Mega revisão de Raciocínio Lógico
Esta revisão integra os dez assuntos comuns de Raciocínio Lógico dos cargos de Analista Administração e Técnico-Administrativa do TCE/MA 2026. O corte principal é o Edital nº 1, de 6 de julho de 2026, considerado com a consolidação decorrente da retificação de 29 de julho de 2026, que não modificou este bloco.
O fio condutor da prova é menos “decorar fórmulas” e mais controlar cinco decisões: o que está sendo representado, qual regra foi realmente dada, qual operação preserva essa regra, que tipo de conclusão se pede e como conferir o resultado. Antes de calcular, identifique o objeto: cenário de restrições, argumento, fórmula, classe, conjunto, contagem, evento probabilístico, grandeza geométrica ou matriz.
Disciplina de resolução: traduza sem fortalecer nem enfraquecer o enunciado; preserve escopos e unidades; não crie existência, exclusividade, proporcionalidade, paralelismo, independência ou capacidade que não tenham sido informados; ao final, teste todas as condições originais.
1. Estruturas lógicas
Estruturas lógicas organizam pessoas, objetos, lugares, tarefas ou eventos em um universo finito submetido a condições. O enunciado fornece elementos, possibilidades e restrições; a solução é uma configuração completa que satisfaz todas elas simultaneamente.
1.1. Traduza a condição antes de montar o quadro
| Linguagem do enunciado | Leitura operacional |
|---|---|
| A antes de B | A ocupa posição anterior; pode haver intervalo |
| A imediatamente antes de B | bloco orientado [A B] |
| A ao lado de B | [A B] ou [B A] |
| A com B | mesmo grupo, salvo regra específica |
| A sem B | grupos distintos |
| se A, então B | ocorrendo A, B deve ocorrer |
| A somente se B | A exige B; B é necessário para A |
| somente A pode fazer X | se X ocorrer, o agente será A; não afirma que X ocorrerá |
| exatamente k | nem menos nem mais que k |
| pelo menos k | k ou mais |
| no máximo k | de zero a k |
| A ou B, mas não ambos | exatamente um dos dois |
Três distinções eliminam muitos erros:
- precedência não é adjacência:
A < Bnão forma automaticamente[A B]; - adjacência não fixa direção: “A ao lado de B” admite duas orientações;
- condição necessária não é suficiente: de
A → Bnão se concluiB → A.
1.2. Escolha uma representação que exponha as restrições
| Estrutura do problema | Representação útil |
|---|---|
| fila, classificação, agenda | posições numeradas |
| pessoa × setor × data | grade de associação |
| equipes, salas, turnos | caixas com capacidades |
| chefia, dependência, precedência | setas com direção definida |
| poucas alternativas residuais | árvore curta de casos |
Em uma associação um a um, confirmar Lia = TI fecha simultaneamente a linha de Lia e a coluna de TI: eliminam-se outros setores para Lia e TI para as demais pessoas. Em agrupamentos, registre antes de distribuir a capacidade, o mínimo, o máximo, os pares obrigatórios, as incompatibilidades e as condicionais.
1.3. Propagação: cada informação deve produzir consequências
Após uma atribuição ou exclusão:
- elimine opções incompatíveis;
- feche linha, coluna ou caixa cuja capacidade foi atingida;
- reserve vagas para mínimos ainda não satisfeitos;
- reaplique regras condicionais ativadas;
- procure elemento com única opção e opção que só cabe em um elemento;
- verifique cadeias de precedência e impossibilidades de encaixe.
Se A < B, B < C e C < A, surgiu um ciclo impossível. Se uma equipe de duas pessoas já contém um par obrigatório, ela está completa. Se três elementos só podem ocupar duas posições exclusivas, o ramo é inviável.
1.4. Quando abrir casos
Abra casos apenas quando a propagação direta parar e houver poucas alternativas relevantes. Cada ramo conserva todas as regras originais. Uma contradição descarta o ramo inteiro; não autoriza flexibilizar a condição que produziu a contradição.
Exemplo: quatro pessoas ocupam as posições 1 a 4. A está antes de B; C está ao lado de A; D não ocupa a posição 4. Testar a orientação [C A] e depois [A C] é legítimo. Presumir que C fica imediatamente depois de A sem examinar a outra orientação não é.
