Mega revisão de História e Geografia do Maranhão

A073–A094, em uma leitura: pergunte quando e em que escala ocorreu o fato; depois onde, em qual etapa da cadeia e por qual medida ele aparece. Uma vitória militar não equivale à adesão política; uma carga embarcada não equivale à produção local. Esta revisão cruza os assuntos, enquanto cada cheat sheet guarda o detalhe de seu tema.

Recorte: Cargo 1, Analista de Administração, Edital nº 1 de 6/7/2026 (publicado em 7/7), retificado pelos editais nº 2 de 29/7 e nº 3 de 10/8 (este publicado em 17/8); nenhum destes dois mudou este bloco. Para dados conjunturais, conserve as edições disponíveis até 4/8/2026, sem importar resultados divulgados depois. Para legislação, o edital fixa a entrada em vigor até a publicação do primeiro edital, ressalvado objeto expressamente previsto; a janela de jurisprudência tem regra própria. Consulte a documentação de corte no arquivo de referências.

1. A linha histórica muda a leitura do território

SequênciaA distinção que decide
1612 → 1614 → 1615–1616Franceses instalam Saint-Louis na ilha, com alianças Tupinambá; a vitória luso-indígena em Guaxenduba preserva a posição portuguesa no continente; a capitulação francesa e a continuidade administrativa portuguesa vêm depois. Fundação do núcleo, batalha e conquista não são o mesmo ato.
1641 → 1642 → 1644Neerlandeses tomam São Luís; resistência se amplia pelo interior e no Itapecuru; a expulsão encerra a ocupação do Maranhão em 1644. A Restauração portuguesa de 1640 e a Insurreição Pernambucana posterior não substituem essa cronologia local.
1680 → 1682 → 1684–1685Limites à escravização indígena e insuficiência da mão de obra disputada; estanco da companhia de comércio, isto é, monopólio de fornecimento e compra; rebelião de Bequimão contra monopólio, jesuítas e governo local; repressão régia. A companhia criada em 1755 pertence a outro contexto.
1823 → 1838–1841Jenipapo, no Piauí (13/3/1823), é vitória tática de Fidié, mas o desgaste enfraquece a resistência portuguesa; São Luís adere em 28/7 e Caxias presta juramento em 7/8. Mais tarde, a Balaiada combina disputa provincial, recrutamento, terra, pobreza e escravidão; não é um prolongamento da Independência.
1889 → 1930 → 1951 → 1965/66Em São Luís, confronto com libertos em 17/11 antecede a junta republicana de 18/11/1889. Levante em 7/10/1930 antecede deposição e junta local em 8/10. A Greve de 1951 desgasta o vitorinismo, mas a ruptura eleitoral só ocorre com a eleição direta de Sarney em 1965 e sua posse em 1966.

Três causas que uma data não resolve. França Equinocial dependia de projeto de povoamento e alianças indígenas; “fundação francesa” não apaga a conquista e a administração portuguesas. Bequimão defendia interesses coloniais ligados à mão de obra e ao comércio: resistência ao estanco não o converte em movimento abolicionista ou separatista. Na Balaiada, o vaqueiro Raimundo Gomes desencadeou a ação da Vila da Manga, o artesão Balaio deu nome à revolta e Negro Cosme liderou quilombolas na luta contra a reescravização. Alianças com liberais bem-te-vis e oposição aos governistas cabanos não produziram comando nem programa popular único. Caxias foi tomada, São Luís não.

Do ato nacional ao conflito local. A proclamação de 15/11/1889 não tornou pacífica a adesão maranhense: libertos manifestaram lealdades monárquicas e sofreram repressão. Em 1930, a mudança de governo não instalou imediatamente um governo pessoal de Vargas no Maranhão. Em 1951, a paralisação de comércio, transporte e serviços teve duas fases, fevereiro–março e setembro–outubro, por disputa eleitoral e carestia. Eugênio Barros licenciou-se, César Aboud exerceu interinamente o governo e Eugênio reassumiu; licença não é renúncia nem cassação. Vitorino Freire articulava chefias municipais, partidos e governos sem ocupar continuamente o cargo de governador. Uma eleição contestada, uma mobilização intensa e a derrota eleitoral da rede são eventos distintos.

Política, economia e sociedade no mesmo século. Após a vitória direta de 1965, os governadores de 1970, 1974 e 1978 foram escolhidos indiretamente; a escolha direta voltou em 1982. A Constituição estadual foi promulgada pela Assembleia em 1989; Roseana Sarney venceu em 1994 e foi reeleita em 1998. A política das facções e alianças mudou sob o regime militar e a redemocratização sem que o rótulo “Maranhão Novo” provasse ruptura social completa.

