Mega revisão de Raciocínio Lógico

Esta revisão integra os dez assuntos comuns de Raciocínio Lógico dos cargos de Analista Administração e Técnico-Administrativa do TCE/MA 2026. O corte principal é o Edital nº 1, de 6 de julho de 2026, considerado com a consolidação decorrente da retificação de 29 de julho de 2026, que não modificou este bloco.

O fio condutor da prova é menos “decorar fórmulas” e mais controlar cinco decisões: o que está sendo representado, qual regra foi realmente dada, qual operação preserva essa regra, que tipo de conclusão se pede e como conferir o resultado. Antes de calcular, identifique o objeto: cenário de restrições, argumento, fórmula, classe, conjunto, contagem, evento probabilístico, grandeza geométrica ou matriz.

Disciplina de resolução: traduza sem fortalecer nem enfraquecer o enunciado; preserve escopos e unidades; não crie existência, exclusividade, proporcionalidade, paralelismo, independência ou capacidade que não tenham sido informados; ao final, teste todas as condições originais.

1. Estruturas lógicas

Estruturas lógicas organizam pessoas, objetos, lugares, tarefas ou eventos em um universo finito submetido a condições. O enunciado fornece elementos, possibilidades e restrições; a solução é uma configuração completa que satisfaz todas elas simultaneamente.

1.1. Traduza a condição antes de montar o quadro

Linguagem do enunciadoLeitura operacional
A antes de BA ocupa posição anterior; pode haver intervalo
A imediatamente antes de Bbloco orientado [A B]
A ao lado de B[A B] ou [B A]
A com Bmesmo grupo, salvo regra específica
A sem Bgrupos distintos
se A, então Bocorrendo A, B deve ocorrer
A somente se BA exige B; B é necessário para A
somente A pode fazer Xse X ocorrer, o agente será A; não afirma que X ocorrerá
exatamente knem menos nem mais que k
pelo menos kk ou mais
no máximo kde zero a k
A ou B, mas não ambosexatamente um dos dois

Três distinções eliminam muitos erros:

  • precedência não é adjacência: A < B não forma automaticamente [A B];
  • adjacência não fixa direção: “A ao lado de B” admite duas orientações;
  • condição necessária não é suficiente: de A → B não se conclui B → A.

1.2. Escolha uma representação que exponha as restrições

Estrutura do problemaRepresentação útil
fila, classificação, agendaposições numeradas
pessoa × setor × datagrade de associação
equipes, salas, turnoscaixas com capacidades
chefia, dependência, precedênciasetas com direção definida
poucas alternativas residuaisárvore curta de casos

Em uma associação um a um, confirmar Lia = TI fecha simultaneamente a linha de Lia e a coluna de TI: eliminam-se outros setores para Lia e TI para as demais pessoas. Em agrupamentos, registre antes de distribuir a capacidade, o mínimo, o máximo, os pares obrigatórios, as incompatibilidades e as condicionais.

1.3. Propagação: cada informação deve produzir consequências

Após uma atribuição ou exclusão:

  1. elimine opções incompatíveis;
  2. feche linha, coluna ou caixa cuja capacidade foi atingida;
  3. reserve vagas para mínimos ainda não satisfeitos;
  4. reaplique regras condicionais ativadas;
  5. procure elemento com única opção e opção que só cabe em um elemento;
  6. verifique cadeias de precedência e impossibilidades de encaixe.

Se A < B, B < C e C < A, surgiu um ciclo impossível. Se uma equipe de duas pessoas já contém um par obrigatório, ela está completa. Se três elementos só podem ocupar duas posições exclusivas, o ramo é inviável.

1.4. Quando abrir casos

Abra casos apenas quando a propagação direta parar e houver poucas alternativas relevantes. Cada ramo conserva todas as regras originais. Uma contradição descarta o ramo inteiro; não autoriza flexibilizar a condição que produziu a contradição.

Exemplo: quatro pessoas ocupam as posições 1 a 4. A está antes de B; C está ao lado de A; D não ocupa a posição 4. Testar a orientação [C A] e depois [A C] é legítimo. Presumir que C fica imediatamente depois de A sem examinar a outra orientação não é.

1.5. “Pode”, “deve” e “não pode” exigem provas diferentes

ComandoProva adequada
pode ser verdadeirouma configuração completa válida em que ocorra
deve ser verdadeiroocorre em todas as configurações; tente construir contraexemplo
não pode ser verdadeiroassumir a alternativa conduz inevitavelmente a contradição
solução únicatodas as demais configurações foram eliminadas

Uma solução encontrada prova existência, não necessidade nem unicidade. Uma disposição parcial aparentemente promissora não prova possibilidade: ela ainda pode tornar-se incompatível ao completar as posições.

1.6. Armadilhas de maior rendimento

  • completar lacunas com “bom senso”;
  • interpretar “antes” como “imediatamente antes”;
  • ler “pelo menos” como “exatamente”;
  • inverter A → B;
  • transformar uma exclusão isolada em atribuição;
  • ignorar capacidade ou mínimo ao avançar um ramo;
  • tratar relação não transitiva como transitiva;
  • encontrar um exemplo e concluir “deve”;
  • preencher o quadro e deixar de reler uma condição negativa.

2. Lógica de argumentação, analogias, inferências, deduções e conclusões

Um argumento apresenta uma ou mais afirmações como razões para aceitar outra. Premissa é a razão, conclusão é a tese apoiada e inferência é a passagem das premissas à conclusão. O texto pode conter conclusão intermediária, que encerra um passo e passa a funcionar como premissa do seguinte.

