Mega revisão de História e Geografia do Maranhão

Esta revisão cobre, na ordem editorial do programa, as visões T073–T094. O fio condutor é duplo:

  1. em História, distinguir processo, ato formal, resultado militar e consequência política;
  2. em Geografia, identificar fonte, território, período, variável e etapa da cadeia antes de aceitar um número ou uma classificação.

Corte temporal: Edital nº 1 — TCE/MA, de 6 de julho de 2026, com a Retificação do Edital nº 2, de 29 de julho de 2026. A retificação não alterou o bloco de História e Geografia do Maranhão. Dados conjunturais são vinculados à edição oficial já disponível no corte; mudança posterior não pode ser projetada retroativamente sobre a prova.

A banca costuma construir itens verdadeiros pela metade: usa a data correta com o desfecho errado, o porto correto com a origem produtiva errada, a categoria ambiental correta com o regime jurídico trocado ou um total estatístico correto com outro ano. Por isso, memorize relações, não palavras isoladas.

1. Visão panorâmica

1.1 Linha do tempo histórica

MarcoO que realmente ocorreuO que não ocorreu naquele instante
1612estabelecimento francês de Saint-Louis na ilha de Upaon-Açuexpulsão portuguesa dos franceses
19 nov. 1614vitória luso-indígena em Guaxendubafim imediato da França Equinocial
1615capitulação e fim do domínio colonial francês organizadocriação do núcleo francês, que era de 1612
1641conquista neerlandesa de São Luísdomínio estável de toda a capitania
1642–1644sublevação, recuperação progressiva e expulsão neerlandesaInsurreição Pernambucana, iniciada depois
1684–1685Revolta de Bequimão e repressão régiarevolta causada pela companhia pombalina de 1755
13 mar. 1823Batalha do Jenipapo, no Piauíadesão formal de São Luís
28 jul. 1823adesão formal de São Luís e do Maranhão ao Impériojuramento de Caxias, em 7 de agosto
1838–1841fase principal da Balaiadarevolta uniforme, apenas elitista ou apenas escrava
17–18 nov. 1889conflito dos libertos e instalação local da Repúblicatransição inteiramente pacífica
7–8 out. 1930queda de José Pires Sexto e Junta Revolucionáriagoverno pessoal imediato de Getúlio Vargas no estado
1947–1965formação, hegemonia e ruptura eleitoral do vitorinismomandato contínuo de Vitorino como governador
1951duas fases de mobilização político-eleitoral em São Luísparalisação contínua de fevereiro a outubro
1951–2000reordenações políticas, econômicas e sociaisdesaparecimento automático das estruturas anteriores

1.2 Mapa geográfico

PerguntaResposta de controle
Onde está o Maranhão?Nordeste, na faixa ocidental/noroeste da região; litoral atlântico; sem fronteira internacional.
Quais são os limites?Atlântico ao norte, Piauí a leste/sudeste, Tocantins ao sul/sudoeste e Pará a oeste/noroeste.
Qual é a lógica ambiental?Gradientes entre litoral úmido, transições centrais e interior mais sazonal; sedimentação, erosão e acumulação produzem relevo variado.
Como ler população e economia?Total, densidade, fluxo, estoque, área, produção, valor e capacidade são variáveis diferentes.
Como ler cadeias produtivas?Extração, cultivo, criação, transformação, comércio e transporte são etapas distintas.
Como ler infraestrutura?Jurisdição, administração, concessão, capacidade e movimentação não são sinônimos.
Como ler cultura?Manifestação, religião, patrimônio material, registro imaterial, título legal e reconhecimento internacional têm naturezas próprias.

2. História do Maranhão

2.1 T073 — França Equinocial, fundação de São Luís e Guaxenduba

A França Equinocial foi um projeto de ocupação territorial francesa no norte da América portuguesa, e não mera visita comercial. Em 1612, a expedição liderada por Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, e François de Razilly, acompanhada de capuchinhos, instalou na ilha de Upaon-Açu o núcleo fortificado de Saint-Louis. A data tradicional de fundação é 8 de setembro de 1612.

O projeto combinava fortificação, povoamento, missão religiosa, comércio, diplomacia e guerra. Sua sustentação dependia das alianças com grupos Tupinambá, que ofereciam combatentes, canoas, informações, alimentos e conhecimento do território. As forças portuguesas também mobilizaram indígenas. Logo, a disputa não foi simplesmente “França contra Portugal”: foi uma guerra colonial em que diferentes comunidades indígenas atuaram segundo alianças e interesses próprios.

A reação luso-ibérica teve como nomes centrais Jerônimo de Albuquerque, Diogo de Campos Moreno e, na fase final, Alexandre de Moura. Em 1614, os portugueses estabeleceram posição no continente, diante da ilha, em Santa Maria de Guaxenduba.

A Batalha de Guaxenduba, em 19 de novembro de 1614, opôs, de forma simplificada, uma força franco-Tupinambá atacante e uma força luso-indígena defensora. A fortificação, a logística, o terreno, o efeito das marés e a coordenação dos aliados ajudam a explicar a vitória portuguesa. Não reduza o resultado a um milagre: a tradição de Nossa Senhora da Vitória integra a memória religiosa, enquanto a análise histórica trabalha com causas militares e políticas.

A sequência decisiva é:

1612 (Saint-Louis) → 1614 (Guaxenduba) → 1615 (capitulação) → 1616 (consolidação portuguesa).

A vitória de 1614 preservou a base portuguesa, mas não expulsou os franceses naquele dia. Saint-Louis permaneceu sob La Ravardière até a pressão dos reforços de Alexandre de Moura levar à capitulação, em 1615.

A “fundação de São Luís” exige linguagem precisa. A formulação mais segura é:

  • núcleo, fortificação e topônimo: estabelecidos pelos franceses em 1612;
  • conquista, administração e continuidade colonial: consolidadas pelos portugueses a partir de 1615–1616.

A banca pode explorar a diferença entre fundar um núcleo, conquistar uma posição e institucionalizar uma cidade. Evite transformar interpretações historiográficas em alternativas excludentes quando o enunciado não define o sentido de “fundação”.

Pegadinhas de controle

  • França Equinocial não é França Antártica, iniciada na Guanabara em 1555.
  • La Ravardière é Daniel de La Touche.
  • Saint-Louis ficava na ilha; Guaxenduba, no continente.
  • Guaxenduba foi vitória estratégica em 1614, não expulsão instantânea.
  • Alianças indígenas existiram nos dois campos e não eram homogêneas.
  • Tradição religiosa e explicação histórica pertencem a planos diferentes.

2.2 T074 — invasão e expulsão dos neerlandeses

A ocupação neerlandesa deve ser inserida na expansão atlântica da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC), criada em 1621. Durante a União Ibérica, domínios portugueses passaram a integrar a guerra das Províncias Unidas contra a Monarquia Hispânica. A Restauração portuguesa de dezembro de 1640 não encerrou instantaneamente as operações ultramarinas: a invasão do Maranhão ocorreu em 1641.

A expedição que tomou São Luís é associada a Jan Cornelisz Lichthart, no comando naval, e Koin Anderson, no comando militar. João Maurício de Nassau governava o Brasil neerlandês, mas não comandou pessoalmente a tomada da capital maranhense. O governador português Bento Maciel Parente foi capturado.

O interesse neerlandês era mais amplo que o açúcar: controle do porto e das fortificações, projeção sobre o litoral setentrional, produtos regionais, abastecimento, rotas fluviais e aproximação da Amazônia. Tomar São Luís, porém, não garantiu controle territorial duradouro. A ocupação dependia de suprimentos, comunicações com Pernambuco, posições dispersas e alianças locais.

A resistência ganhou corpo no vale do Itapecuru, em 1642, com participação de moradores, soldados e indígenas. Antônio Muniz Barreiros Filho foi liderança inicial; após sua morte, a guerra prosseguiu, e Antônio Teixeira de Melo tornou-se figura decisiva na fase final.

Retenha a progressão:

AnoSentido histórico
1641conquista de São Luís
1642sublevação organizada no Itapecuru
1643recuperação progressiva de áreas e da iniciativa
1644fim do domínio político-militar neerlandês

A retirada final é tradicionalmente associada a 28 de fevereiro de 1644. O essencial é não confundir recuperação progressiva, em 1643, com expulsão concluída, em 1644.

A experiência maranhense também não é simples capítulo da Insurreição Pernambucana: a resistência no Maranhão começou em 1642 e terminou em 1644; a insurreição em Pernambuco começou em 1645, e o domínio neerlandês ali somente terminou em 1654.

Pegadinhas de controle

  • 1641 vem depois da Restauração de 1640.
  • Nassau não foi o comandante operacional da frota.
  • WIC não é sinônimo de toda a população neerlandesa.
  • Conquista rápida da capital não significa ocupação estável da capitania.
  • 1643 é recuperação; 1644 é expulsão.
  • Maranhão e Pernambuco têm cronologias próprias.