A integração rodoviária e a valorização fundiária favoreceram circulação, pecuária e projetos, mas também disputas por terras usadas por posseiros, comunidades indígenas e quilombolas. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, criada em 1959, a legislação fundiária estadual de 1969 e o Programa Grande Carajás instituído em 1980 situam políticas; a operação industrial da Alumar em 1984, a inauguração da Estrada de Ferro Carajás em 1985 e a operação de Ponta da Madeira em 1986 situam implantação e circulação. O programa de 1980 abrangia infraestrutura, mineração, agricultura e indústria em partes de vários estados, não somente uma mina. Expansão de São Luís e Imperatriz, migração e periferias precedem ou acompanham os projetos, sem demonstrar absorção de todos os trabalhadores. A organização rural já existia antes de 1964; quebradeiras de coco articularam trabalho, renda e livre acesso às palmeiras. Direitos reconhecidos em 1988 não executaram automaticamente demarcação, titulação ou oferta de serviços.

2. Onde a paisagem explica possibilidades, sem determinar resultados

Contorno antes de mapa temático. O Maranhão está no Nordeste; sua porção a oeste do meridiano de 44 graus oeste integra a Amazônia Legal. Atlântico ao norte, Piauí a leste/sudeste, Tocantins ao sul/sudoeste e Pará a oeste/noroeste. Amazônia Legal é delimitação político-administrativa; bioma é outra classificação. Coordenada extrema, área territorial de edição cartográfica e localização de cidade respondem perguntas diferentes.

Recorte aproximadoRelação útilLimite da inferência
Oeste/noroesteAfloramentos antigos do domínio São Luís–Gurupi, maior umidade e florestas; Gurupi marca parte da divisa com o Pará; Reentrâncias têm estuários e manguezais.Nem todo o oeste é floresta intacta ou rocha cristalina; ocupação e uso alteram a cobertura.
Centro-norte/litoralDepósitos e formas costeiras, dunas e estuários, transições com palmeiras, rede Mearim–Itapecuru e concentração urbana em São Luís.Praia, ilha e dunas não autorizam inferir altitude, disponibilidade de água ou uso produtivo uniforme.
Sul/lesteSedimentos da Bacia do Parnaíba, chapadas e nascentes, chuvas mais sazonais e Cerrado em grande parte; agricultura mecanizada em porções do sul.MATOPIBA não abrange todo o Maranhão nem é bioma.

Substrato, processo, forma e recurso: bacia sedimentar é estrutura geológica; bacia hidrográfica é área drenada. Chapada/planalto, depressão e planície descrevem posições e formas do relevo; erosão, transporte e deposição ajudam a explicar sua gênese, sem regra isolada que classifique todo planalto pela “denudação” (desgaste do relevo). Ocorrência mineral ou reserva estimada não comprova mina em operação. O rio e sua bacia atravessam classes de relevo: o divisor de águas separa escoamentos e não é necessariamente limite político.

Escala das águas: na regionalização do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão, três bacias de domínio federal (Parnaíba, Tocantins e Gurupi), sete estaduais e dois sistemas de drenagens estaduais compõem 12 unidades; não são 12 rios. Parnaíba delimita parte do Piauí, Gurupi parte do Pará e a divisa com Tocantins inclui trechos de rios distintos. Mearim, Itapecuru, Munim, Turiaçu, Maracaçumé, Preguiças e Periá são as sete bacias estaduais; Pindaré e Grajaú são tributários da bacia maior do Mearim. “Genuinamente maranhense” é atalho didático para drenagens formadas no estado, não classe oficial que exclua tributários.

Água, formação e proteção: clima são médias e variações de longo prazo; tempo é estado meteorológico imediato. Norte e oeste tendem a maior umidade, leste e sul a seca sazonal mais longa; a estação seca não significa chuva zero. A zona de convergência intertropical (faixa sazonal de encontro dos ventos alísios) alimenta parte da chuva ao norte, mas relevo, solo, drenagem, fogo e uso humano também importam para a vegetação. Amazônia, Cerrado e Caatinga são biomas presentes em proporções diferentes; cocais são formação/paisagem de transição, e manguezais pertencem ao sistema costeiro, não a um quarto bioma estadual. Formação potencial e cobertura atual não se confundem.

Unidade de conservaçãoRegra de decisão
Área de Proteção Ambiental (uso sustentável)Área extensa, com ocupação humana possível, terras públicas ou privadas e restrições ao uso; sua criação não desapropria automaticamente todas as propriedades.
Parque Nacional (proteção integral)Preservação de ecossistemas e uso indireto; domínio e posse públicos, com desapropriação das áreas privadas incluídas; visitação conforme plano de manejo e regras do órgão gestor.

