Mega revisão de Língua Portuguesa

Uma troca pode conservar a gramática e mudar a informação; pode conservar a informação e deixar de funcionar na situação. Julgue separadamente o que o comando pede: correção, sentidos, coerência e adequação não são critérios intercambiáveis.

Esta revisão conecta os assuntos de Língua Portuguesa pela operação exigida na prova: interpretar, retomar, substituir, pontuar, flexionar ou reorganizar. Os exemplos são hipotéticos.

1. Do comando à informação que o texto autoriza

Evidência, alcance e vozes

ControleDecisão de leitura e de reescrita
Informação explícitaLocalize o que foi afirmado; mencionar uma opinião não é assumi-la.
InferênciaExija apoio textual: conclusão necessária ou fortemente sustentada não se confunde com possibilidade apenas compatível.
HierarquiaTema é o recorte; ideia principal organiza o texto; tese é a posição defendida. Exemplo e citação podem sustentar, ilustrar ou contrastar, conforme o uso.
AlcancePreserve participantes, quantidades, tempo, condição e exceção. Uma afirmação sobre parte do grupo não autoriza generalização.
ResponsabilidadeDistinga a voz de quem escreve das fontes citadas e das personagens. Não transforme previsão atribuída em fato garantido pelo narrador.

Teste de fidelidade: a nova versão afirma algo que a base não afirma? Deixa de afirmar algo que o comando exige preservar? Uma conclusão em sentido único não basta para provar equivalência.

Três informações implícitas pedem cuidados diferentes: pressuposição, como a atividade anterior em deixou de trabalhar; acarretamento, como a conclusão em conseguiu concluir; e implicatura, como a sugestão, nem sempre obrigatória, de “não todos” no uso de alguns. Negar a afirmação costuma preservar o pressuposto; não converta sugestão contextual em consequência necessária.

Em gráfico ou texto que combine palavras e imagens, confira unidade, população, período, escala e legenda. Diferença em pontos percentuais não é variação percentual relativa. Sucessão temporal e correlação, sozinhas, não demonstram causa.

Finalidade não é forma verbal isolada

Gênero é a forma social de comunicação — notícia, relatório, aviso; tipo ou sequência textual é o modo de organizar o conteúdo. O suporte é o meio de circulação; o domínio, o campo social. Um gênero pode reunir várias sequências e circular em suportes diferentes.

Predomínio observadoNão confundir com
Narração: progressão de acontecimentosDescrição: propriedades, estados e localização; a presença de verbos não a transforma em narrativa.
Exposição: explicar, definir ou classificarArgumentação: defender uma posição com sustentação; informação técnica não basta para identificar argumento.
Injunção: orientar uma açãoUso obrigatório do imperativo: a orientação também pode aparecer no infinitivo ou em outras formas.

A alternância de falas caracteriza sequência dialogal nas classificações que a reconhecem. Use o enquadramento fornecido pela questão. Predominância não significa exclusividade, e a inserção de uma sequência diferente não cria automaticamente outro gênero.

2. Referência, vocabulário e classes: o que a palavra faz aqui?

Retomar não é apenas evitar repetição

Coesão liga partes do texto; coerência permite construir um sentido compatível entre elas e com a situação. Muitos conectores não garantem coerência. Repetir o nome pode ser mais preciso do que variar entre palavras que designam objetos diferentes.

OperaçãoVerificação conjunta
Pronome retoma um nomeReconstrua o referente. Proximidade e concordância ajudam, mas não resolvem sozinhas uma ambiguidade.
Expressão resume um trechoConfira tanto o bloco retomado quanto sua classificação: chamar uma hipótese de “esse fato” aumenta indevidamente a certeza.
Palavra aponta para o contextoEu, aqui, hoje dependem de quem fala, onde e quando: é a dêixis. Sem data da fala, não invente a data de “amanhã”.
Palavra troca por sinônimoCompare sentido contextual, intensidade, avaliação, combinação com outras palavras e construção exigida. Sinonímia de dicionário não assegura substituição no trecho.
Nome troca por expressão mais geral ou específicaO hiperônimo pode perder informação; o hipônimo pode acrescentá-la. Relação parte–todo não é relação espécie–gênero.

Anáfora olha para trás; catáfora, para a frente. Uma retomada por associação não precisa nomear o mesmo objeto: a escola… os professores. Já duas expressões com o mesmo referente podem apresentar avaliações distintas.