2.3 T075 — Revolta de Bequimão e companhias de comércio

A Revolta de Bequimão resulta da interseção entre monopólio comercial, abastecimento, trabalho compulsório, poder jesuítico e disputa política local. A linha de base é:

1680 (trabalho indígena) → 1682 (companhia/estanco) → 1684 (revolta) → 1685 (repressão).

A legislação de 1680 reforçou restrições ao cativeiro indígena e a tutela missionária, sem eliminar coerção colonial. Em 1682, uma companhia privilegiada recebeu o estanco, isto é, monopólio autorizado pela Coroa, com expectativas de melhorar comércio, abastecimento e entrada de africanos escravizados.

A insatisfação dos moradores combinava mercadorias insuficientes, condições comerciais desfavoráveis, limitação da liberdade de negociar, fornecimento de africanos abaixo do esperado e disputa pelo acesso ao trabalho indígena. A oposição aos jesuítas tinha dimensão religiosa, política e econômica, pois as missões e os aldeamentos interferiam na disponibilidade de trabalhadores.

A revolta eclodiu em São Luís, na noite de 24 para 25 de fevereiro de 1684. Os revoltosos tomaram o governo local, prenderam autoridades, atacaram o estanco, organizaram uma junta e expulsaram jesuítas do espaço controlado. Manuel Beckman ou Bequimão foi a principal liderança; Tomás Beckman foi enviado a Lisboa; Jorge de Sampaio de Carvalho também se destacou.

O envio de Tomás ao rei é importante: os revoltosos contestavam agentes, monopólio e autoridades, mas não apresentaram programa comprovado de independência. Também não defendiam abolição: parte deles pretendia ampliar o acesso colonial a trabalho indígena e africano escravizado.

Em 1685, Gomes Freire de Andrade restaurou o controle régio. Manuel Beckman e Jorge de Sampaio foram executados. A derrota não apagou as tensões estruturais de comércio e trabalho.

Duas companhias não podem ser confundidas:

Companhia de 1682Companhia Geral de 1755
ligada diretamente às causas de Bequimãocriada no contexto pombalino, cerca de 70 anos depois
estanco contestado pelos moradoresoutra empresa privilegiada do norte colonial
reinado de D. Pedro IIreinado de D. José I
núcleo do assuntocontraste contra anacronismo

Pegadinhas de controle

  • Estanco é monopólio, não simples imposto.
  • Bequimão/Beckman e Revolta do Estanco designam o mesmo movimento.
  • 1682, e não 1755, é a companhia vinculada à revolta.
  • Expulsão local de jesuítas em 1684 não é a expulsão geral de 1759.
  • Movimento nativista não significa nacionalista, separatista ou abolicionista.

2.4 T076 — Independência, Jenipapo e adesão ao Império

A Independência não foi um ato uniforme consumado em todo o território em 7 de setembro de 1822. O Maranhão manteve vínculos fortes com Lisboa por razões marítimas, mercantis, escravistas, administrativas e políticas. Rotas atlânticas aproximavam São Luís de Portugal mais do que uma leitura puramente cartográfica sugere.

A guerra regional conectou Piauí, Ceará e Maranhão. O comandante português João José da Cunha Fidié deslocou-se para reprimir a adesão de Parnaíba. Ao tentar retomar Oeiras, encontrou forças independentistas em Campo Maior.

A Batalha do Jenipapo ocorreu em 13 de março de 1823, perto de Campo Maior, no Piauí. Fidié possuía tropas profissionais, artilharia e melhor armamento; o campo independentista reuniu piauienses, cearenses e voluntários socialmente diversos.

O resultado deve ser dividido:

  • tático: Fidié venceu o combate e infligiu perdas elevadas;
  • estratégico: não retomou Oeiras, perdeu recursos, sofreu desgaste e seguiu para Caxias, onde seria isolado.

Portanto, Fidié venceu a batalha, mas não venceu a campanha.

No Maranhão, associe localidades a funções, sem inventar batalhas equivalentes:

LocalidadePapel no processo
São José dos Matõeseixo de aproximação e disputa no leste
Caxiasprincipal concentração portuguesa no interior após Jenipapo
Itapecuru-Mirimcorredor produtivo e de comunicação; mudança de lado de José Félix Pereira de Burgos enfraqueceu os portugueses
Pastos Bonsespaço sertanejo de circulação, defesa e comunicação
São Luíscapital isolada e pressionada por terra e mar

Lord Thomas Cochrane, a serviço de D. Pedro I, chegou com a Nau Pedro I. O blefe sobre uma força imperial maior, a ameaça de bloqueio e o isolamento terrestre pressionaram a Junta. Cochrane foi decisivo, mas não agiu sozinho nem derrotou Fidié em batalha naval na capital.

A sequência formal é:

  • 27 de julho de 1823: registro da exigência de Cochrane;
  • 28 de julho de 1823: proclamação formal da Independência política e adesão de São Luís e do Maranhão ao Império;
  • 7 de agosto de 1823: juramento da Independência em Caxias.

Adesão formal não significou consenso imediato: continuaram disputas por governo, cargos, prisões e reorganização administrativa.

Pegadinhas de controle

  • Jenipapo ocorreu no Piauí.
  • A resistência maranhense existia antes de Jenipapo.
  • Vitória tática portuguesa não é vitória estratégica da campanha.
  • Nau Pedro I não deve ser convertida automaticamente em “fragata”.
  • 28 de julho corresponde a São Luís; 7 de agosto, a Caxias.
  • Antônio de Sampaio, nascido em 1810, pertence à Balaiada, não ao comando da campanha de 1823.

2.5 T077 — Balaiada: caracterização e causas

A Balaiada foi uma guerra social e política de grande escala, principalmente entre 1838 e 1841, no Maranhão e no Piauí, com conexões ao Ceará. Não cabe em uma causa única nem em uma base social homogênea.

No plano político provincial, confrontavam-se, de maneira simplificada:

  • bem-te-vis: liberais de oposição, associados ao jornal Bem-te-vi;
  • cabanos: governistas ou conservadores locais.

Os cabanos maranhenses não são os participantes da Cabanagem paraense. A Lei dos Prefeitos fortaleceu autoridades nomeadas pelo presidente da província e ampliou o controle administrativo e policial das localidades.

A matriz causal combina:

DimensãoFatores
políticadisputa de facções, perseguições e controle de cargos
administrativarecrutamento coercitivo, prisões e abusos policiais
econômicavulnerabilidade de pequenos produtores, endividamento e dificuldades regionais
socialpobreza, dependência e exclusão política
escravistaviolência, fugas, quilombos e luta por liberdade
territorialgrandes distâncias, redes sertanejas e mobilidade em matas e caminhos

O estopim mais reconhecido ocorreu em 13 de dezembro de 1838, na Vila da Manga do Iguará. O vaqueiro Raimundo Gomes Vieira Jutaí, Cara Preta, reagiu ao recrutamento de integrantes de sua comitiva e à prisão de seu irmão, tomou a cadeia e libertou detidos. O episódio desencadeou a ação aberta, mas não criou sozinho as tensões.

A revolta se popularizou e escapou ao controle das elites liberais. Participaram vaqueiros, lavradores, artesãos, homens livres pobres, libertos, indígenas, escravizados fugidos e quilombolas. As três lideranças mais cobradas são:

  • Raimundo Gomes: associado ao estopim e à expansão inicial;
  • Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio: artesão e chefe armado popular, cujo apelido nomeou o movimento;
  • Cosme Bento das Chagas, Negro Cosme: liberto e líder quilombola com projeto autônomo de liberdade.

As versões sobre a motivação pessoal de Balaio variam. Não transforme tradição sobre violência familiar ou recrutamento de filhos em certeza documental única.

Em 1839, os rebeldes ocuparam Caxias, organizaram instâncias políticas e apresentaram reivindicações, entre elas anistia, revogação da Lei dos Prefeitos e garantias processuais. A ocupação de Caxias demonstra capacidade de organização; não significa tomada de São Luís.

A partir de 1840, Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias, combinou reorganização militar, ofensiva, controle de rotas, inteligência, anistia e cooptação. A derrota não decorreu de uma batalha única. Negro Cosme foi capturado em 1841 e executado em 1842.

A fórmula de prova é:

conflito de facções + violência administrativa + desigualdade e escravidão → revolta popular heterogênea → repressão por guerra, anistia e divisão interna.

Pegadinhas de controle

  • Balaiada não foi exclusivamente liberal, sertaneja, escrava, abolicionista ou separatista.
  • Bem-te-vis ajudaram a abrir a crise, mas não controlaram todo o movimento.
  • Cabanos maranhenses não são Cabanagem.
  • Caxias foi ocupada; São Luís, não.
  • 1838–1841 cobre o processo principal; 1842 é a execução de Negro Cosme.
  • “Pacificação” é linguagem dos vencedores e não apaga a repressão.