2.1. Reconheça a função, não apenas a palavra

“Logo”, “portanto” e “assim” costumam anunciar conclusão; “porque”, “pois” e “já que” costumam introduzir razão. São indícios, não regras mecânicas. A conclusão pode aparecer antes das premissas, e um texto pode argumentar sem marcador explícito.

Diferencie:

  • relato: organiza fatos, sem um deles sustentar outro;
  • explicação: toma um fato como aceito e mostra por que ocorreu;
  • opinião isolada: apresenta posição sem razão;
  • argumento: oferece razões para que uma tese seja aceita.

A frase “o portal ficou lento porque houve pico de acessos” é explicação se a lentidão já está admitida. Pode funcionar como argumento se a própria existência da lentidão estiver em disputa e o pico for oferecido como evidência.

2.2. Pressupostos e estrutura do apoio

Premissas podem ser:

  • ligadas: precisam atuar juntas;
  • independentes: cada uma oferece apoio próprio;
  • encadeadas: uma conclusão intermediária sustenta o passo posterior.

Um pressuposto é uma ponte não expressa. Em “Rui domina o sistema, logo deve ministrar o treinamento”, falta uma regra que ligue domínio técnico a aptidão para ensinar. Ao reconstruí-la, não acrescente tudo o que tornaria o argumento convincente; escolha apenas a ponte compatível com o texto e necessária ao apoio pretendido.

2.3. Verdade, validade e solidez

ConceitoObjeto avaliadoPergunta correta
verdade/falsidadeafirmaçãoseu conteúdo corresponde ao caso considerado?
validade/invalidadeargumento dedutivopremissas verdadeiras poderiam coexistir com conclusão falsa?
solidezargumento dedutivoé válido e tem premissas verdadeiras?

Premissa falsa não torna automaticamente o argumento inválido. Conclusão verdadeira não torna automaticamente o argumento válido. Um argumento válido com alguma premissa falsa não é sólido; um argumento sólido tem conclusão verdadeira.

Para refutar validade dedutiva, basta um contraexemplo coerente no qual todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão, falsa. Não é preciso que o cenário tenha ocorrido no mundo real; ele precisa ser compatível com as premissas.

2.4. Dedução, indução e analogia

TipoPretensãoTeste principal
deduçãoa conclusão é necessária dadas as premissasprocure contraexemplo
induçãoa conclusão é provávelexamine base, representatividade e alcance
analogiatransfere expectativa entre casos semelhantesprocure diferença relevante

Na indução, poucos casos, seleção enviesada e conclusão universal enfraquecem o apoio. Uma amostra ampla, relevante e representativa o fortalece, mas não transforma a conclusão em necessidade lógica.

Na analogia, quantidade de semelhanças não basta. Uma única diferença ligada ao mecanismo responsável pelo resultado pode ser decisiva. Duas unidades usarem o mesmo sistema é pouco informativo se uma delas está sujeita a restrição operacional que impede justamente a prática cujo efeito se pretende transferir.

2.5. Conclusão necessária, provável e possível

  • necessária: não pode ser falsa se as premissas forem verdadeiras;
  • provável: recebe apoio relevante, mas pode falhar;
  • possível: ainda não foi excluída.

Possibilidade não implica probabilidade, e probabilidade não implica necessidade. A linguagem da conclusão deve ser proporcional ao apoio: “pode”, “provavelmente”, “sempre” e “necessariamente” não são intercambiáveis.

2.6. Padrões condicionais

Considere A → B.

Premissas adicionaisConclusãoAvaliação
ABválida — afirmação do antecedente
¬B¬Aválida — negação do consequente
BAinválida — afirmação do consequente
¬A¬Binválida — negação do antecedente

Se “processo urgente recebe prioridade” e P é urgente, segue que P recebe prioridade. Se P recebeu prioridade, não se conclui que era urgente: outra regra pode justificar a prioridade.

2.7. Relevância e suficiência

Uma razão pode ser irrelevante (“a proposta é popular, logo é legal”) ou relevante, porém insuficiente (“dois usuários reclamaram, logo todos rejeitam o serviço”). Primeiro verifique se a razão toca a propriedade afirmada; depois, se sustenta a extensão e a força da conclusão.

3. Proposições simples e compostas e tabelas-verdade

Na lógica proposicional clássica, uma proposição é uma afirmação declarativa que, em contexto definido, recebe exatamente um valor: verdadeiro ou falso. Não é necessário que o candidato conheça esse valor para reconhecer a proposição.

Perguntas, ordens e exclamações sem conteúdo declarativo não recebem V/F. Uma sentença como x + 2 = 7, sem valor atribuído a x, é aberta; pode tornar-se proposição quando a variável for substituída ou quantificada.

3.1. Simples, composta e conectivo principal

Proposição simples é tratada como unidade. Proposição composta combina proposições por conectivos. Em uma fórmula aninhada, o conectivo principal é o executado por último; os parênteses definem o agrupamento.

OperaçãoFormaQuando é verdadeira
negação¬p\neg pquando pp é falsa
conjunçãopqp\land qsomente em V/V
disjunção inclusivapqp\lor qquando ao menos uma é V
disjunção exclusivapqp\oplus qquando exatamente uma é V
condicionalpqp\to qem todos os casos, exceto V/F
bicondicionalpqp\leftrightarrow qquando os valores são iguais

O “ou” simples é inclusivo, salvo marca de exclusividade. “Mas”, “embora” e construções equivalentes normalmente preservam a regra de verdade da conjunção, apesar da diferença discursiva.

