que B ocorreuP(A∣B)=P(A∩B)/P(B)P(A\mid B)=P(A\cap B)/P(B), com P(B)>0P(B)>0
Etapas dependentesP(A∩B)=P(B)P(A∣B)P(A\cap B)=P(B)P(A\mid B), com P(B)>0P(B)>0
A e B independentesP(A∩B)=P(A)P(B)P(A\cap B)=P(A)P(B); conhecer um não altera a chance do outro, quando a condicional está definida

Eventos mutuamente exclusivos não ocorrem juntos. Se ambos têm probabilidade positiva, exclusão e independência não podem coexistir. Retirada sem reposição modifica a composição; com reposição, a composição é restaurada, mas a independência ainda depende do mecanismo de sorteio e dos eventos considerados.

Em n tentativas independentes com chance p constante, a probabilidade de pelo menos um sucesso é 1−(1−p)n1-(1-p)^n. Como controle da conta, a interseção não excede o menor conjunto/evento; a união não excede o universo/probabilidade 1. Se a soma dos dois totais ultrapassa o universo, alguma sobreposição é obrigatória.

Se B1,…,BkB_1,\ldots,B_k formam uma partição, casos disjuntos que cobrem o espaço, e têm probabilidades positivas:

P(A)=∑iP(Bi)P(A∣Bi),P(Bj∣A)=P(Bj)P(A∣Bj)∑iP(Bi)P(A∣Bi).P(A)=\sum_i P(B_i)P(A\mid B_i), \qquad P(B_j\mid A)=\frac{P(B_j)P(A\mid B_j)}{\sum_iP(B_i)P(A\mid B_i)}.

A segunda fórmula, regra de Bayes, exige ainda P(A)>0P(A)>0: a informação A passa a definir a base da comparação. P(A∣B)P(A\mid B) e P(B∣A)P(B\mid A) respondem a perguntas diferentes.

4. Base, pesos e taxas: a ponte quantitativa

“De qual total?” une porcentagem, probabilidade condicional, juros e médias. “O que permanece constante?” decide proporção, trabalho conjunto, mistura e movimento.

ProblemaModelo que preserva a base
Proporção diretay=kxy=kx: razão constante
Proporção inversaxy=kxy=k: produto constante; aumentar uma e diminuir outra não basta para provar o modelo
Dividir T na razão a:b:cPesos a,b,ca,b,c; cada parte é T vezes seu peso dividido pela soma. Na divisão inversa, use os recíprocos dos pesos positivos.
Aumento/desconto de p%Multiplicar por 1+p/1001+p/100 ou 1−p/1001-p/100. Para desfazer, dividir pelo fator, quando não nulo.
Mudanças sucessivasMultiplicar os fatores; aumento de 20% seguido de redução de 20% dá fator 1,2×0,8=0,961{,}2\times0{,}8=0{,}96
Variação de uma taxaDe 40% a 50%: 10 pontos percentuais; aumento relativo de 10/40=25%10/40=25\%

Juros: identificar o capital antes da taxa

Com capital C, taxa decimal i por período e n períodos na mesma unidade:

RegimeMontante MJuros J
Simples — incidência sempre em CM=C(1+in)M=C(1+in)J=CinJ=Cin
Compostos — incidência no saldo acumuladoM=C(1+i)nM=C(1+i)^nJ=M−CJ=M-C

Em compra com entrada, o capital financiado é o preço à vista menos a entrada. Se o restante é quitado por uma única parcela futura, compare essa parcela com o saldo financiado. Dividir o encargo pelo preço integral muda a taxa. Não misture meses com taxa anual sem converter segundo o regime e as condições do problema.

Soma ponderada: média, mistura e matriz

xˉ=∑iwixi∑iwi,∑iwi>0.\bar x=\frac{\sum_iw_ix_i}{\sum_iw_i},\qquad \sum_iw_i>0.