1.5. “Pode”, “deve” e “não pode” exigem provas diferentes
| Comando | Prova adequada |
|---|---|
| pode ser verdadeiro | uma configuração completa válida em que ocorra |
| deve ser verdadeiro | ocorre em todas as configurações; tente construir contraexemplo |
| não pode ser verdadeiro | assumir a alternativa conduz inevitavelmente a contradição |
| solução única | todas as demais configurações foram eliminadas |
Uma solução encontrada prova existência, não necessidade nem unicidade. Uma disposição parcial aparentemente promissora não prova possibilidade: ela ainda pode tornar-se incompatível ao completar as posições.
1.6. Armadilhas de maior rendimento
- completar lacunas com “bom senso”;
- interpretar “antes” como “imediatamente antes”;
- ler “pelo menos” como “exatamente”;
- inverter
A → B; - transformar uma exclusão isolada em atribuição;
- ignorar capacidade ou mínimo ao avançar um ramo;
- tratar relação não transitiva como transitiva;
- encontrar um exemplo e concluir “deve”;
- preencher o quadro e deixar de reler uma condição negativa.
2. Lógica de argumentação, analogias, inferências, deduções e conclusões
Um argumento apresenta uma ou mais afirmações como razões para aceitar outra. Premissa é a razão, conclusão é a tese apoiada e inferência é a passagem das premissas à conclusão. O texto pode conter conclusão intermediária, que encerra um passo e passa a funcionar como premissa do seguinte.
2.1. Reconheça a função, não apenas a palavra
“Logo”, “portanto” e “assim” costumam anunciar conclusão; “porque”, “pois” e “já que” costumam introduzir razão. São indícios, não regras mecânicas. A conclusão pode aparecer antes das premissas, e um texto pode argumentar sem marcador explícito.
Diferencie:
- relato: organiza fatos, sem um deles sustentar outro;
- explicação: toma um fato como aceito e mostra por que ocorreu;
- opinião isolada: apresenta posição sem razão;
- argumento: oferece razões para que uma tese seja aceita.
A frase “o portal ficou lento porque houve pico de acessos” é explicação se a lentidão já está admitida. Pode funcionar como argumento se a própria existência da lentidão estiver em disputa e o pico for oferecido como evidência.
2.2. Pressupostos e estrutura do apoio
Premissas podem ser:
- ligadas: precisam atuar juntas;
- independentes: cada uma oferece apoio próprio;
- encadeadas: uma conclusão intermediária sustenta o passo posterior.
Um pressuposto é uma ponte não expressa. Em “Rui domina o sistema, logo deve ministrar o treinamento”, falta uma regra que ligue domínio técnico a aptidão para ensinar. Ao reconstruí-la, não acrescente tudo o que tornaria o argumento convincente; escolha apenas a ponte compatível com o texto e necessária ao apoio pretendido.
2.3. Verdade, validade e solidez
| Conceito | Objeto avaliado | Pergunta correta |
|---|---|---|
| verdade/falsidade | afirmação | seu conteúdo corresponde ao caso considerado? |
| validade/invalidade | argumento dedutivo | premissas verdadeiras poderiam coexistir com conclusão falsa? |
| solidez | argumento dedutivo | é válido e tem premissas verdadeiras? |
Premissa falsa não torna automaticamente o argumento inválido. Conclusão verdadeira não torna automaticamente o argumento válido. Um argumento válido com alguma premissa falsa não é sólido; um argumento sólido tem conclusão verdadeira.
Para refutar validade dedutiva, basta um contraexemplo coerente no qual todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão, falsa. Não é preciso que o cenário tenha ocorrido no mundo real; ele precisa ser compatível com as premissas.
2.4. Dedução, indução e analogia
| Tipo | Pretensão | Teste principal |
|---|---|---|
| dedução | a conclusão é necessária dadas as premissas | procure contraexemplo |
| indução | a conclusão é provável | examine base, representatividade e alcance |
| analogia | transfere expectativa entre casos semelhantes | procure diferença relevante |
Na indução, poucos casos, seleção enviesada e conclusão universal enfraquecem o apoio. Uma amostra ampla, relevante e representativa o fortalece, mas não transforma a conclusão em necessidade lógica.
Na analogia, quantidade de semelhanças não basta. Uma única diferença ligada ao mecanismo responsável pelo resultado pode ser decisiva. Duas unidades usarem o mesmo sistema é pouco informativo se uma delas está sujeita a restrição operacional que impede justamente a prática cujo efeito se pretende transferir.
2.5. Conclusão necessária, provável e possível
- necessária: não pode ser falsa se as premissas forem verdadeiras;
- provável: recebe apoio relevante, mas pode falhar;
- possível: ainda não foi excluída.