2.6 T078 — República de 1889 e Revolução de 1930

República no Maranhão

A proclamação nacional ocorreu no Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1889, mas a instalação local teve sua própria sequência:

DataMarco
15 nov.proclamação no Rio
16 nov.circulação de telegramas e notícia republicana em São Luís
17 nov.manifestação de libertos e repressão diante do jornal O Globo
18 nov.proclamação formal no Maranhão e instalação da Junta Provisória

O episódio de 17 de novembro, conhecido como Massacre dos Libertos, relaciona pós-Abolição, medo de reescravização, memória da princesa Isabel, participação política negra e violência republicana. Registros oficiais indicam quatro mortos e vários feridos; números maiores devem ser apresentados como estimativas ou versões das fontes.

No dia seguinte, a Junta descreveu a transição como ocorrida sem abalo da ordem. A versão administrativa do dia 18 não elimina o conflito do dia 17. A República transformou a província em estado federado, mas não universalizou cidadania: analfabetos, mulheres e outros grupos continuaram excluídos do voto, e a Abolição não veio acompanhada de ampla reparação social.

Revolução de 1930 no estado

Em 1930, Magalhães de Almeida já não era governador: seu sucessor, José Pires Sexto, assumira em 1º de março e foi deposto em outubro. A oposição local reunia marcelinistas, tarquinistas e outros atores ligados à Aliança Liberal.

O ponto militar decisivo foi o 24º Batalhão de Caçadores, em São Luís. A deflagração ocorreu entre 7 e 8 de outubro de 1930; em 8 de outubro, caiu Pires Sexto e instalou-se uma Junta formada por:

  • José Maria dos Reis Perdigão;
  • tenente Celso Reis de Freitas;
  • tenente José Ribamar Campos.

A Junta governou até 14 de novembro. José Luso Torres assumiu como interventor depois dela; não era seu quarto integrante.

A mudança de 1930 substituiu o governo estadual, rompeu o arranjo magalhãesista e reforçou a centralização por interventorias. “Revolução” é nome histórico consagrado, mas não significa democratização social total.

Comparação de controle

18891930
mudança Monarquia → Repúblicaqueda da ordem oligárquica da Primeira República
Junta Provisória em 18 de novembroJunta Revolucionária em 8 de outubro
conflito popular negro e repressãosublevação civil-militar do 24º BC
estado federado com cidadania restritainterventorias e centralização
último presidente provincial: Tito Augusto Pereira de Matosgovernador deposto: José Pires Sexto

2.7 T079 — Vitorinismo e Greve de 1951

O vitorinismo foi uma rede de poder organizada em torno de Vitorino de Brito Freire, articulando chefias municipais, partidos, governadores aliados, mandatos parlamentares, cargos e relações com o governo federal. Não foi um governo pessoal contínuo de Vitorino no Palácio dos Leões.

A formação começa na reorganização partidária de 1945, consolida-se em 1947 e perde a hegemonia com a derrota eleitoral de 1965. O sistema combinou mandonismo, coronelismo, clientelismo e patronagem, sem que esses conceitos sejam sinônimos perfeitos.

Saturnino Belo é uma pegadinha de trajetória: aliado e interventor indicado no campo de Vitorino, depois rompeu e tornou-se candidato oposicionista em 1950. Na eleição de 3 de outubro de 1950, enfrentou Eugênio Barros, candidato vitorinista. Anulações de votos e recursos produziram crise de legitimidade. Fale em resultado contestado e acusações de fraude; não converta denúncia política em fraude judicialmente comprovada sem fonte específica.

Saturnino morreu em janeiro de 1951. Eugênio foi diplomado e tomou posse em 28 de fevereiro, desencadeando a primeira fase da Greve.

A expressão “greve” é adequada porque houve paralisação de comércio, transportes e serviços, mas a pauta imediata era político-eleitoral. A mobilização foi urbana e multiclassista, com trabalhadores, estudantes, comerciantes, profissionais, mulheres, organizações partidárias e moradores de São Luís.

FaseInícioDesfechoGatilho
primeira28 fev. 1951meados de marçoposse de Eugênio
intervalomar.–set.César Aboud no exercício interinolicença, sem vacância
segunda18 set. 19518 out. 1951reassunção de Eugênio após manutenção do diploma

Em 14 de março, Eugênio licenciou-se; César Alexandre Aboud, presidente da Assembleia Legislativa, assumiu interinamente. Aboud não era vice-governador, e Eugênio não renunciou nem foi cassado. O vice eleito era Renato Archer.

A decisão eleitoral de setembro manteve o diploma de Eugênio. Ele reassumiu em 18 de setembro, e a mobilização recomeçou, com repressão e confrontos. A memória dos “34 dias” agrega períodos intensos; não significa greve contínua por sete meses.

O movimento desgastou o vitorinismo, mas não o derrubou em 1951. A ruptura eleitoral decisiva veio em 1965.

2.8 T080 — fatos políticos de 1951 a 2000

O recorte começa com o desgaste do vitorinismo e termina nas eleições municipais de 2000. A chave é acompanhar regras nacionais, facções locais, redes municipais e sucessões estaduais.

Da oposição a José Sarney

As Oposições Coligadas eram uma frente heterogênea contra o vitorinismo, não um partido único. José Sarney iniciou a trajetória eleitoral no PSD, passou ao campo oposicionista e tornou-se liderança ligada à UDN.

Em 3 de outubro de 1965, Sarney venceu a eleição direta para governador pela coligação UDN–PSP. A vitória resultou da soma de crescimento oposicionista, desgaste e divisão vitorinista, capacidade eleitoral, novo contexto do regime militar e revisão do cadastro eleitoral. 1965 é eleição; 1966 é posse.

O discurso do “Maranhão Novo” combinou promessa de ruptura, planejamento administrativo e legitimação de uma nova liderança. A modernização não eliminou automaticamente personalismo, clientelismo ou patronagem. O sarneísmo foi outra rede política, não apenas um mandato ou uma família.

Bipartidarismo e eleições indiretas

Com ARENA e MDB, Sarney e Vitorino ficaram formalmente na ARENA. Portanto, ARENA forte não significa unidade: disputas importantes ocorreram dentro do partido governista.

Depois da saída de Sarney para o Senado, Antônio Dino assumiu em 1970. Os governadores seguintes foram escolhidos indiretamente:

EscolhaGovernadorChave
1970Pedro Neiva de Santanainicialmente ligado a Sarney; buscou autonomia
1974Nunes Freireescolha com influência de Vitorino
1978João Casteloligado inicialmente ao grupo Sarney; depois dissidente

“Governador biônico” é expressão corrente; a descrição institucional é escolha indireta por colégio eleitoral.

Redemocratização e anos 1990

O fim do bipartidarismo, em 1979, reorganizou as siglas. A Emenda Constitucional nº 15/1980 restabeleceu eleições diretas para governador. Em 1982, Luís Rocha venceu a primeira eleição direta no Maranhão desde 1965.

Em 1986, Epitácio Cafeteira venceu pelo PMDB. Em 5 de outubro de 1989, a Assembleia promulgou a Constituição do Estado do Maranhão; não foi Constituição “de Cafeteira” nem texto outorgado.

Nos anos 1990:

  • 1990: Edison Lobão venceu João Castelo no segundo turno;
  • 1994: Roseana Sarney venceu Cafeteira no segundo turno e tornou-se a primeira mulher eleita governadora do estado;
  • 1998: Roseana foi reeleita no primeiro turno, após a Emenda Constitucional nº 16/1997 permitir uma recondução consecutiva;
  • 2000: eleições municipais encerram o recorte, sem nova eleição estadual.

A ideia de hegemonia não significa unanimidade ou ausência de competição. Significa capacidade prolongada de coordenar alianças, municípios, partidos e acesso a recursos em contextos institucionais mutáveis.

2.9 T081 — fatos econômicos de 1951 a 2000

A transformação econômica não foi substituição instantânea de uma economia por outra. Atividades tradicionais, agricultura familiar, extrativismo, grandes projetos, indústria e serviços passaram a coexistir de forma desigual.

A trajetória pode ser organizada assim:

PeríodoNúcleo
anos 1950crise relativa do parque têxtil; arroz e babaçu
1959–1969SUDENE, crédito, planejamento e integração rodoviária
anos 1970política de terras, pecuária, madeira e novas fronteiras
1980–1986Alumar, Programa Grande Carajás, EFC e Ponta da Madeira
fim dos anos 1980–1990ferro-gusa, soja e corredor exportador
1995–2000reformas, privatizações e consolidação logística

O parque têxtil declinou por processo gradual, com maquinaria envelhecida, baixa capitalização, concorrência e mudança de mercados. Não há uma data única para “o fim” das fábricas. Arroz e babaçu mantiveram importância; o complexo babaçueiro cresceu e depois entrou em crise sob pressão de pecuária, madeira, acesso restrito aos babaçuais, concorrência de outros óleos e limitações industriais.