Os pesos wiw_i são não negativos e representam frequências, tamanhos ou participações. Média simples usa pesos iguais; para reunir médias de grupos, seus tamanhos são os pesos. Em mistura de volumes aditivos, sem perda do componente, a concentração final é (c1V1+c2V2)/(V1+V2)(c_1V_1+c_2V_2)/(V_1+V_2): conserva-se a quantidade cVcV do componente, não a média simples das concentrações.

Em tabela de quantidades Q por setor/produto e vetor-coluna p de preços, Qp é a soma ponderada dos custos por setor; não se divide pela soma dos pesos porque o pedido é total. O mesmo raciocínio “multiplicar correspondentes e somar” aparece no produto matricial.

Taxa e tempo; solução e contexto

  • Trabalho uniforme: quem realiza uma tarefa em t unidades de tempo tem taxa 1/t1/t. Agentes simultâneos somam taxas quando mantêm as produtividades assumidas; entradas e saídas de reservatório usam sinais opostos.
  • Movimento uniforme: d=vtd=vt. Velocidade média é distância total/tempo total. Em aproximação em sentidos opostos, somam-se velocidades; perseguição no mesmo sentido usa a diferença. Com tempos iguais, pode-se usar a média aritmética das velocidades.
  • Mais trabalhadores reduzem o tempo inversamente se quantidade de trabalho, jornada e produtividade individual forem mantidas. Verifique a hipótese antes de montar regra de três.
  • Idades avançam pelo mesmo intervalo, preservando diferenças. Número de dois algarismos é 10x+y10x+y, com x≠0x\ne0; inverter algarismos produz 10y+x10y+x. Solução de equação ainda deve respeitar positividade, integralidade e limites do enunciado.
  • Divisão inteira: a=bq+ra=bq+r, com divisor positivo b e 0≤r<b0\le r<b. Ciclos usam resto, mas resto zero pode apontar para a última posição de uma numeração iniciada em 1.
  • MMC recupera coincidência de ciclos que começam juntos; MDC, maior medida comum que divide quantidades sem sobra. Se os ciclos têm inícios diferentes, considere também esse deslocamento.
  • Em sequências, teste diferenças, razões, alternância e regra de recorrência, na qual um termo depende de anteriores. A regra deve explicar todos os dados pertinentes; poucos termos não determinam uma continuação única sem restrições adicionais.

5. Dimensão e escala: o cálculo tem de medir o que foi pedido

O desenho sugere uma organização; paralelismo, perpendicularidade e medidas precisam ser dados ou demonstrados. Antes da conta, distinga contorno, superfície e espaço ocupado.

PedidoRecuperação e condição
ÂngulosComplementares somam 90∘90^\circ; suplementares, 180∘180^\circ; opostos pelo vértice são iguais. Em paralelas cortadas por transversal, correspondentes e alternos são iguais; colaterais são suplementares.
TriânguloÂngulos internos somam 180∘180^\circ. Com lados positivos e c o maior, exige-se c<a+bc<a+b. Pitágoras c2=a2+b2c^2=a^2+b^2 exige ângulo reto, sendo c a hipotenusa, lado oposto a esse ângulo.
Polígono simples de n ladosSoma interna (n−2)180∘(n-2)180^\circ, com n≥3n\ge3. Num polígono regular convexo, divida por n para o ângulo interno.
PerímetroSoma dos segmentos da fronteira. Em figura composta, bordas internas comuns não entram; recortes podem aumentar o contorno enquanto reduzem a área.
ÁreaRetângulo abab; paralelogramo bhbh; triângulo bh/2bh/2; trapézio (B+b)h/2(B+b)h/2; losango Dd/2Dd/2, com D e d diagonais. Altura h é perpendicular à base. Decomponha sem dupla contagem ou subtraia recortes.
Circunferência e círculoDiâmetro 2r2r; comprimento 2πr2\pi r; área πr2\pi r^2. Arco e setor correspondentes a ângulo central θ\theta em graus usam a fração θ/360∘\theta/360^\circ do comprimento e da área, respectivamente.
Tangência e coroa circularCircunferências tangentes externamente têm distância entre centros r1+r2r_1+r_2. Coroa entre círculos concêntricos de raios R>rR>r tem área π(R2−r2)\pi(R^2-r^2), não π(R−r)2\pi(R-r)^2.
VolumePrisma/cilindro: AbhA_bh; pirâmide/cone: Abh/3A_bh/3, com AbA_b área da base e h altura perpendicular. No cilindro/cone circular, Ab=πr2A_b=\pi r^2; no paralelepípedo retângulo, V=abcV=abc.
Área de superfícieSome somente as faces existentes. Prisma reto: lateral PbhP_bh, com PbP_b perímetro da base; cilindro circular reto: lateral 2πrh2\pi rh. Acrescente as bases efetivamente presentes.