Possibilidade não implica probabilidade, e probabilidade não implica necessidade. A linguagem da conclusão deve ser proporcional ao apoio: “pode”, “provavelmente”, “sempre” e “necessariamente” não são intercambiáveis.
2.6. Padrões condicionais
Considere A → B.
| Premissas adicionais | Conclusão | Avaliação |
|---|---|---|
| A | B | válida — afirmação do antecedente |
| ¬B | ¬A | válida — negação do consequente |
| B | A | inválida — afirmação do consequente |
| ¬A | ¬B | inválida — negação do antecedente |
Se “processo urgente recebe prioridade” e P é urgente, segue que P recebe prioridade. Se P recebeu prioridade, não se conclui que era urgente: outra regra pode justificar a prioridade.
2.7. Relevância e suficiência
Uma razão pode ser irrelevante (“a proposta é popular, logo é legal”) ou relevante, porém insuficiente (“dois usuários reclamaram, logo todos rejeitam o serviço”). Primeiro verifique se a razão toca a propriedade afirmada; depois, se sustenta a extensão e a força da conclusão.
3. Proposições simples e compostas e tabelas-verdade
Na lógica proposicional clássica, uma proposição é uma afirmação declarativa que, em contexto definido, recebe exatamente um valor: verdadeiro ou falso. Não é necessário que o candidato conheça esse valor para reconhecer a proposição.
Perguntas, ordens e exclamações sem conteúdo declarativo não recebem V/F. Uma sentença como x + 2 = 7, sem valor atribuído a x, é aberta; pode tornar-se proposição quando a variável for substituída ou quantificada.
3.1. Simples, composta e conectivo principal
Proposição simples é tratada como unidade. Proposição composta combina proposições por conectivos. Em uma fórmula aninhada, o conectivo principal é o executado por último; os parênteses definem o agrupamento.
| Operação | Forma | Quando é verdadeira |
|---|---|---|
| negação | quando é falsa | |
| conjunção | somente em V/V | |
| disjunção inclusiva | quando ao menos uma é V | |
| disjunção exclusiva | quando exatamente uma é V | |
| condicional | em todos os casos, exceto V/F | |
| bicondicional | quando os valores são iguais |
O “ou” simples é inclusivo, salvo marca de exclusividade. “Mas”, “embora” e construções equivalentes normalmente preservam a regra de verdade da conjunção, apesar da diferença discursiva.
3.2. Condicional: a linha crítica
A condicional p → q é falsa apenas quando o antecedente ocorre e o consequente não. Ela não exige relação causal ou temporal.
| V | V | V |
| V | F | F |
| F | V | V |
| F | F | V |
Em p → q:
pé condição suficiente paraq;qé condição necessária parap.
| Linguagem | Forma |
|---|---|
| se p, então q | |
| p implica q | |
| p é suficiente para q | |
| q é necessário para p | |
| p somente se q | |
| p se q |
“Somente se” aponta para o lado necessário da seta. “Rui será nomeado se aprovado” faz a aprovação suficiente; “Rui será nomeado somente se aprovado” faz a aprovação necessária.
3.3. Bicondicional e exclusiva
A bicondicional é verdadeira quando os lados coincidem; a exclusiva, quando divergem:
| Valores de e | ||
|---|---|---|
| iguais | V | F |
| diferentes | F | V |
A bicondicional expressa necessidade e suficiência recíprocas. A exclusiva afirma exatamente uma verdade, não “ao menos uma”.
3.4. Tabelas-verdade
Se há n proposições simples distintas, a tabela completa possui:
linhas. Repetir a mesma letra não aumenta n. Monte primeiro todas as atribuições e depois calcule subfórmulas de dentro para fora.
Para três letras, por exemplo, uma enumeração possível é:
| V | V | V |
| V | V | F |
| V | F | V |
| V | F | F |
| F | V | V |
| F | V | F |
| F | F | V |
| F | F | F |
A ordem pode variar, desde que cada combinação apareça uma vez.
Atalhos seguros:
- uma parcela F derruba a conjunção;
- uma parcela V garante a disjunção inclusiva;
- antecedente F ou consequente V garante a condicional;
- na bicondicional, compare igualdade; na exclusiva, diferença.
3.5. Tautologia, contradição e contingência
| Coluna final | Classificação |
|---|---|
| somente V | tautologia |
| somente F | contradição |
| ao menos um V e um F | contingência |
Uma linha F basta para mostrar que a fórmula não é tautologia, mas não basta para chamá-la de contradição. Uma linha V basta para mostrar que não é contradição, mas não prova tautologia.