A criação da SUDENE em 1959 incorporou o Maranhão ao planejamento regional. Rodovias ampliaram mercados e circulação, mas também expuseram produtores locais à concorrência externa. Infraestrutura não significa desenvolvimento linear e uniforme.

A política de terras, associada à Lei estadual nº 2.979/1969, interagiu com crédito, incentivos, valorização fundiária, pecuarização e projetos empresariais. A lei não explica sozinha concentração e conflitos.

Três instalações não podem ser confundidas:

InstalaçãoNatureza
Porto do Itaquiporto público multipropósito
Ponta da Madeiraterminal privado integrado ao sistema Vale/EFC
Terminal da Alumarterminal privado integrado ao complexo de alumina/alumínio

O Programa Grande Carajás, instituído em 1980, era mais amplo que a mina ou o Projeto Ferro Carajás. A Alumar começou a ser implantada em 1980 e foi inaugurada em 1984. A Estrada de Ferro Carajás foi inaugurada em 1985, e Ponta da Madeira consolidou operação em 1986. Essa tríade reorganizou escala, logística e inserção exportadora.

Nos anos 1990, a agricultura mecanizada de grãos ganhou peso no sul; o eixo Açailândia–Imperatriz reforçou metalurgia e serviços; São Luís concentrou funções portuárias e industriais. A privatização da CVRD ocorreu em 1997, depois de EFC e Ponta da Madeira já funcionarem. A CEMAR foi privatizada em 2000. A venda do BEM, em 2004, fica fora do recorte.

Conceitos como enclave, dualidade produtiva e modernização conservadora são categorias analíticas: devem ser usados para interpretar baixo encadeamento local, coexistência de setores e modernização técnica com concentração fundiária, não como rótulos jurídicos oficiais.

2.10 T082 — fatos sociais de 1951 a 2000

As mudanças produtivas e fundiárias produziram urbanização, deslocamentos, conflitos, desigualdades e novas formas de organização coletiva. Crescimento urbano não significou universalização de moradia, saneamento, transporte ou serviços.

Imperatriz ganhou centralidade com a integração rodoviária e comercial; a Belém–Brasília foi decisiva, mas não causa única. São Luís cresceu por migração, crescimento natural, serviços, administração e investimentos, antes e depois dos grandes projetos dos anos 1980. A expansão urbana combinou conjuntos habitacionais, autoconstrução, ocupações, palafitas, valorização imobiliária e periferização.

Periferização não é apenas distância física: é acesso desigual à terra urbana e aos serviços. Grandes projetos criaram empregos e expectativas, mas não absorveram automaticamente toda a população atraída ou deslocada.

No campo, a questão agrária envolveu posseiros, agricultores familiares, empresas, grilagem, pecuária, madeira, rodovias e políticas públicas. Distinga:

  • posse: exercício fático sobre a terra;
  • propriedade: direito formalmente reconhecido;
  • grilagem: fraude de domínio;
  • terra de trabalho: reprodução familiar pelo trabalho;
  • terra de negócio: ativo, renda e valorização.

A organização rural antecedeu os anos 1980:

MarcoSignificado
1956Associação dos Trabalhadores Agrícolas do Maranhão
início dos anos 1960Movimento de Educação de Base e formação popular
1963sindicalização rural no vale do Pindaré
depois de 1964repressão e maior controle institucional
anos 1970política de terras, COMARCO e intensificação dos conflitos
anos 1980grandes projetos e novas mobilizações territoriais
1989fundação da ASSEMA
1991articulação interestadual das quebradeiras
1995consolidação do nome MIQCB
1997Lei do Babaçu Livre em Lago do Junco

MEB, Comunidades Eclesiais de Base e Comissão Pastoral da Terra tinham naturezas distintas: educação popular, organização comunitária e apoio pastoral à questão agrária não são a mesma instituição.

As quebradeiras de coco ligam trabalho, renda, conhecimento, acesso aos babaçuais e protagonismo feminino. ASSEMA é organização de articulação e assessoria; MIQCB é movimento interestadual; sindicato e cooperativa também são formas diferentes.

A Constituição de 1988 ampliou direitos sociais e reconheceu direitos indígenas e quilombolas, inclusive o art. 68 do ADCT. Reconhecimento jurídico, demarcação, titulação e efetivação não são etapas automáticas.

2.11 Matriz histórica de última revisão

Troca feita pela bancaCorreção
vitória em batalha = fim da guerraGuaxenduba 1614 e Jenipapo 1823 mostram que combate e campanha são planos diferentes
ato nacional = instalação local imediataIndependência e República tiveram cronologias regionais
elite participante = movimento apenas elitistaBalaiada e Greve de 1951 ganharam dinâmica social própria
mudança de regime = democratização plena1889 e 1930 reorganizaram poder sem universalizar cidadania
líder de rede = ocupante contínuo do governoVitorino e Sarney articularam redes além de seus cargos formais
modernização = desaparecimento do antigonovas infraestruturas coexistiram com desigualdade e atividades tradicionais

3. Geografia do Maranhão

3.1 T083 — localização, superfície, limites e pontos extremos

O Maranhão pertence à Região Nordeste, em sua porção ocidental/noroeste, e está nos hemisférios Sul e Ocidental. Possui litoral no Oceano Atlântico e não tem fronteira internacional. Parte do estado integra a Amazônia Legal, que é recorte jurídico-administrativo; isso não o transforma em estado da Região Norte.

O esquema dos limites é:

N–Atlântico · L/SE–Piauí · S/SO–Tocantins · O/NO–Pará

Os rios Parnaíba, Gurupi e Tocantins/Manuel Alves Grande participam de trechos de divisas, mas nenhum enunciado deve transformar toda a divisa com um estado em um único curso fluvial sem conferir o traçado jurídico.

A área territorial publicada pelo IBGE na edição de 2025 é 329.651,463 km². Ela coloca o Maranhão, aproximadamente, como o oitavo maior estado do país e o segundo maior do Nordeste, atrás da Bahia. Valores antigos próximos de 331,9 mil km² refletem edições cartográficas anteriores. Atualização de área calculada pode decorrer de refinamento da malha, da linha costeira ou de limites; não prova automaticamente cessão territorial.

Pontos extremos

ExtremoCoordenada oficial da edição usadaSetor territorial associado
norte1°02′58″ S, 45°58′42″ OCarutapera, setor costeiro/insular
sul10°15′42″ S, 46°00′11″ OAlto Parnaíba, Chapada das Mangabeiras
leste2°57′27″ S, 41°47′46″ OAraioses, Delta do Parnaíba
oeste5°20′57″ S, 48°45′19″ OSão Pedro da Água Branca

Ponto extremo não é coordenada da sede municipal. Como o estado está ao sul e a oeste:

  • menor latitude sul em valor absoluto = mais ao norte;
  • maior latitude sul em valor absoluto = mais ao sul;
  • menor longitude oeste = mais a leste;
  • maior longitude oeste = mais a oeste.

Pegadinhas de controle

  • Amazônia Legal não é sinônimo de Região Norte.
  • Maranhão não limita com Ceará, Bahia, Goiás ou Amazonas.
  • Limite/divisa interestadual não é fronteira internacional.
  • Área e extremos devem ser ligados à edição da malha.
  • Ilha pertencente ao estado pode determinar extremo cartográfico.

3.2 T084 — geologia, geomorfologia, recursos minerais e relevo

Comece separando três conceitos:

ConceitoPergunta
geologiade que materiais e estruturas o território é constituído?
geomorfologiaquais processos modelam a superfície?
relevoquais formas resultam desses processos?

A fórmula mental é:

substrato geológico + estrutura + clima + drenagem + tempo + ação superficial → formas de relevo

O Maranhão apresenta amplo predomínio de terrenos e coberturas sedimentares, sobretudo da Bacia do Parnaíba, mas não é exclusivamente sedimentar. No noroeste aparecem terrenos antigos do Fragmento Cratônico São Luís e do Cinturão Gurupi, associados a rochas magmáticas e metamórficas e a mineralizações. Na faixa costeira, bacias sedimentares, Grupo Barreiras e depósitos quaternários ajudam a explicar tabuleiros, praias, dunas, planícies, aluviões e manguezais.

Bacia sedimentar e bacia hidrográfica são categorias diferentes. A primeira é uma estrutura geológica onde sedimentos se acumularam; a segunda é uma área drenada por um rio e seus afluentes.