Pequenas palavras, grandes mudanças

ContrasteO que precisa permanecer
Reduzir / eliminar; dificultar / impedirGrau e resultado. Não intensifique a afirmação para torná-la mais enfática.
Nem todos / nenhumNegar a totalidade não é negar cada integrante; “nem todos” também não garante, sozinho, que algum tenha realizado a ação.
Nem sempre / quase nuncaA primeira expressão nega regularidade absoluta; a segunda indica frequência muito baixa.
Apenas a equipe revisou / a equipe apenas revisouO escopo da restrição: quem agiu ou o que fez.
Não decidiu revisar / decidiu não revisarA negação da decisão não equivale à decisão de não realizar a ação.
Pode ocorrer / ocorrerá; recomenda-se / exige-sePossibilidade, previsão, recomendação e obrigação. Deve pode indicar obrigação ou probabilidade: decida pelo contexto.

Polissemia e homonímia não autorizam qualquer leitura fora do contexto. Parônimos, como ratificar e retificar, exigem atenção ao conteúdo. Sentido figurado não é, por si, erro nem ambiguidade; ambiguidade permite leituras diferentes, enquanto vagueza deixa limites pouco definidos.

A classe explica a flexão; a função explica a relação

Não classifique pelo significado ou pela aparência isolados. Um substantivo pode ser sujeito ou complemento; um adjetivo pode caracterizar diretamente um nome ou constituir predicativo. Artigo, pronome e numeral ajudam a determinar o nome; a posição do adjetivo pode alterar o sentido.

CompareRecuperação útil
Meia hora / tarefas meio difíceisQuantidade ligada ao nome varia; intensidade ligada ao adjetivo não.
Bastantes documentos / documentos bastante clarosQuantificador variável versus advérbio invariável. Menos permanece invariável.
Servidor só / só o servidorAdjetivo “sozinho” versus restrição “somente”; posição e contexto decidem.
O parecer / entregou-o / aludiu ao parecerArtigo, pronome de complemento e preposição mais artigo não são a mesma função.
Para eu analisar / documento para mimEu é sujeito do infinitivo; mim é complemento. A preposição sozinha não decide a escolha.

O advérbio pode modificar verbo, adjetivo, outro advérbio ou o enunciado. Terminação em -mente não determina valor de modo. Preposição não é conjunção; chamamento exclamativo não se classifica apenas pelo ponto de exclamação.

3. Oração, conector e pontuação devem ser examinados juntos

Reconstrua primeiro a estrutura

Localize os verbos e as locuções verbais; depois, sujeito, complementos e circunstâncias. Duas formas verbais não significam necessariamente duas orações. Ordem direta facilita a análise, mas inversão não é erro automático, e sujeito não é necessariamente quem pratica a ação.

RelaçãoTeste para não trocar a estrutura por um rótulo
CoordenaçãoTermos ou orações estão no mesmo nível; podem estar coordenados dentro de uma estrutura subordinada maior. Com conjunção, é sindética; sem ela, assindética.
Subordinação substantivaA oração inteira ocupa uma função própria de nome. Testar isso, disso, a isso ajuda a reconhecer sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto; a regência continua necessária.
Subordinação adjetivaO relativo retoma um antecedente e exerce função dentro da oração. Reconstrua essa função, não copie a função do antecedente na principal.
Subordinação adverbialIdentifique a relação de circunstância e a oração a que se liga. O conector é indício, não classificação automática fora do contexto.

Que integrante introduz a oração que pode ocupar o lugar de isso; que relativo retoma um antecedente e tem função interna. O mesmo se pode introduzir condição, pergunta indireta ou integrar uma construção verbal: antes de classificá-lo, reconheça a estrutura completa.

Relação de sentido não se preserva só por trocar o conector

RelaçãoControle na transformação
Causa, explicação e conclusãoCausa explica um acontecimento; explicação pode justificar uma afirmação ou ordem; conclusão resulta de um raciocínio. Inserir portanto cria relação que precisa estar sustentada.
Consequência e finalidadeResultado ocorrido não é objetivo pretendido. Tão… que e para que não são equivalentes.
Condição e tempoSe houver condiciona; quando houver situa no tempo e pode apresentar o evento como esperado. O futuro do subjuntivo, sozinho, não define condição.
Adversidade e concessãoMas contrapõe; embora apresenta um fato que não impede o outro. A conversão pode conservar o contraste, mas exige ajustar hierarquia, modo verbal e pontuação. Nem todo não… mas… admite essa conversão: pode haver correção da primeira ideia.
Comparação, conformidade e proporçãoCompare grandezas compatíveis; distinga seguir um parâmetro de variar conjuntamente. Como e à medida que precisam ser lidos na construção.
Adição e alternativaE pode sugerir sequência ou contraste; ou pode admitir coexistência ou exigir exclusão. A relação pode repercutir na concordância.