3.6. Erros recorrentes
- chamar ordem ou pergunta de “proposição falsa”;
- contar ocorrências, não letras distintas;
- presumir que todo “ou” é exclusivo;
- declarar
F → Ffalsa; - esquecer que
F ↔ Fé verdadeira; - inverter “se” e “somente se”;
- desprezar parênteses e alcance da negação;
- classificar pela observação de uma única linha.
4. Equivalências, leis de De Morgan e diagramas lógicos
Duas fórmulas são equivalentes quando têm o mesmo valor em todas as atribuições. Uma linha coincidente não prova equivalência; uma linha divergente a refuta. Equivalentemente, P ↔ Q deve ser tautológica.
4.1. Equivalências indispensáveis
| Expressão | Forma equivalente |
|---|---|
A contrapositiva de p → q é ¬q → ¬p e é equivalente à original. A conversa q → p e a inversa ¬p → ¬q não são equivalentes em geral.
4.2. Leis algébricas úteis
Ao substituir uma subfórmula por equivalente, preserve parênteses e alcance. Equivalência não autoriza “cancelar” letras ou trocar conectivos por semelhança visual.
4.3. De Morgan
A operação tem dois movimentos inseparáveis: negar cada parcela e trocar e por ou, ou ou por e.
| Frase original | Negação correta |
|---|---|
| Ana assinou e Bruno publicou | Ana não assinou ou Bruno não publicou |
| Ana assinou ou Bruno publicou | Ana não assinou e Bruno não publicou |
| todos os requisitos foram atendidos | pelo menos um requisito não foi atendido |
| algum requisito foi atendido | nenhum requisito foi atendido |
“Nem p nem q” corresponde a ¬p ∧ ¬q, isto é, à negação de p ∨ q.
4.4. Roteiro de transformação
- fixe o conectivo principal;
- preserve os agrupamentos;
- elimine
→ou↔quando isso simplificar; - leve a negação para dentro, aplicando De Morgan;
- elimine duplas negações;
- procure complementos, identidade, absorção e distributividade;
- se necessário, confira por tabela-verdade ou por atribuição divergente.
4.5. Diagramas lógicos de classes
Nos diagramas, regiões representam classes. Uma convenção operacional frequente é:
- região hachurada: vazia;
X: existe ao menos um objeto naquela região;- região em branco: existência não determinada;
Xsobre uma fronteira: existe objeto, mas a sub-região exata ainda não foi determinada.
| Forma categórica | Leitura de classe |
|---|---|
| todo A é B | a parte de A fora de B é vazia |
| nenhum A é B | é vazia |
| algum A é B | há X em |
| algum A não é B | há X em |
As negações formam pares:
| Afirmação | Negação |
|---|---|
| todo A é B | algum A não é B |
| nenhum A é B | algum A é B |
| algum A é B | nenhum A é B |
| algum A não é B | todo A é B |
Premissa universal restringe regiões, mas não cria automaticamente existência da classe-sujeito. De “todo auditor é servidor” não se conclui, sem informação existencial, que exista auditor.
4.6. Inferências diagramáticas
- se e , então ;
- se todo A é B e algum A é C, então algum B é C;
- se todo A é B e algum B é C, não é obrigatório que algum A seja C;
- se todo A é B e nenhum B é C, então nenhum A é C;
- se algum A é B e nenhum B é C, então algum A não é C.
Para três classes, lance primeiro as restrições universais e depois os objetos existenciais. Não posicione um X numa sub-região apenas para favorecer a conclusão quando duas posições permanecem admissíveis.
5. Lógica de primeira ordem
A lógica de primeira ordem abre a estrutura interna das afirmações. Em vez de tratar “todo servidor é agente público” como letra indivisível, explicita objetos, propriedades, relações e quantificadores.
5.1. Linguagem e semântica
| Elemento | Função |
|---|---|
| domínio | conjunto não vazio de objetos considerados |
| constante | nomeia um objeto |
| variável | ocupa o lugar de um objeto |
| função | recebe objetos e devolve objeto |
| predicado | atribui propriedade ou relação |
| aridade | número de argumentos exigidos |
| igualdade | identidade entre objetos designados |
f(a) é termo; P(f(a)) é fórmula. Predicado binário R(x,y) não pode ser usado como R(x) sem redefinição. Constantes diferentes podem nomear o mesmo objeto, salvo premissa de desigualdade.