Processos e formas

Processo predominanteForma ou ambiente frequente
erosão diferencial de camadaschapadas, mesas, patamares e rebordos
denudaçãoplanaltos e superfícies dissecadas
acumulação fluvialplanícies e terraços fluviais
acumulação fluviomarinhaplanícies costeiras, estuários e baixadas
transporte eólicodunas e lençóis de areia
intemperismo e dissecaçãovales, encostas e remodelagem das superfícies

Planalto é área em que a denudação supera a acumulação; não exige altitude mínima universal. Planície é área de acumulação predominante; não precisa ser perfeitamente horizontal. Depressão é superfície rebaixada em relação ao entorno e não necessariamente abaixo do nível do mar. Baixada é denominação regional ampla, não uma única planície homogênea.

Na faixa costeira, fixe Planície Costeira, Golfão Maranhense, Baixada Maranhense, Lençóis Maranhenses e tabuleiros. No interior e no sul, associe Chapada das Mesas, Depressão Interplanáltica de Balsas e Chapada das Mangabeiras. Os Lençóis são campo de dunas e lagoas sazonais, não deserto climático nem chapada.

Recursos minerais

ContextoAssociação segura
São Luís–Gurupiouro e outras mineralizações localizadas
Formação Codó e níveis sedimentaresgipsita e calcário
coberturas e depósitos aluviaisargila, areia e cascalho
Bacia do Parnaíbagás natural terrestre

Sempre diferencie:

  1. ocorrência/indício;
  2. recurso conhecido;
  3. reserva economicamente lavrável;
  4. produção efetiva.

Potencial, processo minerário, título, porto de exportação e produção são evidências diferentes. Gipsita é mineral; gesso é produto industrial. Minério transportado pelo Maranhão não prova lavra maranhense.

3.3 T085 — APAs e parques nacionais

A Lei nº 9.985/2000 divide as unidades de conservação em Proteção Integral e Uso Sustentável. Para este programa, a oposição central é APA × Parque Nacional.

CritérioAPAParque Nacional
grupoUso SustentávelProteção Integral
objetivoproteger diversidade, disciplinar ocupação e assegurar uso sustentávelpreservar ecossistemas e beleza cênica
domínioterras públicas e privadas podem coexistirposse e domínio públicos
propriedade privadapode permanecer, sujeita a regrasdeve ser desapropriada quando incluída nos limites
recursos naturaisuso sustentável disciplinadouso indireto, salvo hipóteses legais
visitaçãopossível conforme regras e domíniopossível conforme plano de manejo e normas
conselhoprevisto para a categoriaconsultivo
zona de amortecimentonão é obrigatória pelo art. 25 do SNUCobrigatória

APA não é “terra sem restrição”; Parque Nacional não é “área proibida ao público”. Toda unidade deve ter plano de manejo. A falta do plano no prazo legal não extingue a unidade nem libera qualquer uso. Redução ou desafetação exige lei específica.

APAs estaduais

No corte, o inventário estadual reúne oito APAs:

  1. Foz do Rio das Preguiças–Pequenos Lençóis–Região Lagunar Adjacente;
  2. Baixada Maranhense;
  3. Reentrâncias Maranhenses;
  4. Região do Maracanã;
  5. Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças;
  6. Nascente do Rio das Balsas;
  7. Itapiracó;
  8. Morros Garapenses.

Associe o nome ao ambiente: litoral oriental e dunas; baixada e campos inundáveis; litoral ocidental recortado e manguezais; áreas urbanas/periurbanas de São Luís; centro-norte; nascentes e Cerrado do sul; e leste maranhense.

A APA Delta do Parnaíba é federal e abrange Maranhão, Piauí e Ceará. Não a confunda com a RESEX Marinha do Delta do Parnaíba nem com a APA estadual dos Pequenos Lençóis.

Parques nacionais com território no Maranhão

ParqueCriaçãoIncidência maranhenseChave
Lençóis Maranhenses1981Barreirinhas, Santo Amaro e Primeira Cruzdunas, lagoas, restinga e manguezal
Chapada das Mesas2005Carolina, Riachão e EstreitoCerrado, chapadas, serras e cursos d’água
Nascentes do Rio Parnaíba2002Alto Parnaíbaparque interestadual, cabeceiras do Parnaíba

Baixada e Reentrâncias são também Sítios Ramsar; Lençóis Maranhenses é Patrimônio Mundial desde 2024. Ramsar e UNESCO são reconhecimentos internacionais, não categorias do SNUC. A categoria jurídica brasileira permanece APA ou Parque Nacional.

3.4 T086 — climas e formações vegetais

O Maranhão é tropical e quente durante todo o ano, mas não possui clima ou vegetação uniformes. A chuva varia regional e sazonalmente mais que a temperatura.

Os controles essenciais são:

  • baixas latitudes, que mantêm temperaturas elevadas;
  • Atlântico e maritimidade, importantes no litoral;
  • continentalidade, mais perceptível no interior;
  • circulação atmosférica, especialmente a Zona de Convergência Intertropical;
  • relevo e altitude;
  • variabilidade interanual do Atlântico e do Pacífico.

A ZCIT é central para as chuvas do norte, sobretudo no fim do verão e início do outono, mas não é o único sistema atuante. Linhas de instabilidade, brisas, perturbações dos alísios e convecção local também contribuem.

Sazonalidade

SetorEstação chuvosa aproximadaEstação seca aproximada
nortejaneiro a julhoagosto a dezembro
lestejaneiro a maiojunho a dezembro
centro e suljaneiro a abrilmaio a dezembro

Essas faixas não são fronteiras rígidas. “Estação seca” significa redução climatológica, não ausência absoluta de chuva.

As Normais Climatológicas do INMET 1991–2020 ilustram o gradiente:

EstaçãoChuva anual normal
São Luís2.117,1 mm
Imperatriz1.491,9 mm
Carolina1.772,1 mm
Balsas1.194,7 mm

Uma estação não representa automaticamente o município, uma região inteira ou o estado. Normal climatológica não é previsão anual; evento isolado não redefine clima.

Vegetação

Diferencie:

  • bioma: grande conjunto regional de vida e ambiente;
  • formação vegetal: fisionomia e composição;
  • cobertura da terra: o que recobre a superfície numa data;
  • uso da terra: finalidade humana da área.

O Maranhão contém áreas dos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga, além de ambientes costeiros. A Mata dos Cocais é formação ou complexo de transição, não bioma continental oficial do IBGE.

A lógica espacial é:

  • oeste/noroeste mais úmido → formações ombrófilas;
  • centro, sul e leste mais sazonais → Cerrado e florestas estacionais;
  • áreas de transição e regeneração → cocais, especialmente babaçu e carnaúba;
  • faixa costeira → manguezais, restingas, dunas e ambientes estuarinos.

O Cerrado é heterogêneo: inclui cerradão, cerrado arborizado, savana parque e formações campestres. Babaçu e carnaúba não ocupam faixa homogênea nem possuem exigências idênticas. Clima influencia, mas solo, drenagem, relevo, fogo e ação humana também moldam a vegetação.

Pegadinhas de controle

  • tempo atmosférico não é clima;
  • máxima normal não é temperatura média;
  • IBGE e Köppen usam classificações distintas;
  • estação seca não é chuva zero;
  • Mata dos Cocais não é bioma oficial;
  • Cerrado não é uma única fisionomia.

3.5 T087 — rios limítrofes e bacias maranhenses

A drenagem maranhense é majoritariamente exorreica, com águas dirigidas ao oceano. O regime é predominantemente pluvial, e os baixos cursos do litoral sofrem influência de marés. No Mearim, grandes marés podem produzir pororoca.

Na regionalização agregada do NuGeo/UEMA, use o mnemônico 3 + 7 + 2:

  • 3 bacias federais: Parnaíba, Tocantins e Gurupi;
  • 7 bacias estaduais: Mearim, Itapecuru, Munim, Turiaçu, Maracaçumé, Preguiças e Periá;
  • 2 sistemas estaduais: Litoral Ocidental e Ilhas Maranhenses.

Isso não significa que existam somente doze rios ou apenas sete rios genuinamente maranhenses.

Rios limítrofes

Rio/regiãoLimiteAssociação
ParnaíbaMaranhão–Piauínasce na Chapada das Mangabeiras e forma delta atlântico
GurupiMaranhão–Paránasce na Serra do Gurupi e corre ao Atlântico
Tocantins–AraguaiaMaranhão–Tocantinslimite acompanha sobretudo Manuel Alves Grande e trecho do Tocantins

“Tocantins–Araguaia” é o nome da região hidrográfica nacional. O Araguaia não forma sozinho toda a divisa MA–TO.