Lençóis Maranhenses e Chapada das Mesas são parques nacionais no estado; Nascentes do Rio Parnaíba tem território em mais de uma unidade federativa. Uma área de proteção ambiental, um parque, um sítio Ramsar (área úmida reconhecida por convenção internacional) e a inscrição internacional dos Lençóis em 2024 são instrumentos distintos: reconhecimento internacional não substitui categoria e regras da lei nacional. A lista e os limites de unidades exigem fonte e data, em vez de dedução pelo nome.

3. Pessoas, produção e circulação: identifique a medida

População: o censo conta residentes em data de referência; uma estimativa anual projeta população sem ser novo censo. O Censo de 2022 e a estimativa oficial de 2025 têm métodos e datas diferentes. Densidade divide habitantes por área; urbanização compara a fração urbana com o total, não o tamanho absoluto das cidades. Crescimento depende de nascimentos, mortes e migração líquida. Saldo migratório negativo pode coexistir com crescimento populacional; deslocamento pendular para trabalho ou estudo, como entre Timon e Teresina, não muda por si a residência habitual. Região de influência urbana mede vínculos funcionais e pode cruzar a fronteira estadual; não é a região metropolitana definida por lei.

Se o item disser…Antes de concluir, separe…
“Agricultura familiar predomina”Número de estabelecimentos, área ocupada, pessoas, produção ou valor. No Censo Agropecuário de 2017, predominância em estabelecimentos não implica maior parcela da área.
“Maranhão produz mais”Cultivo anual da Produção Agrícola Municipal, rebanho em data de referência ou produtos da Pesquisa da Pecuária Municipal; séries, unidades, ano e território não são intercambiáveis.
“O extrativismo cresceu”Coleta de recurso vegetal nativo versus silvicultura de floresta plantada; captura pesqueira versus aquicultura (criação); lavra mineral versus beneficiamento e transformação.
“Há riqueza mineral”Ocorrência, reserva, título minerário, lavra, valor da produção e compensação financeira são etapas/medidas diferentes.
“O comércio cresceu”Atacado revende para empresas, varejo atende consumidor final; receita de vendas não é valor adicionado (produto menos insumos comprados, em termos simplificados), emprego nem ganho real.
“A rede atende o município”Infraestrutura → cobertura estimada → conexão contratada → uso efetivo; cada seta exige evidência própria.

O mapa produtivo é uma sequência, não um inventário de produtos.

Origem e etapaTransformação e circulaçãoO que não inferir
Babaçu coletado de palmeira nativa, sobretudo na faixa de cocaisAmêndoa pode virar óleo e outros produtos, com trabalho das quebradeiras e comércio.Toda palmeira equivale a plantio, ou o fluxo de óleo mede coleta no mesmo ano.
Eucalipto plantadoSilvicultura abastece celulose na região de Imperatriz; a fábrica pode vender a outros mercados.Árvore cultivada é extrativismo vegetal nativo, ou celulose é necessariamente papel pronto.
Bauxita extraída no ParáChega à Alumar, em São Luís, para refino em alumina e produção de alumínio.Recepção e indústria são lavra maranhense; alumina é o mesmo produto que alumínio.
Ferro extraído em Carajás, ParáEstrada de Ferro Carajás cruza o Maranhão até Ponta da Madeira; Açailândia abriga siderurgia de gusa/aço em cadeia própria.Minério embarcado em terminal maranhense foi extraído no estado ou o terminal é fábrica de aço.
Grãos cultivados em parte do sulArmazenagem, comércio, ferrovias e portos atendem a áreas que ultrapassam o estado.Movimentação portuária mede produção maranhense ou prova distribuição igualitária de renda.

“Indústria de base” é função de fornecer insumos a outras indústrias; pode ser atividade de transformação. Na classificação econômica, extrair minério e transformá-lo são seções diferentes; certos beneficiamentos ligados à própria lavra ainda se classificam com extração, conforme a operação concreta. Capacidade instalada não é produção realizada; anúncio, licença, obra, carga movimentada e emprego são indicadores de estágios diferentes.

Rastreie a rota: uma rodovia federal pode ter administração ou concessão específicas; eixo planejado não é pista pavimentada nem via duplicada. A Estrada de Ferro Carajás e a Ferrovia Norte–Sul se conectam em Açailândia, mas permanecem linhas diferentes; extensões regulatórias que atravessam estados não são extensão maranhense. Na zona portuária de São Luís, Itaqui é porto organizado público administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária, Ponta da Madeira é terminal de uso privado da Vale e Alumar é terminal privado do complexo industrial. Porto organizado, área arrendada interna e terminal autorizado fora dela têm regimes próprios. Toneladas no cais não revelam origem produtiva, capacidade técnica nem valor exportado. Em aeroportos, cadastro do aeródromo, existência de voo regular, movimento de aeronaves, passageiros e carga também são medidas diferentes.