3.2. Condicional: a linha crítica

A condicional p → q é falsa apenas quando o antecedente ocorre e o consequente não. Ela não exige relação causal ou temporal.

ppqqpqp\to q
VVV
VFF
FVV
FFV

Em p → q:

  • p é condição suficiente para q;
  • q é condição necessária para p.
LinguagemForma
se p, então qpqp\to q
p implica qpqp\to q
p é suficiente para qpqp\to q
q é necessário para ppqp\to q
p somente se qpqp\to q
p se qqpq\to p

“Somente se” aponta para o lado necessário da seta. “Rui será nomeado se aprovado” faz a aprovação suficiente; “Rui será nomeado somente se aprovado” faz a aprovação necessária.

3.3. Bicondicional e exclusiva

A bicondicional é verdadeira quando os lados coincidem; a exclusiva, quando divergem:

Valores de pp e qqpqp\leftrightarrow qpqp\oplus q
iguaisVF
diferentesFV

A bicondicional expressa necessidade e suficiência recíprocas. A exclusiva afirma exatamente uma verdade, não “ao menos uma”.

3.4. Tabelas-verdade

Se há n proposições simples distintas, a tabela completa possui:

2n2^n

linhas. Repetir a mesma letra não aumenta n. Monte primeiro todas as atribuições e depois calcule subfórmulas de dentro para fora.

Para três letras, por exemplo, uma enumeração possível é:

ppqqrr
VVV
VVF
VFV
VFF
FVV
FVF
FFV
FFF

A ordem pode variar, desde que cada combinação apareça uma vez.

Atalhos seguros:

  • uma parcela F derruba a conjunção;
  • uma parcela V garante a disjunção inclusiva;
  • antecedente F ou consequente V garante a condicional;
  • na bicondicional, compare igualdade; na exclusiva, diferença.

3.5. Tautologia, contradição e contingência

Coluna finalClassificação
somente Vtautologia
somente Fcontradição
ao menos um V e um Fcontingência

Uma linha F basta para mostrar que a fórmula não é tautologia, mas não basta para chamá-la de contradição. Uma linha V basta para mostrar que não é contradição, mas não prova tautologia.

3.6. Erros recorrentes

  • chamar ordem ou pergunta de “proposição falsa”;
  • contar ocorrências, não letras distintas;
  • presumir que todo “ou” é exclusivo;
  • declarar F → F falsa;
  • esquecer que F ↔ F é verdadeira;
  • inverter “se” e “somente se”;
  • desprezar parênteses e alcance da negação;
  • classificar pela observação de uma única linha.

4. Equivalências, leis de De Morgan e diagramas lógicos

Duas fórmulas são equivalentes quando têm o mesmo valor em todas as atribuições. Uma linha coincidente não prova equivalência; uma linha divergente a refuta. Equivalentemente, P ↔ Q deve ser tautológica.

4.1. Equivalências indispensáveis

ExpressãoForma equivalente
¬¬p\neg\neg ppp
pqp\to q¬pq\neg p\lor q
pqp\to q¬q¬p\neg q\to\neg p
¬(pq)\neg(p\to q)p¬qp\land\neg q
pqp\leftrightarrow q(pq)(qp)(p\to q)\land(q\to p)
pqp\leftrightarrow q(pq)(¬p¬q)(p\land q)\lor(\neg p\land\neg q)
¬(pq)\neg(p\leftrightarrow q)(p¬q)(¬pq)(p\land\neg q)\lor(\neg p\land q)

A contrapositiva de p → q é ¬q → ¬p e é equivalente à original. A conversa q → p e a inversa ¬p → ¬q não são equivalentes em geral.

4.2. Leis algébricas úteis

ppp,pppp\land p\equiv p, \qquad p\lor p\equiv p p¬p,p¬pp\lor\neg p\equiv\top, \qquad p\land\neg p\equiv\bot p(pq)p,p(pq)pp\lor(p\land q)\equiv p, \qquad p\land(p\lor q)\equiv p p(qr)(pq)(pr)p\land(q\lor r) \equiv (p\land q)\lor(p\land r) p(qr)(pq)(pr)p\lor(q\land r) \equiv (p\lor q)\land(p\lor r)

Ao substituir uma subfórmula por equivalente, preserve parênteses e alcance. Equivalência não autoriza “cancelar” letras ou trocar conectivos por semelhança visual.

4.3. De Morgan

¬(pq)¬p¬q\neg(p\land q) \equiv \neg p\lor\neg q ¬(pq)¬p¬q\neg(p\lor q) \equiv \neg p\land\neg q

A operação tem dois movimentos inseparáveis: negar cada parcela e trocar e por ou, ou ou por e.

Frase originalNegação correta
Ana assinou e Bruno publicouAna não assinou ou Bruno não publicou
Ana assinou ou Bruno publicouAna não assinou e Bruno não publicou
todos os requisitos foram atendidospelo menos um requisito não foi atendido
algum requisito foi atendidonenhum requisito foi atendido

“Nem p nem q” corresponde a ¬p ∧ ¬q, isto é, à negação de p ∨ q.

4.4. Roteiro de transformação

  1. fixe o conectivo principal;
  2. preserve os agrupamentos;
  3. elimine ou quando isso simplificar;
  4. leve a negação para dentro, aplicando De Morgan;
  5. elimine duplas negações;
  6. procure complementos, identidade, absorção e distributividade;
  7. se necessário, confira por tabela-verdade ou por atribuição divergente.