5.2. Quantificadores, escopo e variáveis
∀x P(x): todo objeto do domínio satisfaz P;∃x P(x): ao menos um objeto do domínio satisfaz P.
Existencial não significa “exatamente um” nem “algum, mas não todos”. O escopo do quantificador determina quais ocorrências da variável ficam ligadas. Fórmula sem variável livre é uma sentença; fórmula aberta depende também de uma atribuição.
5.3. Traduções categóricas
| Português | Fórmula |
|---|---|
| todo A é B | |
| nenhum A é B | |
| algum A é B | |
| algum A não é B |
Universal restrita usa implicação; existencial restrita usa conjunção.
∀x(A(x) ∧ B(x)) diria que todo objeto do domínio é A e B, não apenas que todo A é B. ∃x(A(x) → B(x)) pode ser satisfeita por um objeto que nem sequer seja A e, por isso, não traduz corretamente “algum A é B”.
“Somente servidores acessam” significa:
Não afirma que todo servidor acessa.
5.4. Negação de quantificadores
Assim:
Negar “todos” produz um contraexemplo existencial; não produz “nenhum”. Para negar quantificadores sucessivos, troque cada quantificador e negue o escopo:
5.5. Ordem dos quantificadores
permite um y diferente para cada x. Já
exige um mesmo y que funcione para todos. Em geral, essas fórmulas não são equivalentes.
Quantificadores consecutivos do mesmo tipo podem trocar de ordem; quantificadores mistos, em geral, não.
5.6. Existência, modelos e contramodelos
O domínio global é não vazio, mas uma classe definida por predicado pode ser vazia. Portanto:
não implica ∃x A(x).
Uma fórmula é:
- satisfatível se verdadeira em algum modelo;
- válida se verdadeira em todos os modelos admissíveis;
- insatisfatível se não há modelo que a torne verdadeira.
Para refutar consequência lógica, construa um contramodelo com premissas verdadeiras e conclusão falsa. De ∃xP(x) e ∃xQ(x) não segue ∃x(P(x) ∧ Q(x)): os testemunhos podem ser objetos diferentes.
5.7. Inferências elementares
- de
∀x P(x), pode-se obterP(a)para objeto designado; - de
P(a), segue∃x P(x); - de
∃x P(x), não se concluiP(a)para constante arbitrariamente escolhida; - de
P(a)para um indivíduo específico, não segue∀x P(x); - de
∀x(A→B),∀x(B→C)e∃xA, segue∃xC.
6. Princípios de contagem e probabilidade
O erro mais caro é escolher a fórmula antes de definir o que conta como resultado diferente. Pergunte se há alternativas ou etapas, se a ordem importa, se todos os objetos serão usados, se há repetição, se posições têm restrições e se rotações são equivalentes.
6.1. Mapa de decisão da contagem
| Estrutura | Ferramenta inicial |
|---|---|
| alternativas disjuntas | somar |
| etapas sucessivas | multiplicar |
| ordenar todos os objetos distintos | permutação |
| escolher parte e a ordem importa | arranjo |
| escolher parte e a ordem não importa | combinação |
| objetos repetidos e indistinguíveis | dividir pelos fatoriais das repetições |
| escolha com repetição, sem ordem | combinação com repetição |
| disposição circular sem lugar marcado | permutação circular |
6.2. Fórmulas básicas
Com repetições de multiplicidades :
Em círculo, quando apenas rotações são equivalentes:
Escolhendo p unidades entre n tipos, com repetição e sem ordem:
6.3. Restrições
- juntos: trate o grupo como bloco e conte sua ordem interna;
- separados: use lacunas ou total menos casos adjacentes;
- posição fixa: retire objeto e posição antes de permutar;
- algarismo inicial: zero não pode iniciar numeral comum;
- cópias iguais: trocá-las não cria novo arranjo;
- círculo: rotação não cria nova disposição; reflexão continua distinta, salvo regra contrária.
Para “pelo menos um”, o complemento “nenhum” costuma ser mais simples:
6.4. Inclusão-exclusão e casa dos pombos
Ao distribuir N objetos em r caixas, alguma caixa contém ao menos:
objetos. O princípio garante existência, não identifica a caixa.
6.5. Espaço amostral e probabilidade
Evento é subconjunto do espaço amostral. Em espaço finito com resultados elementares equiprováveis:
Não use essa razão quando os resultados elementares têm pesos diferentes. Dois dados honestos distinguíveis geram 36 pares ordenados equiprováveis; as somas de 2 a 12 não são equiprováveis.