Pois explicativo não se confunde com pois conclusivo, geralmente deslocado após um termo da oração que introduz a conclusão. Porém, portanto e outros conectores móveis exigem pontuação conforme sua posição.

A vírgula separa estruturas, não respirações

Retire mentalmente o trecho intercalado e recupere a frase-base. Não separe arbitrariamente sujeito e verbo, verbo e complemento, nome e complemento. Uma intercalação, inserção que interrompe a sequência da frase-base, pode aparecer entre eles, desde que seja delimitada dos dois lados.

Mudança de pontuaçãoEfeito a conferir
Relativa sem vírgulas → entre vírgulasDe restritiva para explicativa. Muda a forma de delimitar o grupo no contexto, não “todos os seres” em qualquer situação.
Vocativo ou aposto explicativoIsole o chamamento ou a explicação; não os confunda com sujeito ou especificação indispensável do nome.
Circunstância deslocadaOrações adverbiais antepostas são separadas por vírgula; com adjunto adverbial curto, ela pode ser facultativa. Não invente limite universal de palavras.
CoordenaçãoVírgula antes de mas não implica vírgula imediatamente depois. Antes de e, não há proibição absoluta nem obrigatoriedade automática por haver sujeitos diferentes.
Omissão de verboA vírgula pode marcar elipse; omitir exige permitir a recuperação sem ambiguidade.
Dois-pontos, ponto e vírgula ou pontoReconheça anúncio, explicação, citação e hierarquia. Dois-pontos não devem romper arbitrariamente verbo e complemento, mas podem introduzir enumeração anunciada ou fala direta.

Compare: Os relatórios que chegaram foram analisados delimita quais relatórios; Os relatórios, que chegaram, foram analisados apresenta a chegada como informação adicional sobre o conjunto já identificado. Não trate a diferença como mero ritmo.

Travessões e parênteses podem delimitar inserções com destaque diferente. Aspas podem marcar voz citada, distanciamento ou emprego especial, sem significar sempre ironia. Mudança de foco, de sentido e de correção são resultados distintos: volte ao critério do comando.

4. Do termo regente ao relativo, ao pronome e à crase

Sentido do verbo ou nome → complemento exigido → preposição → determinante ou pronome. A regência é essa relação de dependência: o termo regente condiciona a construção do complemento. A sequência resolve várias cobranças de uma vez.

ConstruçãoConsequência para a reescrita
Analisar a propostaA proposta é objeto direto: analisá-la. O artigo não é preposição.
Referir-se à propostaA preposição vem do verbo, e o artigo acompanha o nome: referir-se a ela, sem crase.
Assistir à sessão / assistir o pacientePresenciar pede a no padrão tradicional; ajudar admite construção direta ou indireta. A acepção orienta o complemento.
Aspirar o ar / aspirar ao cargoRespirar e desejar não têm a mesma regência. Na acepção de desejar, use a ele, não generalize lhe.
Informar o fato à equipe / informar a equipe do fatoDuas construções: informar-lhe o fato ou informá-la do fato. Não misture os dois esquemas.
Lembrar o prazo / lembrar-se do prazoA presença do pronome acompanha a mudança de construção.
Preferir uma medida a outraPreserve a comparação e a preposição; favorável a, necessidade de e compatível com também exigem atenção ao nome regente.

Lhe não substitui qualquer complemento preposicionado nem qualquer pessoa. Visar, no sentido de objetivar, tem construção tradicional com a, mas o uso direto é admitido nas fontes; antes de infinitivo, encontra-se visa reduzir. Recomendações editoriais e variantes documentadas não devem virar proibições universais.

O relativo carrega a relação da sua própria oração

O relatório de que preciso conserva precisar de; a proposta a que me refiro conserva referir-se a. Com a qual: a proposta à qual me refiro. O fato de o antecedente ser feminino não produz crase antes de que.