4.5. Diagramas lógicos de classes

Nos diagramas, regiões representam classes. Uma convenção operacional frequente é:

  • região hachurada: vazia;
  • X: existe ao menos um objeto naquela região;
  • região em branco: existência não determinada;
  • X sobre uma fronteira: existe objeto, mas a sub-região exata ainda não foi determinada.
Forma categóricaLeitura de classe
todo A é Ba parte de A fora de B é vazia
nenhum A é BABA\cap B é vazia
algum A é BX em ABA\cap B
algum A não é BX em ABA\setminus B

As negações formam pares:

AfirmaçãoNegação
todo A é Balgum A não é B
nenhum A é Balgum A é B
algum A é Bnenhum A é B
algum A não é Btodo A é B

Premissa universal restringe regiões, mas não cria automaticamente existência da classe-sujeito. De “todo auditor é servidor” não se conclui, sem informação existencial, que exista auditor.

4.6. Inferências diagramáticas

  • se ABA\subseteq B e BCB\subseteq C, então ACA\subseteq C;
  • se todo A é B e algum A é C, então algum B é C;
  • se todo A é B e algum B é C, não é obrigatório que algum A seja C;
  • se todo A é B e nenhum B é C, então nenhum A é C;
  • se algum A é B e nenhum B é C, então algum A não é C.

Para três classes, lance primeiro as restrições universais e depois os objetos existenciais. Não posicione um X numa sub-região apenas para favorecer a conclusão quando duas posições permanecem admissíveis.

5. Lógica de primeira ordem

A lógica de primeira ordem abre a estrutura interna das afirmações. Em vez de tratar “todo servidor é agente público” como letra indivisível, explicita objetos, propriedades, relações e quantificadores.

5.1. Linguagem e semântica

ElementoFunção
domínioconjunto não vazio de objetos considerados
constantenomeia um objeto
variávelocupa o lugar de um objeto
funçãorecebe objetos e devolve objeto
predicadoatribui propriedade ou relação
aridadenúmero de argumentos exigidos
igualdadeidentidade entre objetos designados

f(a) é termo; P(f(a)) é fórmula. Predicado binário R(x,y) não pode ser usado como R(x) sem redefinição. Constantes diferentes podem nomear o mesmo objeto, salvo premissa de desigualdade.

5.2. Quantificadores, escopo e variáveis

  • ∀x P(x): todo objeto do domínio satisfaz P;
  • ∃x P(x): ao menos um objeto do domínio satisfaz P.

Existencial não significa “exatamente um” nem “algum, mas não todos”. O escopo do quantificador determina quais ocorrências da variável ficam ligadas. Fórmula sem variável livre é uma sentença; fórmula aberta depende também de uma atribuição.

5.3. Traduções categóricas

PortuguêsFórmula
todo A é Bx(A(x)B(x))\forall x(A(x)\to B(x))
nenhum A é Bx(A(x)¬B(x))\forall x(A(x)\to\neg B(x))
algum A é Bx(A(x)B(x))\exists x(A(x)\land B(x))
algum A não é Bx(A(x)¬B(x))\exists x(A(x)\land\neg B(x))

Universal restrita usa implicação; existencial restrita usa conjunção.

∀x(A(x) ∧ B(x)) diria que todo objeto do domínio é A e B, não apenas que todo A é B. ∃x(A(x) → B(x)) pode ser satisfeita por um objeto que nem sequer seja A e, por isso, não traduz corretamente “algum A é B”.

“Somente servidores acessam” significa:

x(Acessa(x)Servidor(x)).\forall x(Acessa(x)\to Servidor(x)).

Não afirma que todo servidor acessa.

5.4. Negação de quantificadores

¬xφ(x)x¬φ(x)\neg\forall x\,\varphi(x) \equiv \exists x\,\neg\varphi(x) ¬xφ(x)x¬φ(x)\neg\exists x\,\varphi(x) \equiv \forall x\,\neg\varphi(x)

Assim:

¬x(A(x)B(x))x(A(x)¬B(x)).\neg\forall x(A(x)\to B(x)) \equiv \exists x(A(x)\land\neg B(x)).

Negar “todos” produz um contraexemplo existencial; não produz “nenhum”. Para negar quantificadores sucessivos, troque cada quantificador e negue o escopo:

¬xyR(x,y)xy¬R(x,y).\neg\forall x\exists y\,R(x,y) \equiv \exists x\forall y\,\neg R(x,y).

5.5. Ordem dos quantificadores

xyR(x,y)\forall x\exists y\,R(x,y)

permite um y diferente para cada x. Já

yxR(x,y)\exists y\forall x\,R(x,y)

exige um mesmo y que funcione para todos. Em geral, essas fórmulas não são equivalentes.

Quantificadores consecutivos do mesmo tipo podem trocar de ordem; quantificadores mistos, em geral, não.

5.6. Existência, modelos e contramodelos

O domínio global é não vazio, mas uma classe definida por predicado pode ser vazia. Portanto:

x(A(x)B(x))\forall x(A(x)\to B(x))

não implica ∃x A(x).

Uma fórmula é:

  • satisfatível se verdadeira em algum modelo;
  • válida se verdadeira em todos os modelos admissíveis;
  • insatisfatível se não há modelo que a torne verdadeira.

Para refutar consequência lógica, construa um contramodelo com premissas verdadeiras e conclusão falsa. De ∃xP(x) e ∃xQ(x) não segue ∃x(P(x) ∧ Q(x)): os testemunhos podem ser objetos diferentes.