Propriedades:
Se os eventos são mutuamente exclusivos, a interseção é vazia e as probabilidades somam.
6.6. Condicionamento, produto e independência
Para P(B)>0:
Logo:
Eventos são independentes quando:
Quando a condicional está definida, isso equivale a P(A|B)=P(A). Exclusão mútua não é independência: eventos mutuamente exclusivos com probabilidades positivas são dependentes, porque a ocorrência de um elimina o outro.
Sem reposição, a composição e o denominador normalmente mudam. Com reposição, a composição é restaurada. Em n tentativas independentes, cada uma com sucesso de probabilidade p:
6.7. Probabilidade total e Bayes
Se B₁,...,Bₖ formam partição do espaço:
Para inverter o condicionamento:
A taxa-base P(B_j) não desaparece. Em geral, P(A|B) e P(B|A) são diferentes.
7. Operações com conjuntos
Antes de operar, identifique o universo e diferencie pertinência de inclusão.
x ∈ A: x é elemento de A;A ⊆ B: todo elemento de A está em B;|A|: número de elementos distintos de A.
A ordem e a repetição não alteram um conjunto. O vazio tem cardinalidade zero, mas {∅} tem um elemento. Além disso, ∅ ⊆ A para todo A; isso não significa ∅ ∈ A.
7.1. Operações e linguagem
| Linguagem | Região/expressão |
|---|---|
| A ou B, inclusive ambos | |
| A e B | |
| A, mas não B | |
| não A, dentro do universo | |
| exatamente um entre A e B | |
| nenhum dos dois | |
| não ambos |
A diferença não é comutativa. O complemento depende do universo. “Nenhum” e “não ambos” não são iguais: o primeiro exclui toda a união; o segundo admite pertencer exatamente a um.
7.2. Leis essenciais
De Morgan para conjuntos:
É o mesmo padrão estrutural da lógica proposicional: complementar cada parcela e trocar união por interseção.
7.3. Cardinalidade de dois conjuntos
Limites úteis:
7.4. Três conjuntos
Preencha o diagrama do centro para fora:
- interseção tripla;
- regiões de exatamente dois;
- regiões exclusivas;
- região externa à união.
A informação |A ∩ B| inclui quem também pertence a C. Para obter “A e B, mas não C”, subtraia a tripla.
A cardinalidade de quem pertence a pelo menos dois dos três é:
A tripla aparece três vezes na soma inicial e deve terminar contada uma vez.
7.5. Conferências
Todas as regiões devem ser não negativas, a soma não pode ultrapassar o universo e os totais marginais precisam ser reconstituídos. Se algum cálculo gera região negativa, a tradução ou os dados usados são incompatíveis.
8. Problemas aritméticos
Em problemas aritméticos, a principal habilidade é converter o texto em relações numéricas preservando bases, unidades e restrições. Defina a incógnita, indique sua unidade e só então escreva a equação.
8.1. Frações, múltiplos e restos
“Fração de uma quantidade” indica multiplicação. Se a fração incide sobre o restante, a base mudou. Gastar 1/3 de um valor e depois 1/4 do restante não equivale a gastar 1/3 + 1/4 do valor inicial.
Use:
- MMC em coincidência de ciclos;
- MDC em maior agrupamento idêntico sem sobra;
- divisão euclidiana em problemas de restos:
8.2. Razão, proporção e regra de três
Proporcionalidade direta: y=kx. Proporcionalidade inversa: xy=k. Não basta observar que uma grandeza aumentou enquanto a outra diminuiu; a constância precisa decorrer do modelo.
Regra de três organiza proporcionalidade já justificada. Em produção, costuma ser mais seguro calcular a taxa por agente e por unidade de tempo.
Na divisão direta de total T na razão a:b:c:
Na divisão inversamente proporcional, use os recíprocos como pesos.
8.3. Porcentagem e base de comparação
Aumento de p% aplica fator 1+p/100; desconto aplica 1-p/100.
Para desfazer a operação, divida pelo fator aplicado. Percentuais sucessivos multiplicam fatores:
Aumentar 20% e reduzir 20% produz 1,2 × 0,8 = 0,96, redução líquida de 4%. Passar de 40% para 50% representa 10 pontos percentuais e aumento relativo de 25%.