4. Cultura e patrimônio: prática, objeto e reconhecimento

Reconheça pela marcaDepois identifique a natureza
Bumba Meu Boi — ciclo de ensaios, batismo, brincadas e morte ritual; sotaques de matraca, zabumba, Baixada, costa de mão e orquestra são modos de brincar, não cinco grupos únicos. Cazumbá é personagem do boi.Celebração com música, teatro, artesanato, trabalho coletivo e religiosidades diversas; registro nacional imaterial em 2011, inscrição internacional em 2019 e revalidação do registro em 2025 são atos distintos.
Tambor de Crioula — roda de coreiras, tambores e punga (gesto de convite na dança); Tambor de Mina — tradição religiosa com casas e entidades; Terecô — tradição de encantaria especialmente associada a Codó.Compartilhar ritmos, pessoas ou devoções não torna dança e tradições religiosas sinônimas; as práticas variam entre comunidades.
Divino Espírito Santo — corte, bandeira, mastro e caixeiras; Cacuriá — dança autônoma associada a momentos recreativos dessa festa; Carnaval — fofão mascarado; reggae — radiolas e dança em pares em São Luís.Fofão não é Cazumbá. O título legal de São Luís como Capital Nacional do Reggae (2023) não é inscrição internacional do reggae maranhense.

Patrimônio em quatro decisões: tombamento protege materialidade de conjuntos como Alcântara (1948) e centro histórico de São Luís (1974); registro nacional reconhece e orienta salvaguarda de práticas imateriais como o boi e o Tambor de Crioula; a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura inscreveu o centro histórico de São Luís em 1997 e o boi em 2019, em listas de naturezas diferentes; lei pode conferir título cultural sem tombar ou registrar. Alcântara não é sítio autônomo da lista mundial. O patrimônio arquitetônico luso-brasileiro reconhecido em São Luís não torna francesa toda a arquitetura preservada.

Memória não é homogeneidade: o indianismo de Gonçalves Dias representa indígenas literariamente; Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, articula autoria negra feminina e crítica da escravidão. “Atenas Brasileira” descreve prestígio de um circuito letrado da capital, não a cultura inteira. Arroz de cuxá usa vinagreira em preparos variados; juçara é o uso local de fruto/preparação de açaí; tiquira deriva da mandioca, não da cana. Literatura, comida e trabalho artesanal exigem a mesma pergunta de localização, autoria e técnica que uma classificação do patrimônio.

5. Fechamento de prova

  1. Data: é início, batalha, tomada da capital, adesão, posse, repressão ou reconhecimento? Ato local e ato nacional podem divergir.
  2. Escala: é rio ou bacia, estado ou região, origem do recurso ou ponto de escoamento? Fronteira política não é divisor de água automático.
  3. Categoria: é bioma, formação, cobertura; conservação de uso sustentável ou proteção integral; tombamento, registro ou inscrição internacional?
  4. Medida: confira fonte, ano de referência, data da divulgação, unidade, território e se é estoque, fluxo, capacidade ou valor. Dado publicado depois do corte não retroage.
  5. Cadeia: percorra origem → produção → transformação → transporte → comércio. Em cada seta, explicite o que a evidência demonstra antes de julgar o enunciado.

As cronologias finas, listas locais, fontes por assunto e resoluções verificadas permanecem nos cheat sheets e nos respectivos arquivos de referências de A073–A094.

Abrangência

Referências

Referências — Mega revisão de História e Geografia do Maranhão

As fontes abaixo sustentam os cruzamentos desta mega revisão. Os arquivos de referências de A073–A094 guardam as fontes específicas, séries, documentos locais e provas de cada assunto. Datas de atos, publicação, vigência e disponibilidade estatística não são intercambiáveis.

Edital e recorte

Cronologia, política e mudança social

Território, conservação e população

Cadeias, redes e indicadores

Cultura e patrimônio

Contraprova de cobrança

Limites da reconsulta: as páginas dinâmicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária retornaram acesso negado nesta sessão. As relações gerais foram cotejadas com as aulas e os resumos aceitos; nenhum total novo dessas páginas nem movimentação portuária sujeita a autenticação foi incorporado à mega revisão. A lista dinâmica de atos da banca também não é prova de inexistência de retificação posterior aos três atos identificados.