5.7. Inferências elementares

  • de ∀x P(x), pode-se obter P(a) para objeto designado;
  • de P(a), segue ∃x P(x);
  • de ∃x P(x), não se conclui P(a) para constante arbitrariamente escolhida;
  • de P(a) para um indivíduo específico, não segue ∀x P(x);
  • de ∀x(A→B), ∀x(B→C) e ∃xA, segue ∃xC.

6. Princípios de contagem e probabilidade

O erro mais caro é escolher a fórmula antes de definir o que conta como resultado diferente. Pergunte se há alternativas ou etapas, se a ordem importa, se todos os objetos serão usados, se há repetição, se posições têm restrições e se rotações são equivalentes.

6.1. Mapa de decisão da contagem

EstruturaFerramenta inicial
alternativas disjuntassomar
etapas sucessivasmultiplicar
ordenar todos os objetos distintospermutação
escolher parte e a ordem importaarranjo
escolher parte e a ordem não importacombinação
objetos repetidos e indistinguíveisdividir pelos fatoriais das repetições
escolha com repetição, sem ordemcombinação com repetição
disposição circular sem lugar marcadopermutação circular

6.2. Fórmulas básicas

0!=1,Pn=n!0!=1, \qquad P_n=n! An,p=n!(np)!A_{n,p}=\frac{n!}{(n-p)!} (np)=n!p!(np)!\binom np=\frac{n!}{p!(n-p)!} An,p=(np)p!A_{n,p}=\binom np\,p!

Com repetições de multiplicidades a1,,ara_1,\ldots,a_r:

n!a1!ar!.\frac{n!}{a_1!\cdots a_r!}.

Em círculo, quando apenas rotações são equivalentes:

(n1)!.(n-1)!.

Escolhendo p unidades entre n tipos, com repetição e sem ordem:

(n+p1p).\binom{n+p-1}{p}.

6.3. Restrições

  • juntos: trate o grupo como bloco e conte sua ordem interna;
  • separados: use lacunas ou total menos casos adjacentes;
  • posição fixa: retire objeto e posição antes de permutar;
  • algarismo inicial: zero não pode iniciar numeral comum;
  • cópias iguais: trocá-las não cria novo arranjo;
  • círculo: rotação não cria nova disposição; reflexão continua distinta, salvo regra contrária.

Para “pelo menos um”, o complemento “nenhum” costuma ser mais simples:

N(desejado)=N(total)N(nenhum).N(\text{desejado})=N(\text{total})-N(\text{nenhum}).

6.4. Inclusão-exclusão e casa dos pombos

AB=A+BAB|A\cup B|=|A|+|B|-|A\cap B| ABC=A+B+CABACBC+ABC.|A\cup B\cup C| =|A|+|B|+|C| -|A\cap B|-|A\cap C|-|B\cap C| +|A\cap B\cap C|.

Ao distribuir N objetos em r caixas, alguma caixa contém ao menos:

Nr\left\lceil\frac Nr\right\rceil

objetos. O princípio garante existência, não identifica a caixa.

6.5. Espaço amostral e probabilidade

Evento é subconjunto do espaço amostral. Em espaço finito com resultados elementares equiprováveis:

P(A)=AΩ.P(A)=\frac{|A|}{|\Omega|}.

Não use essa razão quando os resultados elementares têm pesos diferentes. Dois dados honestos distinguíveis geram 36 pares ordenados equiprováveis; as somas de 2 a 12 não são equiprováveis.

Propriedades:

0P(A)1,P(Ac)=1P(A)0\le P(A)\le1, \qquad P(A^c)=1-P(A) P(AB)=P(A)+P(B)P(AB).P(A\cup B) =P(A)+P(B)-P(A\cap B).

Se os eventos são mutuamente exclusivos, a interseção é vazia e as probabilidades somam.

6.6. Condicionamento, produto e independência

Para P(B)>0:

P(AB)=P(AB)P(B).P(A\mid B)=\frac{P(A\cap B)}{P(B)}.

Logo:

P(AB)=P(AB)P(B).P(A\cap B)=P(A\mid B)P(B).

Eventos são independentes quando:

P(AB)=P(A)P(B).P(A\cap B)=P(A)P(B).

Quando a condicional está definida, isso equivale a P(A|B)=P(A). Exclusão mútua não é independência: eventos mutuamente exclusivos com probabilidades positivas são dependentes, porque a ocorrência de um elimina o outro.

Sem reposição, a composição e o denominador normalmente mudam. Com reposição, a composição é restaurada. Em n tentativas independentes, cada uma com sucesso de probabilidade p:

P(ao menos um sucesso)=1(1p)n.P(\text{ao menos um sucesso})=1-(1-p)^n.

6.7. Probabilidade total e Bayes

Se B₁,...,Bₖ formam partição do espaço:

P(A)=i=1kP(ABi)P(Bi).P(A)=\sum_{i=1}^{k}P(A\mid B_i)P(B_i).

Para inverter o condicionamento:

P(BjA)=P(ABj)P(Bj)iP(ABi)P(Bi).P(B_j\mid A) = \frac{P(A\mid B_j)P(B_j)} {\sum_iP(A\mid B_i)P(B_i)}.

A taxa-base P(B_j) não desaparece. Em geral, P(A|B) e P(B|A) são diferentes.

7. Operações com conjuntos

Antes de operar, identifique o universo e diferencie pertinência de inclusão.

  • x ∈ A: x é elemento de A;
  • A ⊆ B: todo elemento de A está em B;
  • |A|: número de elementos distintos de A.

A ordem e a repetição não alteram um conjunto. O vazio tem cardinalidade zero, mas {∅} tem um elemento. Além disso, ∅ ⊆ A para todo A; isso não significa ∅ ∈ A.