8.4. Médias
Ao reunir grupos de tamanhos diferentes, seus tamanhos são pesos; não tire média simples das médias. Velocidade média é sempre distância total dividida por tempo total. Para duas distâncias iguais percorridas a velocidades v₁ e v₂:
8.5. Equações, idades e algarismos
Traduza cada relação. Se dois números somam S e diferem por D:
Número de dois algarismos com dezena x e unidade y é 10x+y; invertido, 10y+x. Em idades, todos avançam o mesmo intervalo, por isso a diferença entre idades permanece constante.
Soluções algébricas negativas, fracionárias ou fora de faixa devem ser confrontadas com o contexto: uma raiz correta da equação pode ser inadmissível no problema.
8.6. Taxa × tempo
Muitos problemas obedecem a:
- trabalho: quem conclui uma tarefa em
tunidades de tempo tem taxa1/tda tarefa por unidade; - agentes simultâneos: sob hipóteses comparáveis, somam-se as taxas;
- vazão: entradas somam e saídas subtraem;
- movimento uniforme:
d=vt; em aproximação por sentidos opostos, somam-se velocidades; em perseguição no mesmo sentido, usa-se a diferença.
Mais trabalhadores só reduzem proporcionalmente o tempo quando trabalho, jornada e produtividade individual permanecem comparáveis.
8.7. Misturas e unidades
Se concentração decimal é c e volume é V, a quantidade da substância é cV. Em mistura de duas soluções com volumes aditivos:
Adicionar água conserva o soluto; adicionar soluto puro altera numerador e volume total.
Converta unidades antes de combinar grandezas. Relações frequentes:
1 h = 60 min = 3 600 s;1 km = 1 000 m;1 kg = 1 000 g;1 L = 1 000 mL;1 m/s = 3,6 km/h.
Duas horas e quinze minutos correspondem a 2,25 h, não 2,15 h.
8.8. Padrões numéricos
Teste diferenças, razões, alternância, dependência da posição e recorrência informada. Não force progressão aritmética ou geométrica porque os primeiros termos admitem esse ajuste; a regra deve explicar o conjunto relevante dos dados.
9. Problemas geométricos
O desenho organiza, mas não prova propriedades. Paralelismo, perpendicularidade, congruência e medidas precisam estar dados ou decorrer de teorema aplicável. Antes da fórmula, determine se se pede comprimento, ângulo, perímetro, área, volume ou capacidade.
9.1. Ângulos e triângulos
- complementares somam
90°; - suplementares somam
180°; - opostos pelo vértice são iguais;
- ao redor de um ponto, a soma é
360°.
Com duas paralelas cortadas por transversal, ângulos correspondentes e alternos são iguais, e colaterais são suplementares. Sem paralelismo, essas relações não estão garantidas.
Em triângulo:
Se c é o maior lado, existe triângulo não degenerado quando:
Pitágoras exige triângulo retângulo:
9.2. Semelhança, Tales e escala
Em figuras semelhantes com razão linear k:
Tales exige paralelismo e correspondência coerente dos segmentos. Escala 1:n multiplica comprimentos por n, áreas por n² e volumes por n³.
9.3. Perímetros e áreas
| Figura | Área |
|---|---|
| quadrado | |
| retângulo | |
| paralelogramo | |
| triângulo | |
| trapézio | |
| losango |
A altura é perpendicular à base. Em figura composta, decomponha sem sobrepor partes ou calcule uma região maior e subtraia recortes. Perímetro usa unidade linear; área, unidade quadrada.
Para polígono de n lados, a soma dos ângulos internos é:
9.4. Circunferência e círculo
Para ângulo central θ em graus:
Coroa circular:
Não confunda R²-r² com (R-r)² nem comprimento da circunferência com área do círculo.
9.5. Volumes e capacidade
| Sólido | Volume |
|---|---|
| prisma | |
| paralelepípedo | |
| cubo | |
| cilindro | |
| pirâmide | |
| cone |
Com mesma base e altura, cone tem um terço do volume do cilindro; pirâmide, um terço do prisma. Em problema de material, conte apenas as faces existentes: caixa sem tampa não inclui a face superior.
9.6. Conversões dimensionais
Se 1 m = 100 cm:
O fator linear deve ser elevado ao quadrado para áreas e ao cubo para volumes.
10. Problemas matriciais
Uma matriz é uma disposição retangular; o significado vem dos rótulos e unidades de linhas e colunas. Em A_{m×n}, m é o número de linhas e n, o de colunas. O elemento a_{ij} está na linha i, coluna j.
Antes de operar, decida se a questão apresenta um padrão em quadro ou uma operação matricial. Em padrões, teste regra por linhas, colunas e, quando justificado, diagonais; uma regra que explica apenas uma posição não está confirmada.