Cujo expressa posse e concorda com o nome possuído, sem artigo depois: a equipe cujos relatórios chegaram. Pode vir precedido da preposição exigida: a equipe de cujos relatórios preciso. Onde indica lugar; aonde exige a preposição a na relação de destino — movimento, sozinho, não basta. Para uma ideia não locativa, avalie em que.

Crase: identifique os dois componentes antes de usar o teste

A fusão mais comum reúne preposição a e artigo a/as. Também ocorre com o início de aquele, aquela, aquilo e com o demonstrativo a. O teste masculino só vale mantendo a mesma relação e determinação: favorável à medida → favorável ao ajuste.

FronteiraDecisão
A propostas / às propostasSem artigo versus com artigo. Retirar apenas o acento de às não equivale a retirar o artigo.
A ela, a esta, a alguém, a fazerNão há o segundo a necessário. O feminino de uma referência não cria artigo.
Àquele parecer; à que foi aprovadaNo primeiro caso, há a + aquele; no segundo, o demonstrativo pode equivaler a aquela. Distinga de a que apenas preposição mais relativo.
Possessivo com nome feminino singularO artigo pode ser facultativo: a sua proposta / à sua proposta. Sem o nome, não transfira a faculdade: uma proposta semelhante à minha.
Nome próprio feminino ou lugarVerifique o artigo no uso concreto e a presença de determinantes. Não decore todo nome como invariavelmente acompanhado ou não de artigo.
Horário e duraçãoÀs duas horas marca horário; há duas horas, tempo passado; daqui a duas horas, tempo futuro. Intervalos: das duas às quatro ou de duas a quatro.
Locuções e palavras subentendidasPreserve formas como à tarde, às vezes, à medida que e à moda de. Não estenda o acento a toda expressão de instrumento ou a palavras repetidas, como cara a cara.

Depois de até, a construção pode admitir até a / até à. Não estenda essa possibilidade a qualquer preposição. Uma troca lexical pode exigir refazer simultaneamente regência, relativo, pronome e acento grave.

5. Cadeia verbal: tempo, certeza, participantes e concordância

O nome do tempo não decide sozinho o sentido

O tempo situa o evento; o aspecto mostra como ele se desenvolve; a modalidade indica o compromisso ou a atitude envolvidos.

ContrasteO que recuperar
Presente / futuroO presente pode indicar hábito, fato geral ou futuro contextual. O futuro pode expressar previsão, hipótese ou cortesia, não apenas data posterior.
Analisou / analisava / tem analisadoEvento apresentado como delimitado; situação em curso ou habitual no passado; repetição ou continuidade até o presente. Não trate as formas como equivalentes automáticas.
Tinha analisado / analisariaAnterioridade em relação a outro passado versus posterioridade vista de um passado, hipótese ou cortesia contextual.
Indicativo / subjuntivoIndicativo não garante verdade externa; subjuntivo não significa necessariamente fato falso: pode aparecer em concessão factual.
Se houver / caso haja; quando vier / se virA conjunção seleciona a construção. Vier corresponde a vir; vir, no segundo exemplo, a ver.

Ao passar de discurso direto a indireto, ajuste pessoa, referência temporal e dêixis conforme o ponto do relato. Não faça deslocamento temporal mecânico quando a ancoragem permaneceu a mesma.

Voz e função de se definem quem controla a flexão

EstruturaComparação decisiva
Ativa → passivaA equipe analisou os relatórios → os relatórios foram analisados pela equipe. O objeto passa a sujeito; preserve tempo, participantes e, se exigida, a informação do agente. Nem toda construção admite passiva.
Cadeia com auxiliaresA equipe deve analisar os relatórios → os relatórios devem ser analisados pela equipe. Não perca o auxiliar que expressa obrigação ou probabilidade.
Se apassivadorAnalisam-se relatórios: os relatórios são analisados. O sujeito paciente controla o plural.
Se indeterminadorPrecisa-se de relatórios: complemento preposicionado, verbo no singular. Trata-se de problemas, não pluralize por proximidade.
Outros usos de seReflexivo, recíproco ou integrante de verbo pronominal não se identificam apenas pela posição antes ou depois do verbo.

Na passagem inversa, uma passiva sem agente não permite inventar quem agiu. A mudança de voz pode conservar a informação e alterar o destaque; avalie se o comando exige conservar também esse efeito.