7.1. Operações e linguagem

LinguagemRegião/expressão
A ou B, inclusive ambosABA\cup B
A e BABA\cap B
A, mas não BABA\setminus B
não A, dentro do universoAc=UAA^c=U\setminus A
exatamente um entre A e BABA\triangle B
nenhum dos dois(AB)c(A\cup B)^c
não ambos(AB)c(A\cap B)^c

A diferença não é comutativa. O complemento depende do universo. “Nenhum” e “não ambos” não são iguais: o primeiro exclui toda a união; o segundo admite pertencer exatamente a um.

7.2. Leis essenciais

AA=A,AA=AA\cup A=A, \qquad A\cap A=A A=A,AU=AA\cup\varnothing=A, \qquad A\cap U=A AU=U,A=A\cup U=U, \qquad A\cap\varnothing=\varnothing A(AB)=A,A(AB)=AA\cup(A\cap B)=A, \qquad A\cap(A\cup B)=A A(BC)=(AB)(AC)A\cap(B\cup C)=(A\cap B)\cup(A\cap C) A(BC)=(AB)(AC).A\cup(B\cap C)=(A\cup B)\cap(A\cup C).

De Morgan para conjuntos:

(AB)c=AcBc(A\cup B)^c=A^c\cap B^c (AB)c=AcBc.(A\cap B)^c=A^c\cup B^c.

É o mesmo padrão estrutural da lógica proposicional: complementar cada parcela e trocar união por interseção.

7.3. Cardinalidade de dois conjuntos

AB=A+BAB.|A\cup B|=|A|+|B|-|A\cap B|. AB=AAB.|A\setminus B|=|A|-|A\cap B|. AB=A+B2AB.|A\triangle B| =|A|+|B|-2|A\cap B|. (AB)c=UAB.|(A\cup B)^c|=|U|-|A\cup B|.

Limites úteis:

max(0,A+BU)ABmin(A,B).\max(0,|A|+|B|-|U|) \le |A\cap B| \le \min(|A|,|B|).

7.4. Três conjuntos

Preencha o diagrama do centro para fora:

  1. interseção tripla;
  2. regiões de exatamente dois;
  3. regiões exclusivas;
  4. região externa à união.

A informação |A ∩ B| inclui quem também pertence a C. Para obter “A e B, mas não C”, subtraia a tripla.

A cardinalidade de quem pertence a pelo menos dois dos três é:

AB+AC+BC2ABC.|A\cap B|+|A\cap C|+|B\cap C| -2|A\cap B\cap C|.

A tripla aparece três vezes na soma inicial e deve terminar contada uma vez.

7.5. Conferências

Todas as regiões devem ser não negativas, a soma não pode ultrapassar o universo e os totais marginais precisam ser reconstituídos. Se algum cálculo gera região negativa, a tradução ou os dados usados são incompatíveis.

8. Problemas aritméticos

Em problemas aritméticos, a principal habilidade é converter o texto em relações numéricas preservando bases, unidades e restrições. Defina a incógnita, indique sua unidade e só então escreva a equação.

8.1. Frações, múltiplos e restos

“Fração de uma quantidade” indica multiplicação. Se a fração incide sobre o restante, a base mudou. Gastar 1/3 de um valor e depois 1/4 do restante não equivale a gastar 1/3 + 1/4 do valor inicial.

Use:

  • MMC em coincidência de ciclos;
  • MDC em maior agrupamento idêntico sem sobra;
  • divisão euclidiana em problemas de restos:
n=dq+r,0r<d.n=dq+r, \qquad 0\le r<d.

8.2. Razão, proporção e regra de três

a:b=ab,ab=cdad=bc.a:b=\frac ab, \qquad \frac ab=\frac cd\Longleftrightarrow ad=bc.

Proporcionalidade direta: y=kx. Proporcionalidade inversa: xy=k. Não basta observar que uma grandeza aumentou enquanto a outra diminuiu; a constância precisa decorrer do modelo.

Regra de três organiza proporcionalidade já justificada. Em produção, costuma ser mais seguro calcular a taxa por agente e por unidade de tempo.

Na divisão direta de total T na razão a:b:c:

x=Taa+b+c,y=Tba+b+c,z=Tca+b+c.x=T\frac{a}{a+b+c}, \quad y=T\frac{b}{a+b+c}, \quad z=T\frac{c}{a+b+c}.

Na divisão inversamente proporcional, use os recíprocos como pesos.

8.3. Porcentagem e base de comparação

Aumento de p% aplica fator 1+p/100; desconto aplica 1-p/100.

Vf=V0(1±p100).V_f=V_0\left(1\pm\frac p{100}\right).

Para desfazer a operação, divida pelo fator aplicado. Percentuais sucessivos multiplicam fatores:

Vf=V0f1f2.V_f=V_0f_1f_2\cdots.

Aumentar 20% e reduzir 20% produz 1,2 × 0,8 = 0,96, redução líquida de 4%. Passar de 40% para 50% representa 10 pontos percentuais e aumento relativo de 25%.

8.4. Médias

xˉ=xin,xˉp=wixiwi.\bar x=\frac{\sum x_i}{n}, \qquad \bar x_p=\frac{\sum w_ix_i}{\sum w_i}.

Ao reunir grupos de tamanhos diferentes, seus tamanhos são pesos; não tire média simples das médias. Velocidade média é sempre distância total dividida por tempo total. Para duas distâncias iguais percorridas a velocidades v₁ e v₂:

vm=2v1v2v1+v2.v_m=\frac{2v_1v_2}{v_1+v_2}.