10.1. Igualdade, soma e escalar
Duas matrizes são iguais quando têm a mesma ordem e elementos correspondentes iguais. Soma e subtração exigem mesma ordem e operam posição a posição:
Multiplicação por escalar aplica o fator a todos os elementos. Aumento uniforme de 10% produz 1,10A; 0,10A representa apenas o acréscimo.
10.2. Transposta
A transposta troca linhas por colunas e transforma ordem m×n em n×m. Em uma tabela, pode trocar a leitura “setores × produtos” por “produtos × setores”, sem alterar arbitrariamente os valores.
10.3. Produto matricial
Se:
então AB existe e tem ordem m×p. Cada entrada combina uma linha da primeira matriz com uma coluna da segunda:
As dimensões internas devem coincidir; as externas formam a ordem do resultado:
Produto matricial não é multiplicação posição a posição. Em geral, AB ≠ BA; a existência de AB nem sequer garante a existência de BA.
10.4. Modelagem
Se linhas representam setores, colunas representam materiais, Q contém quantidades e p é vetor coluna de preços unitários, Qp fornece o custo total de cada setor. A unidade ajuda a validar:
Em composição de etapas, o fator da direita atua primeiro. Trocar a ordem pode inverter o processo ou tornar o produto indefinido.
10.5. Limite do recorte
Determinantes, matriz inversa, escalonamento e resolução geral de sistemas lineares não foram nomeados no item “problemas matriciais” deste edital. Só devem aparecer se o próprio enunciado fornecer uma aplicação elementar indispensável; não são eixo autônomo da revisão.
Revisão cruzada: distinções que atravessam o programa
Condicional em três níveis
- estrutura lógica:
A → Brestringe configurações; - argumentação: permite modus ponens e modus tollens, não conversa nem inversa;
- lógica proposicional: é falsa apenas em V/F e equivale a
¬A ∨ B.
De Morgan em três linguagens
| Contexto | Regra |
|---|---|
| proposições | negar parcelas e trocar ∧/∨ |
| quantificadores | trocar ∀/∃ e negar o escopo |
| conjuntos | complementar parcelas e trocar ∪/∩ |
Existência
- uma configuração válida prova que algo pode ocorrer;
- uma premissa universal de classe não cria automaticamente exemplar;
- uma fórmula existencial exige testemunho;
- duas existenciais podem ter testemunhos diferentes;
- uma região em branco no diagrama não prova que esteja ocupada.
“Ou”, soma e união
- no conectivo e na união, “ou” é normalmente inclusivo;
- na contagem, alternativas só podem ser somadas diretamente quando forem disjuntas;
- em probabilidade, a soma exige corrigir a interseção;
- “ou, mas não ambos” é exclusiva ou diferença simétrica.
Independência, exclusão e incompatibilidade
- eventos mutuamente exclusivos não ocorrem juntos;
- eventos independentes não alteram a probabilidade um do outro;
- restrições incompatíveis tornam um ramo impossível;
- classes disjuntas têm interseção vazia, mas podem ambas existir.
Unidades e dimensões
- taxa combina quantidade e tempo;
- porcentagem exige identificar a base;
- perímetro, área e volume usam dimensões diferentes;
- produto matricial exige compatibilidade de dimensões internas;
- número sem unidade pode estar matematicamente correto e contextualmente errado.
Checklist de última passagem
- identifiquei o tipo de objeto antes de escolher a técnica?
- traduzi “se”, “somente se”, “todo”, “algum”, “nenhum”, “pelo menos” e “exatamente” sem alterar a força?
- preservei parênteses, escopos, direção de setas e ordem de quantificadores?
- distingui exemplo possível de conclusão necessária?
- procurei contraexemplo quando a questão exigia validade ou necessidade?
- em contagem, defini o que torna dois resultados diferentes?
- em probabilidade, confirmei equiprobabilidade, condicionamento, independência e reposição?
- em conjuntos, corrigi dupla contagem e comecei pela interseção mais interna?
- em aritmética e geometria, uniformizei unidades e conferi a base ou a hipótese do teorema?
- em matrizes, rotulei eixos e validei as ordens antes de operar?
- o resultado final satisfaz todas as condições e responde exatamente ao comando?
Abrangência
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Referências
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- CEBRASPE. Edital nº 1 — TCE/MA, versão consolidada após a retificação de 29 de julho de 2026. Versão consolidada usada para a conferência final do escopo. Consultado em 3 set. 2026.
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