Concorde com o controlador, não com a palavra vizinha

SituaçãoRegra e limite
Sujeito simples ou compostoLocalize o núcleo. Composto anteposto normalmente exige plural; posposto pode admitir concordância com o mais próximo. Intercalações não criam novo sujeito.
Coletivo e expressão partitivaA equipe chegou; a maioria dos servidores chegou/chegaram. Não transfira a dupla possibilidade a qualquer singular acompanhado de plural.
QuantidadeExamine o numeral e o especificador nas porcentagens; não há uma única fórmula indiferente à construção. Mais de um normalmente leva singular, com exceções como reciprocidade.
Relativos e tratamentoQue, como sujeito, retoma o antecedente; quem admite terceira pessoa do singular ou concordância com o antecedente. Tratamento pede terceira pessoa; o gênero do adjetivo acompanha a pessoa referida.
Haver existencial e fazer temporalDeve haver falhas; faz dois anos: impessoais, também com auxiliar. Devem existir falhas: sujeito plural. Como auxiliar, haver pode flexionar: haviam concluído.
Ser em horas e distânciasNão aplique cegamente a regra dos outros impessoais: são duas horas; são dez quilômetros.
Concordância nominalArtigo, numeral e adjetivo acompanham o nome a que se ligam. Adjuntos adnominais e predicativos podem ter condições distintas de concordância; identifique a função e o alcance.
ParticípioTinham analisado as propostas, sem flexão do particípio; as propostas foram analisadas, com concordância. Propostas anexas, mas propostas em anexo.

Uma forma verbal regular ou irregular, uma forma de particípio e uma construção possível devem ser reconhecidas no verbo concreto. A existência de dois particípios não autoriza intercâmbio indiscriminado em qualquer construção.

6. Infinitivo e pronome: preservar a função antes de mudar a posição

Infinitivo flexionado continua sendo infinitivo; não vira oração desenvolvida só por indicar pessoa. Em antes de os servidores saírem, o sujeito próprio fica explícito. Em os servidores devem sair, o infinitivo integra a locução e não recebe plural. Depois de verbos de percepção ou de mando, a construção importa: vi os servidores sair/saírem, mas vi-os sair no padrão tratado nas aulas.

O pronome átono, sem acento próprio, pode ocorrer antes do verbo (próclise), depois (ênclise) ou no interior de certas formas de futuro (mesóclise). Primeiro identifique seu verbo e sua função; depois examine atração, forma verbal e oração.

CondiçãoDecisão no padrão formal tradicional
Negação, relativo, subordinador ou interrogativo com função atrativaVerifique o alcance na oração: não lhe entregou; o documento que me enviaram. Uma palavra em outra oração não atrai automaticamente.
Advérbio e pausaAdvérbio sem pausa pode favorecer ou exigir próclise conforme a construção; uma intercalação não apaga automaticamente toda atração anterior.
Início de oração independente, sem atraçãoPrefira encaminhe-me, não inicie com o átono no padrão tradicional. Sujeito expresso antes do verbo não é, sozinho, fator obrigatório de próclise.
Futuro do presente ou do pretérito do indicativoSem atração: enviar-lhe-ei; com negativa: não lhe enviarei. Não use enviarei-lhe. Futuro do subjuntivo não admite mesóclise.
Infinitivo e gerúndioO infinitivo pode admitir ênclise mesmo depois de negativa: para não prejudicá-lo. Em em + gerúndio, use próclise: em se tratando.
Locução com infinitivo ou gerúndioNão me pode enviar / não pode enviar-me: a negativa não elimina a ligação ao verbo principal. Não a converta em permissão de ênclise ao auxiliar atraído.
ParticípioNunca ligue o átono depois dele: tinha-me enviado, não tinha enviado-me. A posição deve ser resolvida na cadeia verbal.

O uso brasileiro entre auxiliar e principal nem sempre coincide com a recomendação conservadora de um manual. Distinga descrição de uso, orientação editorial e padrão efetivamente exigido; não transforme uma variante documentada em erro universal.

A colocação pode mudar a grafia: antes de o, a, os, as, a terminação verbal r, s, z cai e surgem lo, la, los, las; reavalie o acento: analisar → analisá-lo; fazer → fazê-lo; partir → parti-lo. Após terminação nasal, aparecem no, na, nos, nas, como põem-no. Não aplique essas mudanças a lhe. Na combinação -mos + nos, perde-se o s: encontramo-nos.