Sete bacias estaduais

BaciaCabeceira ou setorFoz/destinoChave
Mearimsul/Serra da Meninabaía de São Marcosmaior bacia estadual agregada; recebe Pindaré e Grajaú
Itapecurucentro-sulbaía do Arraialeixo de Caxias, Codó, Coroatá, Itapecuru-Mirim e Rosário
Munimtabuleiros a nordeste de Caxiasbaía de São Joséextremo leste
TuriaçuSerra do Tiracambubaía de Turiaçulitoral ocidental e marés
MaracaçuméSerra do TiracambuAtlânticonoroeste costeiro
PreguiçasSantana do MaranhãoAtlântico em Barreirinhastambém chamado rio Grande
Periálitoral orientalAtlânticoinfluência de marés e manguezais

“Genuinamente maranhense” é a expressão didática para curso que nasce, percorre e deságua no estado. Pindaré e Grajaú são genuinamente maranhenses, embora apareçam como grandes tributários do Mearim na escala agregada. Pericumã também é genuinamente maranhense e integra o Sistema do Litoral Ocidental. Anil, Bacanga, Paciência e Tibiri são drenagens locais da Ilha do Maranhão, não unidades regionais do mesmo nível.

Para resolver questões, associe sempre posição → cabeceira → afluente-chave → foz e confira a escala do mapa.

3.6 T088 — população, povoamento, densidade, urbanização e movimentos

Não confunda:

ConceitoLeitura
população absolutatotal de habitantes
densidadepopulação dividida pela área
distribuiçãomodo como habitantes se repartem
povoamentoprocesso histórico e padrão de ocupação
crescimento naturalnascimentos menos óbitos
saldo migratórioimigrantes menos emigrantes
deslocamento pendularmovimento recorrente sem mudança necessária de residência

A densidade é:

D = P / A

No Censo 2022, o Maranhão tinha 6.776.699 habitantes e densidade oficial de 20,56 hab./km². A estimativa para 1º de julho de 2025 era 7.018.211 habitantes. A estimativa não substitui o recenseamento; logo, o Censo 2022 não “contou mais de sete milhões”.

Entre 2010 e 2022, o total passou de 6.574.789 para 6.776.699, crescimento de cerca de 3,07%. A diferença intercensitária reúne crescimento natural, migração e ajustes; não é sinônimo de crescimento vegetativo.

Urbanização

Situação20102022
urbana4.147.1494.806.990
rural2.427.6401.969.709
total6.574.7896.776.699

O grau de urbanização chegou a 70,93% em 2022. A população urbana cresceu enquanto a rural caiu, mas não se pode atribuir toda a mudança a êxodo rural: migração entre cidades, crescimento natural e mudança de classificação territorial também interferem.

Em 2022, o IBGE passou a priorizar critérios morfológicos e funcionais para delimitar áreas urbanas e rurais. O perímetro urbano legal do município é insumo, não reprodução automática.

A distribuição espacial é desigual:

  • forte concentração na aglomeração de São Luís;
  • centralidade de Imperatriz no oeste/sudoeste;
  • integração de Timon com Teresina;
  • importância de Caxias no leste e Balsas no sul;
  • grandes áreas de baixa densidade no sul, centro e sudoeste.

São Luís tinha 1.037.775 habitantes no Censo 2022; Imperatriz, 273.110. Alto Parnaíba, com 11.109 habitantes e 1,00 hab./km², mostra como município extenso pode ter densidade baixa.

Migração e pendularidade

Estoque por naturalidade e fluxo recente respondem a perguntas diferentes. Na migração interestadual de data fixa 2017–2022, os resultados preliminares indicaram:

  • 130.658 imigrantes;
  • 259.886 emigrantes;
  • saldo de –129.228;
  • taxa líquida de –1,91%.

Saldo negativo significa mais saídas que entradas naquele recorte; não significa ausência de imigração nem queda obrigatória da população total.

Quem mora em Timon e trabalha em Teresina pode realizar deslocamento pendular sem mudar de residência. Trabalho ou estudo em outro município não transforma automaticamente a pessoa em migrante.

3.7 T089 — agricultura e pecuária

Antes de ler um ranking, identifique a operação estatística:

FonteO que medeReferência usada
Censo Agropecuárioestrutura dos estabelecimentos, área e trabalho2017
PAMlavouras e produção anual2024
PPMefetivos em 31 de dezembro e produtos animais do ano2024
LSPA/Conabacompanhamento conjuntural ou ano-safravariável e revisável

O Censo Agropecuário 2017 registrou 219.765 estabelecimentos, 12,238 milhões de hectares e cerca de 693 mil pessoas ocupadas. A agricultura familiar representava 85,14% dos estabelecimentos, mas 30,88% da área. Número de unidades e superfície controlada são dimensões diferentes. Agricultura familiar também não é sinônimo de subsistência, atraso técnico ou ausência de mercado.

No território, coexistem:

  • agricultura empresarial mecanizada de soja, milho e algodão, forte no Cerrado do sul e do leste;
  • agricultura familiar diversificada, com arroz, milho, mandioca, feijão, criações e venda em mercados locais e regionais.

MATOPIBA reúne Tocantins e partes de Maranhão, Piauí e Bahia. Não é bioma, não abrange todo o Maranhão e não se confunde com todo o Cerrado.

Como ler a PAM

Área plantada, área colhida, quantidade, rendimento e valor da produção não são equivalentes. Valor agrícola não é PIB, exportação ou renda líquida. Ano civil não é ano-safra.

Na PAM 2024, os destaques incluíam:

ProdutoQuantidadeChave
soja4.073.259 tprincipal lavoura em área e valor
milho2.384.065 tsegundo grande grão
cana-de-açúcar2.705.753 talta massa não implica liderança em valor
mandioca377.827 timportância alimentar e familiar
arroz177.340 tcultura tradicional
algodão herbáceo em caroço133.815 tagricultura empresarial
banana79.238 tlavoura permanente de destaque

Cana, mandioca e abacaxi são classificados como lavouras temporárias; banana é permanente. Açaí cultivado entra na PAM; açaí coletado em vegetação espontânea entra na PEVS.

Pecuária

Na PPM 2024, havia 10,314 milhões de bovinos e 13,522 milhões de galináceos, além de suínos, caprinos, ovinos, equinos e bubalinos. Efetivo é estoque de animais vivos; não mede abate, produção de carne ou valor.

Produtos animais são fluxos anuais. Em 2024, a pesquisa registrou aproximadamente 415 milhões de litros de leite, 40,2 milhões de dúzias de ovos e 3,36 milhões de quilogramas de mel. Vacas ordenhadas são subconjunto dos bovinos; galinhas, dos galináceos. Não some subconjuntos novamente ao total.

3.8 T090 — extrativismo vegetal, animal e mineral

A pergunta inicial é: o recurso foi retirado de ambiente espontâneo, cultivado, criado, transformado ou apenas transportado?

OperaçãoExemploSetor
coleta espontâneaamêndoa de babaçu ou açaí nativoextrativismo vegetal
plantioaçaí cultivado ou eucaliptoagricultura/silvicultura
capturapeixe no mar, rio ou estuáriopesca extrativa
criaçãopeixe em viveiroaquicultura
lavraretirada de minérioindústria extrativa
processamentoalumina, aço, celulose ou gessotransformação
circulaçãominério paraense pela EFClogística

Vegetal

A PEVS separa extração vegetal de silvicultura. Em 2024, os maiores valores da extração vegetal maranhense concentravam-se em carvão vegetal, amêndoa de babaçu, açaí e lenha. Quantidade e valor não são a mesma coisa; toneladas e metros cúbicos também não podem ser somados.

A PEVS registra amêndoa de babaçu, não óleo, sabão ou coco inteiro. Pó e fibra de carnaúba são produtos diferentes; folha de jaborandi também tem unidade e cadeia próprias. Carvão e madeira podem ter origem extrativa ou plantada: o nome do produto não revela sozinho a modalidade.

Animal

Pesca marinha, pesca continental e mariscagem são formas de captura. Aquicultura é criação. A retomada estatística pesqueira oficial ainda combina fontes com coberturas diferentes; os dados devem ser tratados como estimativas consolidadas, não censo exaustivo.

Para o Maranhão, a pesca marinha foi estimada em cerca de 19,01 mil toneladas em 2023 e 18,42 mil em 2024. A ausência de estimativa estadual consolidada para pesca continental não significa produção zero. Manguezais, baías, reentrâncias e estuários sustentam pesca e mariscagem, mas associação ecológica não fornece automaticamente tonelagem municipal.

Mineral

Ocorrência, recurso, reserva, título, lavra e arrecadação de CFEM são variáveis distintas. Ouro e gipsita têm destaque estadual; há produção de minério de ferro e minerais de construção, além de gás natural terrestre ligado à Bacia do Parnaíba.

CFEM é variável financeira, não quantidade física. Produção bruta de minério e metal contido não devem ser somados. Município afetado por ferrovia ou porto não é necessariamente produtor.