A razão linear controla outras dimensões

Figuras semelhantes preservam ângulos e têm medidas lineares correspondentes proporcionais. Se a passagem da figura 1 para a 2 multiplica comprimentos por k>0k>0, multiplica perímetros por k, áreas por k2k^2 e volumes por k3k^3. Tales exige paralelismo e correspondência correta dos segmentos.

Na escala desenho:real = 1:n, passar do desenho ao real multiplica comprimentos por n e áreas por n2n^2; volumes de modelos semelhantes, por n3n^3. O sentido inverso divide pelos mesmos fatores.

Ponte com taxas: num cone reto invertido, com base horizontal e vértice para baixo, a água até altura h forma cone semelhante ao total de altura H; assim, a fração do volume é (h/H)3(h/H)^3. Com vazão constante, o tempo para acrescentar líquido é proporcional ao volume acrescentado. Ao encher desde vazio, atingir metade da altura não consome metade do tempo total; num prisma de seção horizontal constante, a relação altura/volume é linear.

Unidade linear elevada ao quadrado vira área; ao cubo, volume:

1 m=100 cm,1 m2=10 000 cm2,1 m3=1 000 000 cm3=1 000 L.1\,\mathrm{m}=100\,\mathrm{cm},\quad 1\,\mathrm{m}^2=10\,000\,\mathrm{cm}^2,\quad 1\,\mathrm{m}^3=1\,000\,000\,\mathrm{cm}^3=1\,000\,\mathrm{L}. 1 L=1 dm3=1 000 cm3,1 m/s=3,6 km/h.1\,\mathrm{L}=1\,\mathrm{dm}^3=1\,000\,\mathrm{cm}^3,\qquad 1\,\mathrm{m/s}=3{,}6\,\mathrm{km/h}.

Uma hora contém 60 minutos: duas horas e quinze minutos são 2,252{,}25 horas. Converta antes de combinar medidas.

6. Matrizes: posições, restrições e composição

Em Am×nA_{m\times n}, m conta linhas e n conta colunas; aija_{ij} ocupa linha i, coluna j. Rotule eixos e unidades. Padrão em quadro pede uma regra que explique as posições relevantes; operação matricial tem definição própria.

DecisãoRecuperação
Regra por casosPrimeiro compare os índices, por exemplo i<ji<j, i=ji=j, i>ji>j; depois aplique a fórmula daquele caso. Não confunda índice com valor da entrada.
Contar entradas com uma propriedadeConte pares (i,j)(i,j) dentro de 1≤i≤m1\le i\le m, 1≤j≤n1\le j\le n. Uma condição sobre i−ji-j seleciona posições; respeite os limites de linhas e colunas.
Igualdade, soma e subtraçãoExigem mesma ordem; compare/opere entradas correspondentes. Igualdade pode produzir equações simultâneas para as incógnitas.
Escalar — número que multiplica a matrizMultiplica todas as entradas. Aumento de 10% produz 1,10A1{,}10A; o acréscimo sozinho é 0,10A0{,}10A.
TranspostaATA^T troca linhas e colunas: (AT)ij=aji(A^T)_{ij}=a_{ji}; ordem m×nm\times n passa a n×mn\times m.
ProdutoAm×nBn×pA_{m\times n}B_{n\times p} existe e tem ordem m×pm\times p. Cada entrada é linha da primeira vezes coluna da segunda, somando os produtos.
(AB)ij=∑k=1naikbkj.(AB)_{ij}=\sum_{k=1}^{n}a_{ik}b_{kj}.