7. Ortografia: confira a palavra que resultou da transformação

Acento gráfico não é o mesmo que sílaba tônica. Classifique a forma efetivamente escrita depois da flexão, derivação ou ligação ao pronome.

FiltroRecuperação
Posição tônicaOxítonas: finais a, e, o, seguidos ou não de s, em, ens e ditongos abertos éi, éu, ói. Proparoxítonas: todas acentuadas.
Penúltima sílaba tônicaParoxítonas: recupere as terminações especiais, como l, n, r, x, ps, i/is, us, um/uns, ã/ãs, ão/ãos e ditongo. As regras não se deduzem apenas do número de sílabas.
Vogais em sílabas diferentesNo hiato, i/u tônicos recebem acento nas condições próprias: sozinhos ou com s na sílaba, com exceções como nh seguinte e paroxítonas após ditongo. Compare saída, baú, rainha, feiura.
Contrastes mantidosPôde/pode; pôr/por; tem/têm; vem/vêm. Nos derivados: mantém/mantêm. O acento pode distinguir tempo, classe ou número.
Contrastes após o AcordoIdeia, heroico, voo, leem, sem os antigos acentos; herói, papéis, com acento. Não apague o acento de todo ditongo aberto.

Nas formações com prefixo, decida pela fronteira entre os elementos: mesma vogal geralmente pede hífen; vogais diferentes geralmente se unem; prefixo terminado em vogal + r/s normalmente dobra a consoante, como antissocial. Antes de h, a regra geral é hífen, com exceções registradas. Co- pode aglutinar mesmo diante de o; ex-, vice- e pós-, pré-, pró- tônicos têm regras próprias. Não aplique esse esquema indistintamente a palavras compostas e locuções: confira a formação e o registro lexical.

Por que pode introduzir pergunta ou corresponder a pelo qual; porque liga explicação ou causa; porquê é substantivo; por quê aparece na posição tônica final. Há e a, a fim de e afim, senão e se não dependem da função e do sentido, não só do som. O VOLP orienta a grafia; não substitui a análise sintática e contextual.

8. Reescrever o período e o texto sem perder o compromisso original

Operações que exigem mais de um ajuste

OperaçãoO que precisa viajar junto
Deslocar um segmentoMova o bloco completo; preserve o alcance da negação, o referente e a ligação com o verbo. Refaça a pontuação quando necessária.
Unir ou dividir períodosNão crie causa ou conclusão ausente; não deixe dependência fragmentada na escrita formal. Relações podem continuar implícitas quando recuperáveis.
Desenvolver uma oração reduzidaTroque infinitivo, gerúndio ou particípio por construção com verbo flexionado no modo e tempo adequados; mantenha sujeito, relação e referência temporal. Apenas trocar para por a fim de não desenvolve a oração.
Transformar verbo em nomeA nominalização pode ocultar quem agiu, quando e com que certeza. Recuperar um verbo exige não inventar essas informações.
Coordenar ações ou requisitosUse paralelismo: analisar os dados, elaborar o relatório e comunicar o resultado. Não exija identidade mecânica de pessoa ou voz entre orações independentes; preserve funções e regências.
Mudar gênero ou destinatárioReorganize finalidade, hierarquia, composição e grau de explicitação. Trocar sinônimos não basta para transformar relatório em instrução ao público.

Um mesmo exemplo, três critérios

Segundo a equipe, os pedidos que chegarem até sexta-feira poderão ser analisados na segunda-feira.

Informação: a equipe é a fonte, não necessariamente quem fará a análise; a condição seleciona pedidos; poderão não garante análise; a data depende da semana de referência.

Estrutura: o relativo delimita o conjunto; o futuro do subjuntivo apresenta a chegada na condição temporal; a cadeia passiva conserva a possibilidade e concorda com pedidos.

Adequação: Envie o pedido até sexta-feira para garantir a análise na segunda não é simples melhora de clareza: inventa garantia. Um aviso pode destacar prazo e possibilidade, mas deve conservar a fonte quando relevante e não criar responsável ou data absoluta sem base.

Formalizar não é endurecer, obscurecer nem apagar

Formalidade é adequação à situação, não vocabulário raro. Informalidade não equivale automaticamente a incorreção. Cargo e hierarquia, sozinhos, não fixam o registro; considere participantes, finalidade e suporte. Se a questão define rótulos de registro, use suas definições.