O Anuário Estatístico da ANP de 2026 consolidava dados até 2025. No Maranhão, o traço energético principal é o gás natural terrestre; produção de gás, processamento, distribuição e geração termelétrica não são a mesma etapa.

3.9 T091 — indústrias de base e de transformação

Indústria de base é categoria funcional para atividades que produzem insumos fundamentais ou intermediários. Indústria de transformação é categoria da CNAE para processos que geram produtos novos. Uma indústria pode pertencer às duas.

A cadeia deve ser separada:

produção primária → extração → transformação → armazenagem/transporte → comércio

O parque industrial maranhense combina grandes plantas intensivas em capital, agroindústrias, alimentos, bebidas, minerais não metálicos, madeira, móveis e serviços industriais. Três polos organizam a revisão:

PoloCadeia
São Luísbauxita → alumina → alumínio
Imperatrizeucalipto → madeira → celulose/papel
Açailândiaminério e redutores → ferro-gusa/aço

São Luís e Alumar

O complexo Alumar refina bauxita em alumina e reduz alumina a alumínio primário. É indústria de transformação e de base. A bauxita recebida no terminal não se torna extração maranhense pelo fato de ser processada em São Luís. Capacidade instalada também não é produção anual.

Imperatriz e celulose

Cultivar e colher eucalipto é produção florestal; fabricar celulose e papel é transformação; transportar madeira e produto é logística. A unidade de Imperatriz fornece bem intermediário a cadeias de papel e outros derivados. Páginas empresariais podem apresentar capacidades com escopos diferentes; memorize a cadeia e o polo, não uma cifra sem definição.

Açailândia e metalurgia

A Estrada de Ferro Carajás leva minério principalmente extraído no Pará. Em Açailândia, a produção de ferro-gusa, aço e produtos metalmecânicos é transformação maranhense. Trânsito do minério não é lavra local. Carvão vegetal usado como redutor continua sendo insumo; não transforma o aço em produto extrativo vegetal.

Outras relações úteis:

  • gipsita extraída → gesso fabricado;
  • calcário extraído → cimento produzido;
  • soja cultivada → óleo ou ração industrial;
  • gado criado → carne processada.

Projeto anunciado, lote industrial, fábrica implantada, operação iniciada e produção efetiva são estágios diferentes.

3.10 T092 — comércio, telecomunicações e transportes

O setor terciário organiza circulação de bens, pessoas, informações e serviços. Não é apenas comércio e não “produz” automaticamente a mercadoria que distribui.

Comércio

Atacado vende predominantemente a revendedores, empresas e instituições; varejo, ao consumidor final. O critério é a função da venda, não o tamanho da loja.

Pesquisas empresariais não medem toda a informalidade. Receita de vendas e valor adicionado bruto também não se confundem:

VAB = VP − CI, em que VP é o valor da produção e CI, o consumo intermediário.

Receita nominal crescente não prova crescimento real nem mede diretamente contribuição ao PIB.

A rede urbana condiciona centralidades comerciais. Na REGIC 2018, o arranjo de São Luís é Capital Regional A; Imperatriz exerce centralidade relevante no oeste e sudoeste. Região de influência é rede funcional e pode atravessar fronteiras estaduais; não é o mesmo que região metropolitana criada por lei.

Telecomunicações

ConceitoNão confundir com
acesso ativopessoa usuária
cobertura estimadauso efetivo
domicílio conectadolinha individual
tecnologia presente no municípiocobertura integral do território

Uma pessoa pode ter várias linhas; uma conexão fixa pode atender várias pessoas. Cobertura não elimina barreiras de renda, preço, equipamento, qualidade e letramento digital.

O comércio eletrônico integra plataforma, pagamento, estoque e entrega. Telecomunicações viabilizam informação, mas não eliminam logística física.

Transportes

ModoFunção típica
rodoviáriocapilaridade, coleta e entrega
ferroviáriograndes volumes e longas distâncias terrestres
aquaviáriograndes volumes, cabotagem e longo curso
aéreorapidez, passageiros e cargas urgentes ou de alto valor

Nenhum modo é superior em qualquer situação. Distância, custo, tempo, volume, frequência e acessibilidade definem a escolha.

Tonelada mede massa; tonelada-quilômetro combina massa e distância. Embarque, desembarque, trânsito, origem produtiva e destino econômico são atributos diferentes. Intermodalidade articula modos e transbordos; não elimina a troca de modal.

3.11 T093 — malha viária, portos e aeroportos

Rodovias

Jurisdição, administração e concessão devem ser separadas. Rodovia federal continua federal mesmo sob concessão ou administração diversa do DNIT.

Situações físicas também não são equivalentes:

planejada ≠ implantada ≠ pavimentada ≠ duplicada ≠ bem conservada

Em 2026, sete rodovias federais estruturantes eram destacadas no Maranhão:

RodoviaEixo de referência
BR-010Açailândia–Imperatriz–Estreito; ligação PA–TO
BR-135Ilha de São Luís ao continente e interior
BR-222Chapadinha–Santa Inês–Açailândia
BR-226Timon–Presidente Dutra–Grajaú e ligação à BR-010
BR-230Transamazônica no sul, Carolina–Balsas e conexão TO–PI
BR-316Pará–Santa Inês–Bacabal–Caxias–Piauí
BR-402litoral oriental e acesso a Barreirinhas/Lençóis via Bacabeira

O mapa de manutenção do DNIT de fevereiro de 2026 indicava 3.512,2 km sob administração do DNIT. Não é toda a malha estadual, não inclui automaticamente rodovias estaduais e municipais e não mede qualidade.

Ferrovias

SistemaOperadorFunção
Estrada de Ferro CarajásValeCarajás–Maranhão–Ponta da Madeira
Ferrovia Norte-Sul, Tramo NorteVLIconecta-se à EFC em Açailândia
Malha Nordeste/FTLFTLligação São Luís–Teresina e rede nordestina

A FNS acessa o sistema portuário por conexão com a EFC; isso não funde as ferrovias. Extensões regulatórias divulgadas para concessões multiestaduais não podem ser atribuídas integralmente ao Maranhão. FTL não é a mesma empresa ou projeto que TLSA/Nova Transnordestina.

Portos

InstalaçãoNaturezaFunção
Porto do Itaquiporto organizado público, administrado pela EMAPmultipropósito
Ponta da MadeiraTerminal de Uso Privado da Valecorredor mineral da EFC
Terminal da AlumarTerminal de Uso Privadosuprimento e escoamento da cadeia de alumina/alumínio

O “Complexo Portuário de São Luís” é o conjunto geográfico/logístico, não uma quarta instalação.

O Itaqui fica na Baía de São Marcos e é administrado pela EMAP por delegação. Ponta da Madeira movimentou 172,4 milhões de toneladas em 2025; isso é movimentação observada, não capacidade, produção mineral do Maranhão ou valor exportado. O terminal da Alumar não é arrendamento do Itaqui.

Aeroportos

Aeródromo é a área de pouso, decolagem e movimentação; aeroporto é aeródromo público com instalações de apoio. Cadastro ativo não prova voo comercial regular.

AeroportoIATAICAO
São Luís — Marechal Hugo da Cunha MachadoSLZSBSL
Imperatriz — Prefeito Renato MoreiraIMPSBIZ

IATA e ICAO são códigos de sistemas diferentes. No corte, ambos eram operados pela concessionária do Bloco Central sob a marca Motiva Aeroportos; referência à Infraero descreve operação histórica. Rota anunciada, voo comercializado e voo efetivamente operado também não são a mesma evidência.

3.12 T094 — cultura maranhense

A cultura maranhense é pluriétnica, viva e territorialmente diversa. Matrizes indígenas, africanas, afro-brasileiras e europeias foram recriadas em processos de conflito, escravização, resistência, devoção, festa e circulação cultural. Nenhuma manifestação resume o estado inteiro.

Bumba Meu Boi

O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi reúne música, dança, teatro popular, religiosidade, artesanato e organização comunitária. O ciclo didático envolve preparação, batismo, brincadas e morte do boi, com calendários que variam entre grupos.

O auto de Pai Francisco e Mãe Catirina possui versões. Miolo, amo/cantador, vaqueiros, pajé ou doutor e personagens indígenas aparecem com variações. O Cazumbá é especialmente associado ao sotaque da Baixada.

SotaqueMarca
Matraca/Ilhamatracas, pandeirões e tambor-onça
Zabumbazabumbas e forte percussão
Baixada/Pindaréandamento cadenciado e Cazumbá
Costa de Mãopandeiros tocados com o dorso das mãos
Orquestrasopros e cordas com percussão

“Sotaque” reúne musicalidade, instrumentos, coreografia e indumentária. A classificação em cinco é didática e não elimina variações.

Reconhecimentos distintos:

  • registro nacional pelo Iphan em 2011;
  • inscrição pela UNESCO em 2019;
  • revalidação do registro nacional em 2025.