Dimensões internas coincidem; externas dão a ordem final. O produto não é feito posição a posição. Em geral, AB≠BAAB\ne BA, e AB existir não garante que BA exista. A matriz identidade tem 1 na diagonal principal e 0 nas demais entradas; com ordens compatíveis, AI=AAI=A e IA=AIA=A. Potência A2=AAA^2=AA exige matriz quadrada.

Na aplicação a vetores-coluna, o fator mais à direita atua primeiro: ABx=A(Bx)ABx=A(Bx). A ordem representa etapas do processo. Em Qp, por exemplo, quantidades por produto combinam-se com preços por produto para dar custos por setor; rótulos e unidades confirmam o produto adequado.

Quadros com somas de linhas/colunas e números distintos retomam as estruturas lógicas: todas essas condições valem juntas. Propague as somas e exclua valores já usados somente se a distinção for exigida.

Última decisão antes de marcar

Traduzi a força do comando? Possível ou necessário; algum ou todos; “não ambos” ou nenhum. Fixei a base? Universo condicionado, capital financiado, soma dos pesos. Respeitei as hipóteses? Ordem/repetição, independência, paralelismo, ângulo reto, dimensões matriciais. Voltei ao enunciado? A configuração e o resultado precisam satisfazer todas as condições, com unidade e sentido corretos.

Abrangência

Referências

Recorte e documentos do concurso

Documentação conferida em 22–23/09/2026. Consulta, data do ato e publicação são datas distintas. Os cortes e decisões comuns estão registrados no arquivo da campanha; não há atualização legislativa a projetar sobre as regras matemáticas desta revisão. O índice dinâmico da banca não forneceu relação integral extraível de atos posteriores: a conferência acima não equivale a certificar sua inexistência.

Fundamentos e relações entre os assuntos

Provas usadas como contraprova

Texto, comando, alternativas ou julgamento e gabarito definitivo dos itens abaixo foram conferidos em 23/09/2026. A seleção verifica distinções e relações da revisão; não representa revalidação externa integral de todos os bancos. Não foram acrescentadas questões anteriores.

  • Fundação Getulio Vargas. Banco do Estado do Espírito Santo, Técnico Bancário, 2023, tipo 1, questão 21. Caderno e gabarito definitivo. Verdade necessária de uma proposição versus mera compatibilidade de uma atribuição.
  • Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos. Polícia Civil de Rondônia, Técnico em Necropsia, 2022, questões 17–18. Caderno e gabarito definitivo. Mesma condicional sob comandos de negação e equivalência.
  • Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos. Câmara dos Deputados, Policial Legislativo, 2026, item 42. Caderno e gabarito definitivo. Negação de condicional com quantificação existencial.
  • Fundação Getulio Vargas. Tribunal de Justiça de Roraima, Analista Judiciário — Estatística, 2024, tipo 1, questões 39 e 41. Caderno e gabarito definitivo, versão 3. Pares ordenados equiprováveis, união/interseção e independência.
  • Fundação Getulio Vargas. Senado Federal, Advogado, 2022, tipo 2, questão 17. Caderno e gabarito definitivo. Relação entre semelhança, volume em cone e vazão constante.
  • Fundação Getulio Vargas. Vitória, Analista em Gestão Pública — Administrador, 2024, tipo 1, questão 20. Caderno e gabarito definitivo. Contagem de posições de matriz a partir dos índices e de seus limites.