Na comunicação institucional, clareza facilita compreensão; precisão delimita a informação; objetividade mantém o foco; concisão retira o dispensável. Não corte condição, exceção, fonte ou responsável para encurtar. Impessoalidade não exige passiva nem agente oculto; convenções de tratamento e apresentação dependem do órgão e da norma aplicáveis, não de uma regra federal presumidamente universal.

Ao adaptar texto técnico ao público, explique o termo indispensável sem ampliar seu alcance. Ao relatar fala, preserve a incerteza e as referências recuperáveis. Ao passar de opinião para informação, atribua a avaliação à fonte; não a promova a fato do narrador. Seleção e síntese dependem do comando: resumir pode permitir cortes que uma preservação integral dos sentidos não admite.

Fechamento da decisão: identifique o critério pedido, reconstrua a relação afetada e compare as duas versões completas. Aponte a perda, o acréscimo ou o erro concreto; não rejeite toda mudança formal nem aceite toda frase que apenas “soa bem”.

Abrangência

Referências

Programa e fontes linguísticas

  • Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos. Edital nº 1, de 6 de julho de 2026, consolidado após o Edital nº 2, de 29 de julho de 2026. Concurso do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão; programa de Língua Portuguesa no item 14.2.3, página 43. A consolidação identifica esses dois atos, não atos posteriores.
  • Brasil. Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008 — Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, texto atualizado na Câmara dos Deputados. Bases VIII–XI e XV–XVII: acentuação, formações com hífen e ligação de pronomes a verbos. A data de consulta não altera a vigência nem o corte do edital.
  • Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, consulta digital. Instrumento de registro lexical e grafia; não substitui a interpretação contextual ou a análise sintática.
  • Brasil. Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República, 3ª edição, revista, atualizada e ampliada, Brasília, 2018. Documento integral disponibilizado pela Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul; serviço oficial de consulta. Seções 3.1–3.6 e 11.1–11.10: precisão, concisão, referência, estrutura, concordância, regência e pontuação. Uso linguístico, sem importar regras federais de expediente ou tratamento como automaticamente aplicáveis a outro órgão.
  • Senado Federal. Manual de Comunicação: Vírgula, Concordância verbal, Crase, Paralelismo sintático, Assistir e Visar. Distinguir regra gramatical, variante admitida e preferência editorial do manual.
  • Fundação Alexandre de Gusmão. Colocação pronominal, Manual de Revisão, página modificada em 5 de junho de 2020. Condições de próclise, ênclise, mesóclise e colocação em locuções verbais. Orientação conservadora: suas restrições editoriais não equivalem a descrição exaustiva do uso culto brasileiro.
  • Rojo, Roxane. Gêneros e tipos textuais. Glossário do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Critérios sociocomunicativos dos gêneros e organização linguística dos tipos.
  • Benfica, Maria Flor de Maio Barbosa. Retextualização. Glossário do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Produção de novo texto a partir de textos-base e efeitos da mudança de propósito, gênero e interlocução.

Provas e fundamentação oficial

  • Fundação Getulio Vargas. Tribunal de Contas do Estado de Goiás, 2024. Analista de Controle Externo — Controle Externo, Tipo 1, Branca; questões 2 e 5. Caderno oficial e gabarito definitivo. Transformação de oração reduzida em desenvolvida e alteração de sentido pelo deslocamento de termos. Contraprova sem reprodução das alternativas nesta revisão.
  • Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos. Polícia Civil do Distrito Federal, edital de 2024. Conhecimentos Básicos, texto CB1A1, itens 13 e 14: caderno com justificativas oficiais. Referência e relações de sentido em reescritas. Ressalva: a justificativa do item 8, não utilizada, chama indevidamente embora de adversativa; a conjunção é concessiva. Não importar essa classificação.
  • Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília. Departamento de Polícia Federal, Escrivão, concurso identificado como DPF_12_ESCRIVAO. Justificativas oficiais de alterações de gabarito, item 12, segunda página. Fundamentação da possibilidade de ligar o pronome ao infinitivo mesmo em locução precedida de negativa. Utilizada como esclarecimento gramatical, não como revisão integral da prova nem de suas regras administrativas antigas.

Fontes eletrônicas consultadas em 22 de setembro de 2026.