Revalidação não cria novo patrimônio e UNESCO não substitui Iphan.

Tambor de Crioula, Mina e Terecô

O Tambor de Crioula é forma de expressão afro-brasileira com roda de coreiras, parelha de tambores, canto e punga; foi registrado pelo Iphan em 2007 e revalidado em 2021.

O Tambor de Mina é religião afro-brasileira, associada a voduns, orixás, encantados, canto, tambores e transe. Casa das Minas e Casa de Nagô têm tradições próprias.

O Terecô, fortemente associado a Codó e aos Cocais, dialoga com encantaria, cura, pajelança, Mina e umbanda, mas não é mero nome alternativo do Tambor de Mina.

Tambor de Crioula = forma de expressão dançada; Tambor de Mina = religião; Terecô = tradição religiosa própria, com relações históricas.

Divino, Cacuriá, carnaval e reggae

A Festa do Divino reúne corte simbólica, bandeira, mastro, promessas, refeições e caixeiras. Alcântara é referência forte, mas não exclusiva.

O Cacuriá consolidou-se a partir de momentos recreativos ligados às festas do Divino, com caixas, canto responsorial, pares, humor e duplo sentido. Dona Teté foi central na popularização, sem ser “inventora individual” de tradição coletiva.

No carnaval de São Luís, o fofão é personagem mascarado e volumoso. Fofão não é Cazumbá.

O reggae ludovicense liga dança em pares, radiolas, DJs, clubes e produção musical. A Lei nº 14.668/2023 declarou São Luís Capital Nacional do Reggae. Título legal não é registro do Iphan. A UNESCO reconheceu o reggae da Jamaica, não uma candidatura específica de São Luís.

Patrimônio material

BemProteção
Centro Histórico de São Luístombamento federal em 1974; Patrimônio Mundial em 1997
conjunto arquitetônico e urbanístico de Alcântaratombamento federal em 1948; não é sítio autônomo da Lista do Patrimônio Mundial

A fundação francesa de São Luís não torna predominantemente francesa a arquitetura luso-brasileira e azulejar que sustenta o reconhecimento patrimonial. Em Alcântara, ruínas e sobrados devem ser lidos junto com escravidão, população negra, comunidades quilombolas e conflitos territoriais.

Tombamento protege patrimônio material; registro reconhece bem imaterial; salvaguarda apoia continuidade e transmissão; UNESCO é reconhecimento internacional; título legal tem natureza própria.

Literatura, música, culinária e artesanato

ReferênciaAssociação
Gonçalves DiasRomantismo, indianismo, “Canção do Exílio”, I-Juca-Pirama
Maria Firmina dos ReisÚrsula, autoria feminina negra e crítica antiescravista
SousândradeO Guesa
Aluísio AzevedoNaturalismo, O Mulato e O Cortiço
Artur Azevedoteatro e comédia de costumes
Josué MontelloOs Tambores de São Luís
Ferreira Gullarpoesia, crítica, neoconcretismo e Poema Sujo
João do Vale“Carcará”
Alcionesamba
Papetediálogo com ritmos populares
Tribo de Jahreggae

“Atenas Brasileira” é rótulo ligado ao circuito letrado de São Luís no século XIX; não resume toda a cultura nem apaga tradições orais, populares, negras e indígenas.

Na culinária, fixe arroz de cuxá, juçara, tiquira, doce de espécie e farinha. Tiquira é destilado de mandioca, não de cana. Juçara é denominação local ligada ao açaí e a seus modos de preparo. Artesanato inclui fibras, trançados, cerâmica, rendas, bordados, madeira, biojoias, máscaras e indumentárias de folguedos.

4. Matrizes integradoras de prova

4.1 A mesma coisa em etapas diferentes

ObjetoEtapas que não podem ser trocadas
França Equinocialfundação do núcleo → batalha → capitulação → administração
Independênciaresistência → batalha → campanha → adesão formal
Balaiadacausas estruturais → estopim → expansão → repressão
populaçãoCenso → estimativa → fluxo migratório → deslocamento pendular
agriculturaestabelecimento → área → produção → valor
mineraçãoocorrência → recurso → reserva → lavra → transporte
indústriamatéria-prima → transformação → capacidade → produção
portoorigem da carga → transporte → movimentação → exportação
patrimôniomanifestação → registro/tombamento → salvaguarda → reconhecimento internacional

4.2 Fonte, variável, período e território

Antes de julgar um item numérico, preencha mentalmente:

DimensãoPergunta
fontequem produziu o dado?
variáveltotal, área, valor, estoque, fluxo, capacidade ou movimentação?
períodocenso, ano civil, ano-safra, data de estoque ou série histórica?
unidadehabitantes, km², toneladas, cabeças, litros, reais ou acessos?
territórioestado, município, concessão multiestadual, bacia ou terminal?
etapaprodução, transformação, comércio ou transporte?

Se uma dessas dimensões muda, a conclusão pode mudar.

4.3 Pares que a banca costuma inverter

ParDistinção
Amazônia Legal × Região Norterecorte jurídico × macrorregião
bacia sedimentar × hidrográficaestrutura geológica × área de drenagem
APA × Parque Nacionaluso sustentável × proteção integral
clima × tempopadrão estatístico × condição momentânea
bioma × formação vegetalgrande conjunto × fisionomia
populoso × densototal × razão por área
migração × pendularidademudança de residência × deslocamento recorrente
cultivo × extrativismoprodução plantada × coleta espontânea
pesca × aquiculturacaptura × criação
extração × transformaçãoretirada do recurso × fabricação de produto novo
receita × VABfaturamento × valor adicionado
cobertura × usodisponibilidade estimada × utilização efetiva
porto organizado × TUPbem público portuário × instalação privada autorizada
capacidade × movimentaçãopotencial físico × resultado observado
tombamento × registropatrimônio material × imaterial

5. Checklist final

  1. 1612–1614–1615–1616: núcleo francês, Guaxenduba, capitulação, consolidação portuguesa.
  2. 1641–1642–1643–1644: conquista, sublevação, recuperação, expulsão neerlandesa.
  3. 1680–1682–1684–1685: trabalho indígena, estanco, Bequimão, repressão.
  4. Jenipapo: 13 de março de 1823, no Piauí; vitória tática de Fidié e derrota estratégica da campanha.
  5. Adesão: São Luís em 28 de julho; Caxias em 7 de agosto de 1823.
  6. Balaiada: causas múltiplas, estopim na Manga, base heterogênea, Caxias ocupada, repressão combinada.
  7. República: conflito em 17 e Junta em 18 de novembro de 1889.
  8. 1930: Pires Sexto deposto e Junta em 8 de outubro.
  9. Greve de 1951: duas fases; licença não é renúncia; 34 dias não são contínuos.
  10. Política 1951–2000: 1965 eleição/1966 posse; indiretas nos anos 1970; direta em 1982; Constituição em 1989; Roseana 1994/1998.
  11. Economia e sociedade: grandes projetos não eliminam atividades tradicionais nem desigualdades.
  12. Limites: Atlântico, Piauí, Tocantins e Pará.
  13. Geologia: Maranhão predominantemente sedimentar, não exclusivamente; potencial não é produção.
  14. SNUC: APA é Uso Sustentável; Parque Nacional é Proteção Integral.
  15. Clima e vegetação: quente, chuva sazonal, gradientes; Cocais não é bioma oficial.
  16. Hidrografia: 3 + 7 + 2; Araguaia não forma sozinho a divisa MA–TO.
  17. População: Censo 2022 não é estimativa 2025; densidade não é distribuição.
  18. Agropecuária: Censo Agro 2017, PAM/PPM 2024; estabelecimento, área, produção e valor são distintos.
  19. Extrativismo: espontâneo/capturado/lavrado não é cultivado/criado/transformado.
  20. Indústria: São Luís–alumínio, Imperatriz–celulose, Açailândia–metalurgia.
  21. Terciário: comércio, comunicação e circulação; fluxo não é origem produtiva.
  22. Infraestrutura: BRs, EFC/FNS/FTL, Itaqui/Ponta/Alumar, SLZ/SBSL e IMP/SBIZ.
  23. Cultura: Bumba, Tambor de Crioula, Mina, Terecô, Divino, Cacuriá, reggae e patrimônios têm categorias próprias.
  24. Desconfie de “todo”, “apenas”, “imediatamente”, “exclusivamente”, “automaticamente” e “sempre”.

Abrangência

Referências

Edital e corte temporal

História colonial e Império

República e segunda metade do século XX

Território, relevo, clima, vegetação e conservação

Hidrografia e população

Agropecuária, extrativismo e indústria

Comércio, telecomunicações e infraestrutura

Cultura e patrimônio

Questões oficiais usadas como termômetro de cobrança