8.5. Equações, idades e algarismos

Traduza cada relação. Se dois números somam S e diferem por D:

maior=S+D2,menor=SD2.\text{maior}=\frac{S+D}{2}, \qquad \text{menor}=\frac{S-D}{2}.

Número de dois algarismos com dezena x e unidade y é 10x+y; invertido, 10y+x. Em idades, todos avançam o mesmo intervalo, por isso a diferença entre idades permanece constante.

Soluções algébricas negativas, fracionárias ou fora de faixa devem ser confrontadas com o contexto: uma raiz correta da equação pode ser inadmissível no problema.

8.6. Taxa × tempo

Muitos problemas obedecem a:

quantidade=taxa×tempo.\text{quantidade}=\text{taxa}\times\text{tempo}.
  • trabalho: quem conclui uma tarefa em t unidades de tempo tem taxa 1/t da tarefa por unidade;
  • agentes simultâneos: sob hipóteses comparáveis, somam-se as taxas;
  • vazão: entradas somam e saídas subtraem;
  • movimento uniforme: d=vt; em aproximação por sentidos opostos, somam-se velocidades; em perseguição no mesmo sentido, usa-se a diferença.

Mais trabalhadores só reduzem proporcionalmente o tempo quando trabalho, jornada e produtividade individual permanecem comparáveis.

8.7. Misturas e unidades

Se concentração decimal é c e volume é V, a quantidade da substância é cV. Em mistura de duas soluções com volumes aditivos:

cf=c1V1+c2V2V1+V2.c_f=\frac{c_1V_1+c_2V_2}{V_1+V_2}.

Adicionar água conserva o soluto; adicionar soluto puro altera numerador e volume total.

Converta unidades antes de combinar grandezas. Relações frequentes:

  • 1 h = 60 min = 3 600 s;
  • 1 km = 1 000 m;
  • 1 kg = 1 000 g;
  • 1 L = 1 000 mL;
  • 1 m/s = 3,6 km/h.

Duas horas e quinze minutos correspondem a 2,25 h, não 2,15 h.

8.8. Padrões numéricos

Teste diferenças, razões, alternância, dependência da posição e recorrência informada. Não force progressão aritmética ou geométrica porque os primeiros termos admitem esse ajuste; a regra deve explicar o conjunto relevante dos dados.

9. Problemas geométricos

O desenho organiza, mas não prova propriedades. Paralelismo, perpendicularidade, congruência e medidas precisam estar dados ou decorrer de teorema aplicável. Antes da fórmula, determine se se pede comprimento, ângulo, perímetro, área, volume ou capacidade.

9.1. Ângulos e triângulos

  • complementares somam 90°;
  • suplementares somam 180°;
  • opostos pelo vértice são iguais;
  • ao redor de um ponto, a soma é 360°.

Com duas paralelas cortadas por transversal, ângulos correspondentes e alternos são iguais, e colaterais são suplementares. Sem paralelismo, essas relações não estão garantidas.

Em triângulo:

α+β+γ=180.\alpha+\beta+\gamma=180^\circ.

Se c é o maior lado, existe triângulo não degenerado quando:

c<a+b.c<a+b.

Pitágoras exige triângulo retângulo:

a2+b2=c2.a^2+b^2=c^2.

9.2. Semelhança, Tales e escala

Em figuras semelhantes com razão linear k:

L2L1=k,A2A1=k2,V2V1=k3.\frac{L_2}{L_1}=k, \qquad \frac{A_2}{A_1}=k^2, \qquad \frac{V_2}{V_1}=k^3.

Tales exige paralelismo e correspondência coerente dos segmentos. Escala 1:n multiplica comprimentos por n, áreas por e volumes por .

9.3. Perímetros e áreas

FiguraÁrea
quadradol2l^2
retânguloabab
paralelogramobhbh
triângulobh2\frac{bh}{2}
trapézio(B+b)h2\frac{(B+b)h}{2}
losangoDd2\frac{Dd}{2}

A altura é perpendicular à base. Em figura composta, decomponha sem sobrepor partes ou calcule uma região maior e subtraia recortes. Perímetro usa unidade linear; área, unidade quadrada.

Para polígono de n lados, a soma dos ângulos internos é:

(n2)180.(n-2)180^\circ.

9.4. Circunferência e círculo

d=2r,C=2πr,A=πr2.d=2r, \qquad C=2\pi r, \qquad A=\pi r^2.

Para ângulo central θ em graus:

Larco=θ3602πr,Asetor=θ360πr2.L_{arco}=\frac{\theta}{360^\circ}2\pi r, \qquad A_{setor}=\frac{\theta}{360^\circ}\pi r^2.

Coroa circular:

A=π(R2r2).A=\pi(R^2-r^2).

Não confunda R²-r² com (R-r)² nem comprimento da circunferência com área do círculo.

9.5. Volumes e capacidade

SólidoVolume
prismaAbhA_bh
paralelepípedoabcabc
cubol3l^3
cilindroπr2h\pi r^2h
pirâmideAbh3\frac{A_bh}{3}
coneπr2h3\frac{\pi r^2h}{3}

Com mesma base e altura, cone tem um terço do volume do cilindro; pirâmide, um terço do prisma. Em problema de material, conte apenas as faces existentes: caixa sem tampa não inclui a face superior.

9.6. Conversões dimensionais

Se 1 m = 100 cm:

1 m2=10000 cm2,1 m3=1000000 cm3.1\text{ m}^2=10\,000\text{ cm}^2, \qquad 1\text{ m}^3=1\,000\,000\text{ cm}^3. 1 L=1 dm3=1000 cm3,1 m3=1000 L.1\text{ L}=1\text{ dm}^3=1\,000\text{ cm}^3, \qquad 1\text{ m}^3=1\,000\text{ L}.

O fator linear deve ser elevado ao quadrado para áreas e ao cubo para volumes.

10. Problemas matriciais

Uma matriz é uma disposição retangular; o significado vem dos rótulos e unidades de linhas e colunas. Em A_{m×n}, m é o número de linhas e n, o de colunas. O elemento a_{ij} está na linha i, coluna j.

Antes de operar, decida se a questão apresenta um padrão em quadro ou uma operação matricial. Em padrões, teste regra por linhas, colunas e, quando justificado, diagonais; uma regra que explica apenas uma posição não está confirmada.

10.1. Igualdade, soma e escalar

Duas matrizes são iguais quando têm a mesma ordem e elementos correspondentes iguais. Soma e subtração exigem mesma ordem e operam posição a posição:

(A+B)ij=aij+bij.(A+B)_{ij}=a_{ij}+b_{ij}.

Multiplicação por escalar aplica o fator a todos os elementos. Aumento uniforme de 10% produz 1,10A; 0,10A representa apenas o acréscimo.

10.2. Transposta

(AT)ij=aji.(A^T)_{ij}=a_{ji}.

A transposta troca linhas por colunas e transforma ordem m×n em n×m. Em uma tabela, pode trocar a leitura “setores × produtos” por “produtos × setores”, sem alterar arbitrariamente os valores.

10.3. Produto matricial

Se:

Am×nBn×p,A_{m\times n}B_{n\times p},

então AB existe e tem ordem m×p. Cada entrada combina uma linha da primeira matriz com uma coluna da segunda:

cij=k=1naikbkj.c_{ij}=\sum_{k=1}^{n}a_{ik}b_{kj}.

As dimensões internas devem coincidir; as externas formam a ordem do resultado:

(m×n)(n×p)m×p.(m\times\cancel n)(\cancel n\times p)\longrightarrow m\times p.

Produto matricial não é multiplicação posição a posição. Em geral, AB ≠ BA; a existência de AB nem sequer garante a existência de BA.

10.4. Modelagem

Se linhas representam setores, colunas representam materiais, Q contém quantidades e p é vetor coluna de preços unitários, Qp fornece o custo total de cada setor. A unidade ajuda a validar:

quantidade×valorunidade=valor.\text{quantidade}\times\frac{\text{valor}}{\text{unidade}}=\text{valor}.

Em composição de etapas, o fator da direita atua primeiro. Trocar a ordem pode inverter o processo ou tornar o produto indefinido.

10.5. Limite do recorte

Determinantes, matriz inversa, escalonamento e resolução geral de sistemas lineares não foram nomeados no item “problemas matriciais” deste edital. Só devem aparecer se o próprio enunciado fornecer uma aplicação elementar indispensável; não são eixo autônomo da revisão.

Revisão cruzada: distinções que atravessam o programa

Condicional em três níveis

  • estrutura lógica: A → B restringe configurações;
  • argumentação: permite modus ponens e modus tollens, não conversa nem inversa;
  • lógica proposicional: é falsa apenas em V/F e equivale a ¬A ∨ B.

De Morgan em três linguagens

ContextoRegra
proposiçõesnegar parcelas e trocar /
quantificadorestrocar / e negar o escopo
conjuntoscomplementar parcelas e trocar /

Existência

  • uma configuração válida prova que algo pode ocorrer;
  • uma premissa universal de classe não cria automaticamente exemplar;
  • uma fórmula existencial exige testemunho;
  • duas existenciais podem ter testemunhos diferentes;
  • uma região em branco no diagrama não prova que esteja ocupada.

“Ou”, soma e união

  • no conectivo e na união, “ou” é normalmente inclusivo;
  • na contagem, alternativas só podem ser somadas diretamente quando forem disjuntas;
  • em probabilidade, a soma exige corrigir a interseção;
  • “ou, mas não ambos” é exclusiva ou diferença simétrica.

Independência, exclusão e incompatibilidade

  • eventos mutuamente exclusivos não ocorrem juntos;
  • eventos independentes não alteram a probabilidade um do outro;
  • restrições incompatíveis tornam um ramo impossível;
  • classes disjuntas têm interseção vazia, mas podem ambas existir.

Unidades e dimensões

  • taxa combina quantidade e tempo;
  • porcentagem exige identificar a base;
  • perímetro, área e volume usam dimensões diferentes;
  • produto matricial exige compatibilidade de dimensões internas;
  • número sem unidade pode estar matematicamente correto e contextualmente errado.

Checklist de última passagem

  • identifiquei o tipo de objeto antes de escolher a técnica?
  • traduzi “se”, “somente se”, “todo”, “algum”, “nenhum”, “pelo menos” e “exatamente” sem alterar a força?
  • preservei parênteses, escopos, direção de setas e ordem de quantificadores?
  • distingui exemplo possível de conclusão necessária?
  • procurei contraexemplo quando a questão exigia validade ou necessidade?
  • em contagem, defini o que torna dois resultados diferentes?
  • em probabilidade, confirmei equiprobabilidade, condicionamento, independência e reposição?
  • em conjuntos, corrigi dupla contagem e comecei pela interseção mais interna?
  • em aritmética e geometria, uniformizei unidades e conferi a base ou a hipótese do teorema?
  • em matrizes, rotulei eixos e validei as ordens antes de operar?
  • o resultado final satisfaz todas as condições e responde exatamente ao comando?

Abrangência

Referências